terça-feira, 21 de agosto de 2012

Blogger life 25

Praticamente todo o mês de agosto eu estive adoentado, ora sinusite, agora gripe, depois o que será?  O mês já se vai. Eu fico me perguntando se comigo as coisas acontecem diferente das outras pessoas, se quando estão doentes (físicamente) a porta de entrada para os problemas psicológicos se escancara e aí vem o medo, a depressão, o desejo de morte, essas coisas que normalmente desprezo, será que é assim com todo mundo?
Meus planos para o inverno estão indo pro inferno. Não gravei disco algum (ainda), não escrevi 1/3 das linhas que gostaria de ter escrito, não descansei nem me alimentei de forma mais adequada a fim de recuperar o peso do tempo antes da vida ciclística. Aliás a partir deste ano não existe mais para mim pedais de inverno, porque com as chuvas as vias ficam extremamente perigosas para os ciclistas que ao tentar desviar dos inúmeros buracos que surgem no período podem ser atropelados, ou atropelar alguém, ou cair. Não é seguro pra mim que tenho que pedalar pelo menos 30 km nessas vias horrendas se quiser estar no centro.
Pelo menos rolou um sonzinho esse mês, foi na quarta passada no estúdio 2 tone na despedida de Rodrigo Gagliano. ia ser no Rio Vermelho, mas com a chuva acabou sendo no estúdio. Cheguei na hora que Léo (Honkers) se arrumava pra ir embora porque dizia que não havia condições de tocar no estúdio quente e apertado. (Otário!) O som rolou em altas doses de ska e rock'n'roll depois que a Charlie Chaplin colocou o vizinho pra se estressar. Eu, Brust, Rodrigo Doidinho e Morotó Slim, sim o velho Morotó, servimos de banda base para Sputter e quem mais quisesse entoar clássicos do rock e do folk no microfone, depois foi a vez do outro doidinho assumir a guitarra de Morotó e o ska passou a imperar. Tivemos a participação de Fabão no baixo e de Trippa na bateria nessa que foi a noite de rock mais esplêndida deste inverno infernal. Pena que foi para poucos corajosos que se aventuraram a enfrentar a tempestade. Pior para mim que estava ainda me recuperando da sinusite e tive a infelicidade de deixar minha câmera cair no chão pra nunca mais funcionar. Ainda vou levá-la á assistência, mas pelo visto vou me lascar, pois é lá em Sampa. Essas coisas me fazem crer que sou azarado.
Dia desses fui baculejado por pivetes armados, felizmente alguém me reconheceu por andar na CDP e me liberaram. Dias depois encontraram o corpo de uma jovem na fazendinha e na semana passada uma outra jovem foi morta a pedradas na entrada da favela. Os cretinos de plantão acham que o tráfico de drogas é o único culpado pela violência urbana e ao invés de combaterem os criminosos ficam perseguindo os maconheiros, mas eu não vou falar sobre isso hoje.
Ontem fui visitar um amigo e enquanto admirávamos o enorme Pé de Manga de sua propriedade uma fruta caiu, fui recolher e enquanto pegava ouvi o barulho de mais uma manga caindo, saí correndo pra não cair em minha cabeça e não é que a danada caiu exatamente no mesmo lugar da outra. isso é sorte, não é? Acho que já é hora.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Entenda o pensam de você

Sabe o que é enfadonho? É explicar as pessoas que o que elas pensam de você é o que elas pensam e não o que você é. As pessoas tiram conclusões de coisas que ouvem a seu respeito e daí criam um personagem que é como seu alter-ego. É bem difícil convencer a algumas pessoas que você não é o que elas pensam e muitas vezes é a maior perda de tempo, pois elas não estão interessadas em saber quem é o verdadeiro você, querem poder te criticar, te zoar e ter a certeza de que você não é a melhor pessoa do mundo.

Blogger life 24 - Viadagem e preconceito


Esse papo de viadagem não é minha especialidade, mas gosto das questões abrangentes. A gente pode falar de mulher, pode falar putaria, mas a viadagem é uma porra...(tsc) É tanta merda em cada cabeça, que tudo acaba, o mundo acaba, “Fróide”, “Níti”, jovem, pica, boca, cu, buceta, flores... a única coisa que jamais se acabará é a estupidez. “A estupidez fode tudo.”

Ah! sim, blogger life 24...

Isso mesmo..., a viadagem persegue o homem, pois somente o homem pode se metamorfosear em viado porque gosta. Embora eu conheça também algumas "viadas", estas são um caso à parte, a desgraça do homem tem um jeito de ser viado que nada no mundo animal é similar, creio eu.
...e eu pensando que sem beber estaria livre dos bares cheios de afetação dessa cidade imunda. Mas “quem tem amigo não se governa” já dizia Doutor Barrigão  lá nos velhos tempos de que quem busca a felicidade tem que ir à luta, às vezes para em lugares estranhos, ás vezes tem que disputar com mulheres a delicada flor, o que é desleal, creio eu. Não há como um homem vencer a graça, delicadeza e a beleza feminina, ainda mais um cara tosco e bruto como eu... enfim.
: entro no bar e um cara quer saber quanto eu calço, outro quer sentar em meu colo, outro me beija a face, parece que não há como escapar, mas eu consigo, sou paciente e sempre sincero, às vezes demais, sou imprevisível, bipolar talvez, neurótico quem sabe. Sou apenas eu contra um mundo de viadagem e preconceito. Creio eu! Homem é chato. Bêbados, que falam pegando em você, gritando em seu ouvido, lhe cuspindo e sendo inconveniente... isso é uma desnecessária exibição de idiotia... 
Já as garotas... 
as mulheres são formidáveis mesmo quando se fazem de idiotas, vagabundas, ou interesseiras, são lindas. E bêbadas então? Não sei como indivíduos que se dizem masculinos são capazes de fazer mal a criaturas tão fenomenais. Não lhes ter cuidado, zelo, carinho, pode, e vai, trazer apenas a desgraça ao infeliz, isso é fato. Mas também entendo que tem gente bem desgraciosa independente do sexo, orientação sexual, viadagem.
Existem mulheres bem desgraciosas, essas a gente pode simplesmente deixar de lado. Você perder o tesão por uma mulher também acontece entre os não viados, não importa o quão seja “gostosa”. Tem gente que curte sexo a qualquer preço, mas, desculpe a “desgraceza” e ordinariedade: “eu não achei meu pau na rua”. Tenho a obrigação, mas acho que elas também tem que fazer por merecer, porque “eu não achei meu pau na rua” não existe homem como eu de bobeira por aí. Não um tão estúpido. 
Temos que nos contentar com o que a vida nos oferece, né? Tá bom, eu sei, mas para por aí. As mulheres reclamam do domínio masculino na sociedade, mas esperam sempre que façam tudo e um pouco mais, sendo elas apenas o prêmio. Dirija, pague a conta, abra a porta, seja engraçado, seja carinhoso, seja vigoroso, tire a roupa (de ambos), chupe, beije, bata... enquanto todas as pressões do mundo estão sobre nós. Azar de quem deixa o tesão passar... mais azar ainda daqueles que deixam o tesão subir pra cabeça.
Não vejo absurdo na homossexualidade, principalmente a feminina, sem preconceito. Cada um tem o direito de ser como é e nada nem ninguém pode reprimir isso. Freud, Jung, Nietzsche passariam o inverno discutindo... O tempo é que é o senhor do universo, e do tempo, e do jegue de Luiz Gonzaga, que Deus o tenha.
Falando em preconceito... 
um dia desse serei uma aberração, né? Daqui a pouco todo mundo terá pelo menos duas opções sexuais e já me chamaram de retrógrado por não gostar de algumas coisas bem estranhas... também estive em lugares onde minha masculinidade não era bem-vinda ainda que lá ninguém tivesse interesse sexual ninguém. O mundo é doentio. Me tomam por machista, por sexista, por cretino por gostar só de mulher, mas eu ainda não conheço, nem mesmo entre os meus amigos homossexuais, viados e trangêneres alguém que não sinta algum prazer em criticar uma vida sexual dita normal. Eu achava que era pessoal, mas as pessoas acham que isso importa e fingem se importar.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Por uma vida menos doentia...

Eu não quero um mundo livre de drogas. Quero um mundo sem "terroristas", "erroristas", sem essas pessoas que tem no medo a arma para subjugar às outras. Quero o mundo onde as pessoas se preocupam com o bem estar do próximo, se ele tem o suficiente para sobreviver e se manter produtivo. Quero um mundo livre! O mundo livre é lindo!
Desde quando neste país se considera a necessidade de uma minoria?
As mulheres continuam morrendo nos abortos clandestinos;
As mulheres também continuam sendo espancadas todos os dias, e violentadas e vilimpendiadas;
Ninguém acha nada estranho na "machesa" da sociedade, falando em atenção de mídia em campanhas mundiais;
O jeitinho brasileiro ainda é a lei e ninguém considera que a corrupção é uma doença;
Os jovens continuam sendo massacrados por uma necessidade irreal de se sentir aceito, incluso no mundo do consumo, e muitos não sabem sequer se vivem, o que podem fazer de realmente bom e útil, e de se tornarem pessoas melhores, talvez, e deppressa, com certeza, e ninguém vê perigo nenhum nisso;
O álcool, o tabaco, o açúcar, continuam matando indistintamente e não vejo nenhum debate sobre isso. Eles matam mais que o tráfico de de qualquer droga.
A não ser nas mãos da polícia e de outras causas alheias ao "vício", a maconha não mata ninguém. A falta dela é que deveria constituir crime, pois está sendo velada a possibilidade de uma qualidade melhor de vida, mais digna, digamos assim. Os governos devem fornecer aos seus cidadãos condições decentes de sobrevivência e uma  planta, animal, ou invenção capaz de tornar a vida do sujeito mais "fácil" ou suportável, mais produtiva, não pode ser um produto ilegal ou inacessível, isso constitui-se uma violação aos direitos humanos.
Porque é que nós usamos o algodão se a fibra da maconha é mais resistente, mais manipulável e, sendo liberado o seu plantio para fins industriais, seria também mais barato comparado ao próprio algodão?
Eu estou cansado de fingir que não penso que um cara que é contra a legalização da maconha é um assassino, um irracional. Não sei se é ausência de amor ao próximo, mas com certeza não é humanidade. É como se de repente todos os maconheiros fosse sair pelas ruas baforando seus barrunfos na cara dos transeuntes. Como podem preferir que os usuários, jovens ou não, fiquem reféns de bocas-de-fumo e de pseudo-criminosos do tráfico? Qual a vantagem moral nisso? Qual a desculpa sanitária pra isso? É só pra não ver alguém "de boa"?
Então os alcoólatras não se tornam imbecis depois de algumas doses? Então os alcoólatras não tem que esperar final do expediente para encher a cara? Então nas bulas dos inofensivos remédios farmacêuticos não há alertas sobre danos causado pelo uso excessivo ou incorreto? Então uma pessoa que fez radioterapia, quimioterapia não poderia ter tido um melhor restabelecimento com maconha? Então o  cérebro humano não possui "neuroreceptores de canabinóides"? Então por que a pessoa que fuma é doente ou criminoso? Para, porra!

NINGUÉM MORRE POR CONSUMIR MACONHA!
NINGUÉM SAI SEM CONDIÇÕES DE DIRIGIR DEPOIS DE FUMAR  MACONHA!
NINGUÉM FUMA MACONHA NA INTENÇÃO DE ESPANCAR A ESPOSA, OU OS FILHOS, OU O VIZINHO, OU O CACHORRO...
NINGUÉM FUMA MACONHA E VIRA ESTUPRADOR
NINGUÉM FUMA MACONHA E FICA RETARDADO

...Mas a elite apavorada, os puristas, os moralistas e os canalhas preferem que seus filhos virem traficantes de uma planta que só é proibida no Brasil (e em boa parte do mundo) porque o bem-intencionado Governo Americano resolveu declarar guerra, para que suas safras de algodão, de uísque, de transgênicos continuassem supervalorizadas. Eles também preferem o imposto pago pelas indústrias de birita e cigarro (se o cara planta em casa ele não paga imposto). Será que o bem da população entrou em debate? Sabe o que é bom lá? Todo mundo pode ter armas, mas fumar maconha não. O slogan deles é: "Não fume Cannabis! relaxe atirando em alguém!"
A maconha pode substituir vários produtos, mas não se pode pedir que se deixe de investir em pesquisa e desenvolvimento de novos materiais tão baratos e economicamente viáveis para o nosso país e para a humanidade. Isso seria lesar a pátria. Uma grande lesão já é não aproveitar as ótimas condições climáticas para o cultivo de cannabis da região NE, mas, ao invés disso, os governos esperam que esse povo infeliz desapareça de uma vez. Isso é absurdo, é doentio.

Tem gente dando depoimento na tv dizendo que a liberação iria fazer os jovens consumirem mais, mas em Portugal não aconteceu isso e na Argentina, que eu saiba, também não, então só no Brasil é que isso vai ser verdade? Eu sei que o nível da nossa educação é  inferior ao desses países, mas o nosso povo é único e o mundo todo sabe disso. Ninguém se respeita e se tolera tanto quanto o brasileiro, mesmo num território tão imenso como o nosso, somos solidários.

O ser humano é capaz de lidar com as drogas sem nenhum tipo de censura, mas a sociedade precisa dos degenerados, dos criminosos, como precisa do dinheiro, do luxo e enquanto essa mentalidade persistir seguiremos rumo ao fracasso como civilização.
Assim como álcool e o tabaco, a maconha também tem suas regras. Ninguém vai trabalhar doidão, ou fumar no trabalho, assim como não se pode beber ou fumar tabaco em certos lugares hoje em dia.
Crianças não podem fumar o cânhamo assim como não podem beber, ou usar outras drogas, porque o seu corpo em formação pode sofrer danos e alguns "danos" podem existir causado pelo consumo excessivo até de água.
É ridículo o cidadão não poder, em sua casa, relaxar fumando um fininho, assim como pode tomar seu uísque, apenas para poder dormir mais leve depois de um dia cansativo.
É ridículo chamar um cidadão produtivo, responsável, pagador de seus impostos, pai, mãe, avô, avó de alguém de marginal, encaminhando a uma delegacia, ou lhe dando um sermão, por fazer uso de uma planta que não é um veneno, nem causa dependência, nem traz nenhum malefício. Acho que é hora de parar com essas mentiras.
Se temos 1,3 milhão de usuários declarados precisaríamos de 1,3 milhão de pés de maconha por mês. Cada um planta a sua e ninguém vira estatística de uma guerra urbana IRRACIONAL. Quem não puder plantar se junta com alguém, faz uma cooperativa, mobiliza o bairro, mobiliza o município. Só não dá mais pra ficar nas mãos da polícia e dos criminosos, pois esses não são amigos de ninguém querem apenas ver a coisa toda pegar fogo para que eles possam brincar de tiro.
A guerra contra as drogas não é uma guerra anti-degradação moral. Se eles estivessem preocupados com isso não deixariam milhões morrerem de fome enquanto safras são jogadas no lixo por falta de competitividade de mercado.
Se os governos estivessem realmente preocupados com a qualidade de vida das pessoas não as imporia metas irreais de produção. Estamos nos desenvolvendo rápido em tecnologia, mas a filosofia e os assuntos ligados à mente e ao comportamento humano ficaram estagnados no meio do século passado. Talvez por causa das guerras, talvez por causa do próprio crescimento demográfico acelerado parou-se de pensar.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Blogger Life 23

Apenas para constar: é um saco escrever sem inspiração. É como um concerto para uma platéia de surdos. Posso me fazer entender e posso parecer bem grave em meu tom, mas não há como obter resposta. Não se pode beber o conteúdo. Eu não consigo poetizar.

Estava me sentindo desprezado, desbundado, sem nem uma banda, mas agora parece que eu tenho uma bunda, pois tenho duas bandas produzindo algo novo para este mundo doentio. A inspiração que me falta em alguns lugares me encontra em outros sempre de boa vontade. É uma forma do universo me manter animado, vai trocando a energia criativa de lugar para que nada fique ocioso... enquanto ia para uma gravação recebi um sms que me fez pensar que o amor vale a pena. É ótimo quando é alguém lembra de você com amor, te ajuda a  manter a fé na humanidade.

Depois de uma semana fudido com sinusite eu começo a me animar a ir a rua, mas nada de me esbaldar: Gerônimo, um sambinha fundo de quintal, um rockzinho com os camaradas... hoje tem Honkers na despedida de Rodrigo (doidinho) Gagliano, ao que parece vai ser no estúdio 2Tone, na graça, do lado do boteco da graça.
Dia 24/08 vai rolar um som também na oficina de investigação musical de Bira Reis (Kizumba) no Pelourinho (fica ao lado do Hotel Pelourinho) vai rolar som percussivo e eu vou meter meu baixo lá no meio pra tumultuar.
E dia 19 ainda pode rolar um reggae, mas eu não posso garantir nem mesmo a minha vida até mais tarde, que dirá até domingo.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Enterrem meu coração na curva do rio Xingu

Há mais de cem anos os Estados Unidos exterminaram toda sua cultura nativa, indígena, em troca, em nome, do progresso que viria junto com a estrada de ferro. Hoje nós sabemos bem o que aconteceu, mesmo depois de o cinema nos dar como bandidos e inimigos os nativos americanos e elevando o moral do homem branco para um patamar de herói, eram assassinos, mas o cinema nos fez amá-los.
Estamos agora em 2012 e vemos o "homem branco", tentar alavancar o progresso na região Amazônica e em nome desse progresso eles pretendem exterminar nossos nativos. Um crime contra a história, contra a consciência, contra todos os valores que as escolas tentam ensinar às crianças. Um crime contra a nossa pátria, nosso povo, nosso país, nossa soberania, nosso planeta.

Eles podem matar nossos peixes como os americanos mataram os búfalos?
Eles podem inundar áreas habitadas por povos que há séculos escolheram como seu lar?
Eles podem afugentar toda a caça, poluir toda a água, derrubar toda árvore em nome do progresso?
Eles podem nos contar montes de mentiras e nós não podemos lhes dizer na cara que são mentirosos?

Eu sei que é muito pouco falar que o crime que estão cometendo com Belo Monte não tem justificativa, não faz sentido e é apenas para que um pequeno grupo seleto enfie alguns milhões de dólares no bolso, mas falar isso poderia soar leviano. Que seja! Eu tenho a história para mostrar porque isso é um crime, porque os políticos envolvidos, entre eles nosso ex-presidente nunca eleito José Sarney, querem tanto acabar com o povo que tem o direito Universal de permanecer em suas terras. Nenhum poder político pode ir de encontro à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela diz entre outras coisas: 

Artigo VI - Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo XVII - 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Os políticos alegam que todo o cidadão está sujeito às leis do país, brasileiros, ou não. Nossa política indianista está violando vários direitos dos índios e não há quem se importe o bastante ao ponto de por eles tomar alguma atitude. Estou envergonhado de ser humano, livre e brasileiro. Nosso país está destruindo tudo o que há de belo e não estamos mais sendo colonizados.
Sand Creek foi um dos maiores massacres que se tem notícia, o mais covarde, mais do que as bombas de Hiroshima e Nagasaki, pois eles garantiram aos índios um local seguro e mandaram dezenas tropas com armas de fogo contra índios armados de arco e flecha e lanças, a maioria mulheres e crianças. 
Talvez essa não seja a intenção dos defensores das Usinas na região amazônica, mas eles vem matando os índios há mais de 40 anos, José Sarney sabe bem disso, ele vem tendo êxito em sua investida, pois desde 1966 até hoje a população indígena só diminuiu e algumas tribos praticamente já deixaram de existir, mas o Xingu é nosso! É de cada brasileiro.
"Enterrem meu coração na curva do rio" é um livro escrito por Dee Brown no qual se conta com detalhes toda a crueldade e covardia com que o nativo norte-americano foi varrido da face da terra. Eu não quero no futuro ler sobre como o Brasil pôs fim a história das únicas pessoas que tem direito de usufruir e cuidar de nossa terra. Talvez seja a hora de fazermos algo mais do que tomar partido.

sábado, 11 de agosto de 2012

É bom estar vivo

Se prestarmos bastante atenção iremos perceber a quantidade de vezes em que nossa vida corre risco, numa pequena marcha-ré, num pé relaxado abaixo do passeio, enquanto comprava um caretinha na barraca, ou dentro do busu, ou na praia.
A vida... a gente nem mesmo sabe definir de maneira decente, mas mesmo sem nunca ter experimentado uma outra sabemos que a nossa nos fará muita falta. Não vale a pena arriscá-la?
A vida... muitas vezes a gente pensa que podia ter morrido. Conheço gente que acredita que morreu mesmo. Mas tem aquele momento irremediável, sabe como é?
Tem momento que é foda. Não!, alguns momentos são melhores que muitas fodas, mas... é foda... estar vivo é foda!
Pensar, escolher, interagir, modificar, compartilhar, amar, essas ações a gente só pode realizar estando vivo e quem são os sentimentos que nos visitam no momento crucial? Acho que são esses os sentidos, sentimentos, tudo o que restará.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Blogger life 22

Uma vez eu escrevi um texto sobre a meu azar e o fato de o São Paulo Futebol Clube nunca vencer o Esporte Clube Bahia jogando em Salvador. Não que eu tenha ido ver muitas vezes, nunca foi fácil ir a esse jogo por todo tipo de motivo: da falta de grana, show no dia, ressaca, 2ª divisão... não sei por que, mas o único que eu fui ver, com Luis Fabiano e Kaká, o Bahia deu um chocolate. E no ano passado que tinha tudo pra eu ir, mas eu não fiz nenhum esforço, foi aquela desgraça. (Ainda bem que eu não fui)
Ainda bem que dessa vez eu não me preocupei novamente e cheguei mesmo ao ponto de esquecer, mas quando você sai de casa no engarrafamento, de busu, encontra o outro lado da cidade todo parado, está sem ingresso, mas encontra as bilheterias vazias e funcionando e compra seu ingresso na segurança dos olhos da lei que lhe espreitam, não se preocupa nem com o baseado que está no bolso, mesmo quando o ingresso cai, invisível, ao puxar a carteira e se não fosse pela presença e honestidade de uma criança, que vendia, que pedia, sei lá o que fazia sentada na calçada, e seria a pior frustração quando por ele eu procurasse para entrar no estádio, a sorte sorri. A sorte é um sorriso dos mais lindos.
Domingo eu podia ter lavado minha alma na goleada sobre o flamerda, mas não senti firmeza no meu time. Claro que estava confiante para o jogo contra o "Jahia", mas tem aquela porra de maldição dos infernos. Além do mais não creio que o time esteja formado, temos inúmeros desfalques:; Denilson e Wellington são meus titulares, a zaga ainda pena, mas Tolói já deu um outro padrão. Talvez com a volta de Lucas agente tenha ainda mais segurança e controle das partidas, mas vejo evolução no futebol de Maicon e do nosso meia enceradeira, Jadson. O flamengo quase não viu a bola no domingo e o Bahia apenas a viu passar, exceto por pequenos  vacilos por excesso de preciosismo de nossos atacantes e meias que ficam tentando entrar no gol tabelando. Há uma braga, mas ela há de ser corrigida e no momento certo esse time há de se tornar imbatível. Por hora basta ganhar dos mais fracos.
A última vez que eu tinha entrado em Pituaçu foi no show do Garotos Podres há não sei quantos anos. Poder ver meu time jogar contra o Bahia num estádio praticamente vazio, sem a tão temida "Bamor" que se dizia que ia armar uma emboscada aos São paulinos em represália ao ocorrido em São Paulo ano passado (dizem que houve uma briga e a "Bagay" saiu perdendo). Aprendi que nem toda a cagada de pombo cai em sua cabeça quando você tem azar.
Sem beber é bem mais fácil ter dinheiro e eu seria capaz de sair só com a grana do ingresso e do busu, pois estava sentindo que meu corpo a qualquer momento iria pedir cama, aquela cama de hospital que os enfermos tanto temem. Sentia meu corpo fraco, mas não o bastante para não sair de casa pra ver o tricolor.
Temia apenas não achar ingresso, mas ao ver as bilheterias funcionando e vazias pensei que finalmente podia parar de me preocupar. Comprei o ingresso e coloquei no bolso, junto com a carteira, porém fora dela. Quando voltei pro carro Vinícius me pediu uma grana e eu tive que meter a mão no bolso derrubando sem ver o ingresso no chão. Não fosse um guri abençoado que estava sentado no meio fio ao meu lado, ao lado do carro que me esperava meu ingresso estaria perdido e agora estaria escrevendo impropérios contra o mundo e seus demônios. Até pensei que era onda do pivete, mas não era não, O agradeci grandemente e Vini ainda lhe deu 2 contos pela honestidade e caímos fora, mas pra mim nem era sorte o bastante ainda.
Na volta para o estádio, na hora de passar na catraca, antes de passar pela revista, resolvo tirar a câmera do bolso para que os caras não ma fizessem tirá-la em sua presença e acabassem encontrando o beck que tava no mesmo bolso, mas o que é que eu faço? Derrubo  finório quase no pé da PeFem e sem muito tempo pra raciocinar, no mesmo movimento me abaixo, cato o menino e o guardo novamente no bolso para a hora da verdade. Eles me revistaram e não viram ou não se importaram e eu entrei em minha nova casa inteiro, ileso.
O jogo foi lindo! Encontrei meu irmão Romário Correeeeeeeeente, encontrei a SampaSSA, encontrei um monte de amigos, encontrei as amigas São Paulinas ainda mais lindas, Rogério Ceni fez gol a "maldição Bahia" tinha finalmente ido pra a casa do caralho e eu voltei pra casa revigorado numa carona esplêndida.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Encontros e partidas ou Chegadas e despedidas


Imagina que um dia chegou via facebook uma música de seresta que imediatamente me lembrou de uma do Paulo Diniz, que dizia: "antigamente a minha vida era de bar em bar...", e, saudoso, rememorei os tempos de seresta em Periperi de antigamente, antes de toda essa merda de pagode, "forró-bostiário", e "arrocha-love", "arrocha-tecno", "arrocha-inferno", enfim lembrei que finalmente eu estava "fora do bar" há um tempão e podia cantar essa música com alguma excelência. A outra música também era de Paulo Diniz, "Pingo de amor", outra bela em homenagem às mais belas criaturas deste planeta imundo. Canções de amor... às vezes eu me queixo de não ter um amor assim que mereça uma bela canção, mas isso é uma infâmia, pois tenho tantos amores que não daria conta em cantá-las todas.
Eu tenho tantas amigas quantas posso amar, talvez até menos, mudar esse status pode ser transitório, passageiro, ou improvável. Não saio por aí a fim de fazer amigas, nem amores, mas as mulheres estão sempre na minha quântica. Sou feliz por ter os maiores amores entre as minhas amigas e vice-versa. Isso é um ótimo problema. Se toda grande amiga me apresentar uma só amiga legal eu jamais ficarei solteiro, mas não é de casamento que eu tô atrás, nem de falar de minhas particularidades, aliás, é tudo particularidades, nada é particular. (Foda-se com tudo isso!)
Marquei com uma dessas "amores de minha vida" que estava de passagem pela cidade, em férias, pra vermos Gerônimo. É um programa que eu sempre curto, mesmo quando não é aconselhável. Estava com a mente transtornada por não conseguir fazer as pessoas compreenderem que o estado de sofrimento é transitório e que normalmente é de reversão fácil e indolor, mas há casos em que nada é passageiro. Pode ser uma simples questão de ciência, conhecimento de causa, ou exigir uma investigação mais profunda. Estava me sentindo péssimo por não conseguir me fazer compreender e isso ainda me perturba. Nada como uma boa companhia. Stella...
Demos um rolé básico: pôr do sol, sorvetinho, encontramos uma amiga dela, bebemos algumas cervejas para minha abstinência se bulir e lá fomos nós pra escadaria. Conversa vai, conversa vem, mais amigos se chegando e - lá vem os convidados chatos de Gerônimo cantar bobagem no palco! - às vezes é legal, mas costuma ser perigoso, ainda mais quando o "Gegê" já tá naquela maresia, tocando Marina Morena naquela levadinha discarada de seresta... no meio da confusão escuto a canção que me fez lembrar quem eu era novamente... "o meu amor chorou, não sei porque razão..." Começou o convidado como que me mandando um sinal de que nem todo inferno é tão ruim. Bafei Stellinha pela cintura e ensaiamos uns passos da mais alta serestabilidade. Era apenas em nossa homenagem que tal canto se iniciara. (Claro!) Pelo menos nisso eu cria enquanto a felicidade daquele momento se eternizava e enchia de fumaça.
É sempre triste quando alguém vai embora, mesmo que saibamos que vamos nos ver novamente, sempre torcemos por mais um tempinho juntos. A gente se despediu ali mesmo na escada e embora eu não vá jamais admitir, poderia ter até chorado, pois o clima de seresta e arrocha acabou dominando até que alguém teve o bom senso de chamar a Elis Regina. E ela se foi. Stella, Stellinha...
Continuei por lá curtindo o que podia. Na volta pra casa, a lembrança de que fazia tempo que não me jogava pra lá pr'aquelas bandas de busu. (Marieta, a bike,  está desmontada) Nada de elevador Lacerda (não funciona mais de madrugada) e eu já não arriscava ir pra Lapa no fim da noite. Nem quis olhar o relógio pra não desesperar, segui meu caminho meio sem destino.
Nessas horas não podia aparecer uma carona?
Cadê o celular?
Porra de celular!

Porra de carona!

Fui caminhando como há quase 20 anos, observando os travecos, os sacizeiros, a noite propriamente dita e tudo ainda parece igual. "Mas que horas são?" "23:55" "mas qual era o horário daquele busu mesmo?" ia pensando enquanto descia as escadas da estação e dei de cara o "meu ônibus" se dirigindo ao terminal de embarque e lá fui eu sem saber se isso era sorte ou se era algum outro sinal enviado para mim ainda não decodificado. O fato foi que em menos de 20 minutos já estava novamente caminhando solitário sobre o solo sagrado de Pericity sem saber mais qual era a minha queixa contra o resto do mundo.
Às vezes eu quero desaparecer, verdade, mas eu não saberia como viver sem o contato dessas pessoas que eu amo e que me amam e que sentimos que somos importantes uns aos outros. Acho que não sou o único a sentir isso, talvez não seja o único a admitir que já não suporta essa vida, mas não sabe viver de outra maneira. Todo meu conhecimento se resumiu à consciência de que coisas boas acontecem a todo o momento. Não há motivos para pânico.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Um cão

Sou como um cão
Sim
Nas ruas vago como um cão
Alheio ao passeio
Despreocupado com o vai e vem
Guiado pelo cheiro
Norteado pelo vasto horizonte
Daqui sem medo de quem vem
lá, Zeloso de quem vem cá
Esse mundo vai até onde posso ver
Sou silencioso,
mas não passo despercebido
Outros cães há
À minha espreita
Os cães, espiritualmente, ladram

Sou como um cão
Sim
Nas ruas ladro como um cão
Despreocupado com a paz alheia
Guiado pela liberdade
E totalmente desorientado
Encontrado perdido
Medroso de quem vem longe
Raivoso de quem chega perto
Faço barulho
Mas não perturbo ninguém
Outros cães há
à minha escuta
Os cães, espiritualmente, vagam

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Blogger life 21

Tudo começou como um engano. Eu não estava certo sobre nada e não tinha nenhum motivo para me preocupar com isso, mas o que eu percebi no fim foi que tudo sempre tem a ver com a gente, não há como se esconder disso. 
Três amigos numa estrada deserta, um helicóptero da tv sensacionalista e uma vizinhança hostil não faz ninguém ficar tranquilo. Nessas horas a gente reza para todos os santos da Bahia. Felizmente nossos anjos da guarda raramente tem saído para passear, pois não está fácil. Salve Jah!
Encontros e despedidas é o que eu tenho vivido ultimamente. Ou seria chegadas e partidas? Tem dias que parece que todos estão te abando nando, noutros dias parece que reencontramos todos os nossos antigos camaradas de tempos memoráveis e ainda temos tempo e disposição para mais e mais. Isso é bom. Às vezes não sobra tempo pra mais nada, às vezes nem é suficiente. Ficamos presos no jogo do tempo, que nunca nos deixa ir à frente.
Gripe. Acontece toda vez que eu discuto aborrecidamente. Dessa vez eu tinha razão e não há o que eu possa fazer quanto a isso. Só tomando uns "aio" pra curar, um chazinho de limão e eucalipto e cama. Bem que um carinho não ia ser mal não, mas a última que veio aqui com essa promessa me deixou ainda mais doente (acho que queria me matar). 

Mulheres, 
loucas e encantadoras mulheres
sádicas e veneradas mulheres
desejadas e menosprezadas mulheres
incompreendidas
Incompreensíveis
Louvadas sejam!

Acabo de abrir minha caixa de textos e descobri uma montanha de poemas e textos de toda a sorte e de todos os tempos, tempos em que eu ainda não me via fazendo outra coisa que não escrever, tempos em que a poesia era tão natural que era preciso ter cuidado para não acabar chamando demais a atenção. Minha timidez só aumentou com o passar do tempo, mas a cachaça e o rock trataram de corrigir, ou pelo menos, aliviar a minha barra por muitos anos. Agora eu sou quase um ex-baixista. Meus planos de virar escritor não existem mais porque eu acredito ter me tornado um, não nos moldes que se conhece, mas uma espécie. Ainda estudo e aprendo diariamente, mas confesso que não há nada no mundo que eu deseje mais do que compreender a mim mesmo; saber porque eu faço as coisas que faço e porque escolho os caminhos que escolho, porque as pessoas não me enxergam e passam com suas lições de moral por cima de mim sem perceber que minha representatividade de conjunto vazio é uma caixa de ressonância? 
Pelo menos o poeta está salvo.
Aos malucos, Deus protege!

pessoas estranhas

são  pessoas estranhas
que não se falam
não dividem um doce
nenhuma bala
pessoas estranhas
que não se falam

sábado, 21 de julho de 2012

Blogger life 20

Tem dias que eu não tenho um segundo de descanso, mas nem sempre consigo me dar conta de meu cansaço e levar meu corpo a um repouso ainda que ligeiro. O dia nunca acaba se tem algum lugar pra ir. Quando o azar é perder a hora do sono sempre há uma coleira esperando um inquieto companheiro, e lá vamos nós, notívagos. A noite nos conhece porque é ela a nossa sombra, nossa espreita. O descanso da noite só aparece na falta de um lugar bacana pra se ir, nem tanto a falta de companhia para se descansar e aquecer, é muito mais a ausência total de opções.
Mas tem coisa pior que a falta de descanso: a falta de senso é uma delas. Já é difícil demais se manter coerente quando se está realmente cansado, é preciso estar atento aos próprios vacilos e aos vacilos dos outros vacilões que nos cercam. É uma luta, mas deve ser vencida. Não é como entender as mulheres, que apesar de meu incansável esforço eu não consigo. Muitos podem não achar nada demais isso, mas eu sou um sonhador, acredito que não existe do meu quilate, mas elas insistem em procurar príncipes e acabam com um que lhes dê um conforto por pouco mais que um falso orgasmo. Crianças tolas! Acabam sem nada e caras legais como eu se acabam com as malvadas, na cachaça. Mas eu luto. Devemos lutar sempre. Deixa pra descansar no inferno que é lugar quente.
Se eu fosse começar a escrever uma biografia sobre mim mesmo acho que eu começaria dizendo que nunca quis falar sobre mim, ou sobre meus atos, mas sou a única experiência que tenho com esse mundo. O que faço, de caso pensado ou não, são meras designações do destino. Não há muito o que se fazer quanto a isso. Se você anda de acordo com o que você acredita é possível até mesmo relaxar e esperar pelo que vier, pois virá e não tardará. Isso não é a bíblia sagrada, não são palavras de poeta louco e ignorante, é uma experiência que se repete desde a expansão das galáxias. É tão simples, tão natural que eu não esquento mais minha cabeça, quando não sou compreendido, ou deixo algo sem uma maior investigação, digo, sem querer me intrometer demais na vida de quem quer que seja, mas à minha volta as pessoas estão preocupadas com a minha opinião e acho que me compreendem bem, mas a insistência, talvez para me testar, talvez por malignidade, ainda existe a mínima possibilidade de que seja simples estupidez, não pela estupidez bruta, crua, uma espécie de “inexperinência lobotômica” seja lá como alguém vá entender o que isso quer dizer. Eu posso encarar muitas situações com diversos pontos de vista, muita gente sabe disso, muita gente simplesmente despreza a existência disso, pois só consegue pensar em si mesmo, enquanto outros nunca pensam neles mesmos, eu não consigo parar de pensar nas coisas e isso não precisa ser um tormento para mim. É um universo fabuloso de possibilidades, mas tem horas que o corpo, a mente, a energia, se vai. Não sei quanto tempo minha mente cercada de drogas e preconceitos pode resistir.
Depois de ouvir a “orquestra glauberiana” eu fiquei com muito mais medo de gravar sozinho. Sou uma puta? Imagina... A banda nova continua sem nome, ainda falta umas peças, uns ritmos, uns acordes, mas vai sair e vai ser esplêndido. Domingo é dia de ensaio e espero que seja assim até o fim do...e 2012 acabará-se com o mundo? No que depender de mim pode acabar com tudo, mas antes eu faço uma festa. Ainda tem “o clube”... quero ver quando o Honkers ressuscitar o que será, que será de mim? O que sei é que hoje eu falo muito e nada sei, amanhã já chegou e ontem estão nestas linhas mal pensadas.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Desgracio-Cidade


A ci-da-de
Des-trói
o des-gra-çado
Humano
No há nenhuma compaixão
Você vive, mas não há uma biografia
É uma contagem progressiva
Que no fim começa a regredir
Aí passa a vida toda que não viveu
Cada passo errado vem na lata
E a peste da cidade aí
Roubando a vida do infeliz
Sempre pronto pra matar por amor
Morrer pelo dinheiro
Para o regozijo dela
Muitos Morrem 
Sem saber o que Morreu
Como quantos vivem
E não sabem
Saber que o fim é tudo
Já é demais

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Blogger life 19

O inverno chegou e com ele meu medo de o ano acabar e eu não fazer absolutamente nada do que eu planejava. Não sei se eu planejo demais e ajo de menos ou se eu quero fazer mais do que é humanamente possível, o fato é que cá estou no "inverno astral". Eu nem sei mais como fazer para estar nos lugares que eu quero ir e isso é uma coisa razoavelmente simples. Falto a mais compromissos do que seria possível estar presente, mas eu juro que gostaria de estar nos aniversários, nos shows, apresentações e despedidas dos amigos, mas é complicado e vai ficar mais ainda pelo menos até setembro, pois Marieta estará de férias até a primavera. Sim! Nada de bike até setembro. Eu vou morrer? Tomara que não, mas vou ver bem menos gente a menos que venha mais gente me ver. Claro que eu ainda vou sair para encontrar pessoas, mas me entendam se eu não aparecer. Eu sempre entendo quando as pessoas não aparecem.
A bike está desmontada porque eu estou cansado de ter prejuízo com essa cidade alagadiça. Só uns meses a pé pra me fazer ter um pouco mais de ódio pela vida urbana...
... enquanto isso, a briga com o resto do mundo pela Mata do Cobre e Vale do Paraguari vai ocupar mais ainda do meu tempo livre, já que a banda também está de férias, aliás, tenho uma banda nova há alguns meses, mas ainda não é hora de dar as caras.
The Honkers está sem vocalista. Sputter diz que não quer conversa com a gente. Se não lançarmos músicas novas até o fim do ano considerem o fim.
O celular quebrou, arrumei outro: quebrado; arrumei outro: quebrado, minha cunhada linda me arrumou outro que também tem problemas, ou seja...
No São Pedro é que foi onda... 
Estava no desespero de passar o inverno na metrópole (parece viadagem, mas não é), tentando me manter mentalmente sadio e veio o convite pro Capão. Era quarta, íamos quinta... já no caminho alguém se lembrara que esquecera as barracas... eu estava sem barraca porque a minha estava na mão dos outros... sem telefone como é que eu ia pegar minha barraca? Pior não era isso, não. Eu até arrumei um telefone pra tentar me articular melhor pra viagem e pra fazer inveja em gente que tava bem longe da Chapada, mas se eu não tivesse sorte não era tão azarado: O telefone que eu estava descarregou "pra sempre" antes de eu conseguir. O melhor foi que eu pude ir pra guerra de espadas da Urbis (Conjundo Dom Eugênio Sales, "que Deus o tenha!") e encontrei algumas pessoas que me fizeram, acredite, adorar não estar no Capão. Acho que só o sorriso de uma gracinha que esteve aqui em casa já faria toda a chapada florescer, mas é, como dizer... um pouco de exagero.
Agora começou a chover como o inverno manda e aqui estou eu em casa, sem bike, sem mulher, sem grana, sem beber, sem banda... sem banda, não!  Sem um livro, sem um disco, sem uma árvore... Estarei bem ocupado esses dias. Arranjarei tempo pra tudo o que eu não consigo fazer.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Diários de viagem - Mucugê, 27 de abril de 2012



Chegar em Mucugê foi mole, apenas 23km de pedalada e o trecho mais punk, que era a saída de Igatu, era de uma beleza tão inebriante que eu nem percebi a dureza da subida da serra: uma estrada de terra e pedra ladeada por paredões exuberantes, arbustos, árvores imensas, nascentes, um universo magnífico de pássaros de todas as cores e cantos. Nesse "calvário" eu vi a maior concentração de beija-flores em uma mesma árvore que desabrochava suas flores em um lilás tão claro como o próprio dia. Duro foi chegar em Igatu anteontem à noite.
Saímos de Itaeté às 11h da manhã porque quem consertaria a bicicleta de Tetéu, só foi chegar "da roça" às 10h. Na verdade até encontramos uma outra oficina, mas confiamos na dica de Américo (o dono da pousada em que estávamos hospedados e também é secretário do meio-ambiente) e Tetéu preferiu esperar pelo tal do Loy (o bicicleteiro) que apareceu para mim mais como um "pacuí"com seu litrão de pinga.
Américo nos deu várias dicas de passeios para que aproveitássemos melhor a estadia em Itaeté. Infelizmente nosso tempo e grana não eram compatíveis e tínhamos uma meta a cumprir: chegar em Guanambi para o 1º de maio. o que nos impedia de nos demorar demais em qualquer lugar.
Desde a chegada na cidade que perguntamos a um e a outro onde consertar a bike, mas o único lugar que encontramos estava fechado e na casa contígua do dono ninguém nos atendeu. O Américo (também ciclista) então nos falou de Loy, que montara sua bike alguns dias atrás, mas ele já dormia e apenas na manhã seguinte poderia nos salvar. O problema foi que quando Tetéu lá retornou às 7h ele já havia saído pra roça, mas retornaria ainda pela manhã. Enquanto eu esperava, escrevia. Tetéu foi até lá mais uma vez e encontrou o sujeito, comprou o câmbio novo e retornou para arrumar a bagagem.
Depois fomos juntos até a oficina de Loy e aí eu pude conhecê-lo (que ser humano mais fantástico!). Sua simplicidade se confunde com desmazelo, parecido comigo nesse ponto, e sua simpatia, que em Salvador seria confundida com esperteza de hippie, é apenas o cuidado com as pessoas que ele preza e com quem mantém contato. 
Ele tem uma bike de 3m de altura que não sei onde eu estava com a cabeça quando topei dar uma volta. Minhas pernas nem cabiam no espaço entre o banco e o pedal, mas eu fui assim mesmo e não caí (uma queda daquela altura ia ser um estrago enorme). Entre uma dose de abaíra e outra ele consertou a bike e logo depois já estava consertando uma moto com seu bom-humor e seu papo de "bicho-grilo-pós-moderno" formidável. 
O encontro com Loy foi uma espécie de preparação para  que estava por vir. Eram mais 9km de costelas de vaca subindo uma serra que não tinha mais fim. Foi o trecho mais desgastante da viagem até aqui: "a saída de Itaeté até o fim das costeletas de Beth". Sob um sol abominável e subindo por uma estrada de pedra e chão, com a barriga já ameaçando reclamar o meio-dia, sentindo o corpo cada vez mais pesado mesmo sabendo que é leve que ele vai se tornando a cada segundo, até que acabou. As costelas/costeletas/chuletas desgraçadas  de Beth deram lugar a um asfalto quase impecável por um bom trecho e um verdadeiro tapete no restante.  Encontramos um ciclista, Isoldino, do Assentamento Santa Clara. No seu vilarejo também tem uma "Beleza Natural Imperdível" a um preço baixíssimo, mas o nosso "tempo"... 
Chegamos em Rio Una às 13h, no bar de Sidney (proprietário) e Nildenor (graçon figura), que além de salvar nosso almoço ainda nos deram dicas importantes de mais pontos turísticos de "belezas naturais Imperdíveis" que não iríamos ver dessa vez. Sidney falou sobre os perigos da estrada e das carretas que descem sempre cautelosas, mas que de vez em quando não conseguem evitar algum deslize, que com ciclistas, nosso caso, poderia ser fatal.
Depois que saímos de Rio Una, até Igatu, ainda andamos mais uns 20km depois pegamos uma estrada de barro e pedra descendo mais 7 km na escuridão, ouvindo apenas os sons da noite. Foi uma jornada bem difícil, mas teve recompensa. A cada metro abaixo se viam as furtivas luzes da cidade aparecendo e desaparecendo em meio à vegetação e ao relevo e eu sentia todo o meu corpo "se bulindo".
Logo em nossa chegada, uma pizza de boas vindas e de gratidão por estarmos naquele lugar encantado, servida por Nil(zete), um anjo que com toda a sua paciência nos ensinou quase tudo sobre a vila de 350 habitantes quase invisível mesmo a poucos metros: "nada de cartões de crédito ou celular." Eu que já estava sem quase nada, acabei por me quebrar. Até chegarmos ali não planejamos nos reter em nenhum lugar mais que uma noite. 
Porém, contudo, mas, dadas as circunstâncias, nada mais justo que passarmos ao menos uma manhã descansando de verdade e conhecendo um pouco mais daquele lugar  fantasmagoricamente esplêndido.



Passamos a noite na Pousada Xique-xique do nosso já velho amigo, Rafa, ainda encontrei o Marcos (guia de Lençóis) que conheci há um ano na Toca do Macaco (trilha da cachoeira da Fumaça por Baixo). É sempre bom rever amigos, ainda mais conhecidos em lugares tão espetaculares. Depois de um breve papo com essa galera resolvi dar uma volta solitária na noite deserta e sombria de Igatu, reparando no contorno das montanhas em volta, também no céu, no silêncio e na energia imensa e cativante do lugar e voltei pra dormir. 
A manhã de descanso serviu para lavarmos roupa, passear um tiquinho e conhecer mais uma alma de valor inestimável: Pedrinho. Sabe aquele cara que conversa com você sobre todas as coisas com a mesma com desenvoltura, isenção, naturalidade, dirimindo cada dúvida do seu peculiar ponto de vista pormenorizadamente e com um bom humor invejável. Tomamos o café da manhã ouvindo suas histórias e depois, no almoço, a gente teve mais uns minutos de conversa bem animada com ele, Nil e as crianças. Ficamos pouco mais de 12 horas em Igatu, mas o sentimento de tristeza ao deixar aquele lugar parecia o de alguém que estava derixando o próprio lar. Subimos a serra.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Blogger life 18

E aqui estou eu, no 6º, 7º dia do último inverno da terra. Veja você que coisa curiosa: 
Certa vez, uma amiga muito querida partiu sem que pudéssemos nos despedir e ficamos muitos dias sem contato, mas eu sentia em mim uma culpa e alguma angústia tamanhas que não me deixava passar mais que uns poucos minutos até que nela viessem meus pensamentos, era praticamente uma paixão. Ora, é uma bela mulher, diga-se de passagem, mas nada tem de amoroso nosso caso. O curioso foi que justamente quando meu pensamento sentia-se livre, ei-la em minha frente com aquele sorriso mais lindo que jamais vira antes e que mesmo que eu pudesse descrever jamais seria capaz de voltar aquela sensação de 1/4 de segundo de certeza de que o universo conspira ao nosso favor. Céus! Eu estava sem celular, sem saber onde infernos ela andava, sem nenhuma notícia e olha ela aqui, louca, apressada, me tirando da rota, atrasando meus compromissos... putz! Quesaudadefilhadaputa! Como é que podemos não amar as mulheres? E o mundo cheio de imbecis, cafajestes, idiotas, que estão sempre procurando pelas coisas erradas e não dão importância ao que realmente importa, cretinos... como eu.
Hoje eu tenho certeza de que a qüântica funciona, mas o aprendizado tem sido doloroso. Felizmente, apesar de estar na "cidade", tenho me mantido cercado de mais energia boa que ruim e isso me tem feito suportar todo o peso de minhas novas ferramentas cognitivas de linguagem, meus poderes extrassensorias de comunicação e minha hipersensibilidade múltipla. Isso é o que os escritores antigos chamavam de "maçada". "Isso tudo é uma maçada!"
Eu não queria nem falar de futebol, mas se o mundo realmente se acabar em dezembro, e ao que tudo indica vai mesmo, a gambazada ainda vai poder sonhar com um título mundial verdadeiro por mais uma noite. É hoje que começa essa bosta de final de libertadores: A FINAL DE LIBERTADORES MAIS HORRENDA QUE EU JÁ(MAIS) VI. As galinhas vão acabar por dar a Riquelme a braçadeira de capitão da Argentina 2014. Espera só! Ou será que será no colo de Tite que o cargo de técnico da selação vai cair? Rapaz, que desgraça! Boca X Galinhas. Porra! Tive uma grande idéia! Vou chamar uma galera do contra pra assistir lá em Boca de Galinha.
Meu time me decepcionou, me fez perder a fé, mas foi só um pouco da minha fé, pois eu sei que no campo do futebol as leis que nos regem estão subordinadas a outras leis de atuação física mais evidente. Seja como for o time está longe de ser confiável pois não tem uma defesa segura. Troca de técnico nada, bota Rogério pra ir comandando os treinamentos enquanto termina de se recuperar. Recuperando-se, começa a atuar e deixa Milton Cruz fazer o resto. Quando acabar o ano a gente vê quem está disponível e convida. Faz um trabalho planejado. Acabei falando demais de futebol. O fim do mundo.
Oxalá eu consiga colocar as idéias em ordem até o próximo equinócio!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Felicidade pouca primeiro, felicidade muita depois, essa é a lei!

Se é pra ser feliz, por quê não agora? Que papo é esse de planejar um futuro perfeito de eternidade zen enquanto o presente está ruindo a seus pés? A própria condição humana nos empurra para a incondizente  condição contraditória. Somos capazes de nos privar de uma felicidade imediata em prol de uma maior felicidade, incerta, vindoura. A certeza é algo que alimentamos em consonância com a nossa fé mais inabalável. Mas isso não pode ser real. É como um medo de se sentir vulnerável a alguém que pode lhe causar algum mal, mas qualquer um pode lhe causar mal a qualquer hora, não depende de nossa vulnerabilidade, mas a tememos, as mulheres temem, os pobres temem, as pessoas de saúde frágil, os incompreendidos.
Todo mundo quer sentir algo que os satisfaça por ser como é, por estar onde está e por fazer o que faz. Tudo é uma questão de ter uma recompensa. Viagem pura, lógico. Como tudo aqulilo que o homem inventou pra se sentir melhor que o outro. A felicidade não depende de méritos inventados, mas como é que eu vou fazer um monte de gente acreditar nisso?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Blogger life 17

Consertei o pneu da bike logo de manhã pra não ficar me amarrando como nos outros 7 dias que ela ficou aqui, imunda, abandonada, e sem lubrificação desde que eu cheguei de viagem. Pura tolice. Quando eu fui pega-la pra sair, algumas horas depois, o pneu estava baixo novamente. Um sinal... o tempo pros lados de cá anda meio feio, mas uma amiga me disse que pros lados de lá o sol brilha e ela disse que tem 2 sóis. **
De lá do barco eu pude ver o subúrbio sendo tomado por uma neblina surpreendente. De onde estávamos podia se ver Itacaranha/Escada na parte mais baixa tomada por uma nuvem branca, assim como Praia Grande, Coutos e Paripe, todos os lugares com alguma nuvem pairando nos pequenos vales suburbanos, mas era em Pericity que a neblina tinha um aspecto meio estranho. Ainda bem que eu estava no barco, pois ficaria receoso de trafegar na rua sombria, mesmo acompanhado de Conhaque. ele podia sumir nela e voltar zumbi, como em "Cemitério Maldito". Coisas estranhas acontecem aqui desde que eu sou pequeno, um dia eu conto.
Completamente idéia de bêbado esse negócio de ficar escrevendo em série. Parece coisa de pã, sei lá, mil coisas... ficar sem beber não vai me enlouquecer. Tem dias que tudo te lembra a birita, quando falta chá então é aquele negócio. Fico querendo beber o cachorro, e com urticária ao pensar na garrafa de ipióca dentro do guarda-roupa. Abstinência? Só se for ao "chá". Descobri verdades bem piores quando ainda nem sabia o que era me embebedar e depois de um tempo, depois de umas e outras o homem é capaz de encarar qualquer coisa.
Ficou tarde pra sair, mas hoje é terça-feira; Se chover de novo eu tô enrascado; Não tenho câmera reserva; não vou levar a bomba porque é grande demais, ou seja, não faço idéia do que vou fazer. Só sei que eu vou. Depois eu continuo os diários de viagem. A transcrição é lenta, mas é segura. hehehe

Alunos do subúrbio nas ruas


E vamos nós outra vez para as ruas,
agora todos somos professores,
antes
policiais,
outrora
quilombolas.

Não vamos permitir que acabem com a pouca educação que nós temos.
Se é pra faltar com a educação vamos mandar tomar no cú esses filhos da puta nas próximas eleições.

domingo, 13 de maio de 2012

Diários de viagem - Itaete, 26 de abril de 2012

Chegamos a pé. Aproximadamente a 1km de Itaeté o câmbio traseiro da bike de Tetéu prendeu nos raios e deu uma volta na catraca ficando inutilizado. Teremos que trocá-lo para seguirmos ainda hoje para Igatu (e dar uma passada no Poço Encantado).
No trajeto até aqui, paramos em Bandeira de Melo para um banho refrescante na barragem. A estrada (BA245) desde Iaçu até sabe Deus onde está péssima. Batizamos de "Costelas de Beth" em homenagem à primeira esposa do governador do Estado, uma alusão também ao "Cascaralhau de Wagner" que foi o nome dado ao trecho Milagres-Iaçu(BA046) na nossa ida para o Capão em 2010. As Costelas de Beth foram as causadoras do problema com o câmbio e os 100km que andamos nela até agora foram os piores de toda a minha vida.

Fazendo uma retrospectiva desde o primeiro dia de viagem:

Às 5:40 de segunda-feira, 23/04/2012, encontrei o Sr. Emanuel França(Tetéu) em frente a estação de trem de Periperi e começamos nossa viagem enfrentando uma avenida Suburbana impressionantemente caótica já nas primeiras horas da manhã de sexta. Os motoristas nervosos e impacientes tornam o trânsito um verdadeiro saco de merda. Apesar disso, pouco depois das 6h já estávamos no terminal, mas só teria Ferry às 7h.
Depois da travessia paramos poucas vezes: uma para pilhas em Gameleira, um lanche no posto Petro Serra e para encher as garrafas de água, mas depois da ponte do funil o pedal da bike de Tetéu começou a apresentar problemas. Paramos para colocar óleo, apertar com o alicate, pois estava duro e desenroscando da pedivela toda hora.
Ao chegar em Nazaré fomos atrás de uma oficina e paramos na feira onde encontramos uma. O dono da loja nos indicou um lugar para almoçar dos melhores: O restaurante Água Viva da dona Zilda, uma cora simpática de tempero formidável que nos serviu PF's de carne e frango com um descontozinho especial e conquistou nossa amizade e paladar ali mesmo na feira livre. (já pensei na Volta do Recôncavo do ano que vem)
Seguimos para Santo Antônio de Jesus onde iríamos pernoitar, antes mais uma paradinha em Muniz Ferreira para reabastecimento de água e descanso.
Chegamos na Pousada Cosme e Damião por volta das 16:50h. Renato estava no balcão atendendo uns clientes em sua Padaria-restaurante-lanchonete-pousada. Olhando-o à primeira vista se imagina um cara invocado, mas depois que se conversa com ele percebe-se uma simpatia invencível. Depois de bebermos alguns sucos e um café de microondas fomos nos acomodar em nossa suíte. À noite fomos a pé até o banco e na farmácia onde por acaso encontrei um livro pra me acompanhar na viagem já que eu não levara nenhuma literatura: "A cidade e as Serras", livro póstumo de Eça de Queiroz da Editora Avenida, por apenas 3 reais. Apenas comecei a lê-lo antes de dormir e já estava em outro planeta.
O café da manhã era por conta de Renato, mas ele não estava lá quando a gente acordou e tivemos que esperar um pouco até que ele aparecesse. Um funcionário abriu a garagem para a gente pegar as bikes e lá pelas 5:30h o Renato apareceu para abrir a sua padaria-restaurante-lanchonete e nos servir o desjejum. As 6h partimos rumo a Iaçu.
Nossa preocupação era com o almoço visto que quando fomos pro Capão em 2010 o plano de almoçar em Tartaruga foi uma grande roubada já que não encontramos lugar e tivemos que ir até Iaçu apenas com coco e água. Subimos e descemos a serra. Às 8h passamos por São Miguel das Matas onde em 2010 bebemos o fantástico e providencial suco de maracumanga, mas que dessa vez ficaram nos devendo. Bati forte minha cabeça quando fui lavar minhas mãos sujas não sei de quê, mas ainda bem que estava de capacete (já disse que ele não era útil?).
Paramos em Amargosa às 10h e resolvemos partir logo pro almoço. Demos uma olhada em volta, perguntamos a algumas pessoas, mas ainda era muito cedo para servirem comida. Por fim, procuramos a feira, mas ela também estava num ritmo lento de início de semana, por sorte ao lado encontramos um lugar: "O rei da carne do sol" que já estava abrindo e apenas a carne ainda não estava pronta. Tudo bem pra mim que não estava muito carnívoro e me pus a encher o prato de folhas pra em seguida cair no feijão. Tetéu fez o mesmo, mas esperou pela carne de frango assada.
De bucho cheio seguimos viagem. No caminho uma cena desnecessária de um vaqueiro fustigando uma vaca com uma varada no olho e aquilo me causou certa agonia, mas eu não ia discutir com ele ali, não pelo facão em sua cintura, mas pela própria vida que ele se acostumou a levar controlando animais mais pesados que ele à base da força bruta. Lhe disse que aquilo não era necessário em seguida ajudamos a tirar o animal da estrada tangendo-o (sem violência). Paramos em Tartaruga e para nossa surpresa havia um mercadinho aberto e a lanchonete que em 2010 estava sem cozinheiro dessa vez estava em pleno funcionamento. Nos abastecemos de água e chegamos no entroncamento de Milagres às 14h para conferir o asfalto novo em folha do antigo "Cascaralhau de Wagner". Bebemos uma tubaína de sabor laranja e enfrentamos mais 3 horas de sol escaldante pela estrada que não nos oferecia nenhuma sombra, ou ponto de parada. As únicas coisas interessantes foram os animais mortos no lixão logo no início da estrada e os pés de algodão minúsculos que apareceram em certo trecho da orla. (foto que não tirei por falta de cabeça)
Chegamos em Iaçu e fomos direto ao bar “Formidável” do colega dos tempos de ferrovia de Tetéu, Jessinho, mas o sacana mais uma vez, como em 2010, não estava lá. Segundo a garçonete ele estivera até a uma hora atrás mas tinha se mandado para a roça. Tudo bem. Pudemos ver Fernando Torres tirar o poderoso Barça da final da Champions League bebendo um delicioso suco de abacaxi.
Pernoitamos na pousada Asa Branca, do nosso amigo Sinval, devoto de Bom Jesus da Lapa, que prometemos visitar e lhe fazer uma prece quando por lá passássemos (só não seria nessa viagem). Sua ajudante Lene nos mostrou o quarto e nos arranjou um balde para que pudéssemos lavar nossas roupas. Eu quis lhe pedir uma massagem nos ombros, mas achei que seria abusar de sua boa vontade. Também acho que o Sinval não ia gostar muito.
Depois de acomodados fomos à lan house descarregar as fotos da câmera, checar os e-mails e atualizar facebook etc. Voltamos pra pousada e dormimos.
Descansei quase maravilhosamente não fossem os mosquitos enormes que atravessaram meu mosquiteiro e me perturbaram a noite inteira até que a batera de Dieguito e o baixo de Luca (Introdução para seres neuróticos - toque do despertador do celular) tocou me avisando que era hora de levantar.
Dessa vez não esperamos o café. Pegamos a estrada que nada tinha a ver com a que chegou em Iaçu. Até Itaeté não tinha asfalto algum, apenas as “Costelas de Beth”(nome dado em homenagem à 1ª esposa de Waner) e fomos desjejuar lá em João Amaro às 07:07 da manhã assistindo ao sanguinolento e por vezes irresponsável Raimundo Varela, que a uma hora daquelas, quando as pessoas estão iniciando seu dia, mostra apenas as desgraças e mazelas da sociedade doentia como ele próprio. Pelo menos o café estava ótimo e a gracinha que preparou os sanduíches ainda teve paciência de tirar uma foto nossa. Ela atendendo ao meu pedido tão embaraçada, encantadoramente sem jeito merecia também uma foto, mas eu me intimidei.
Seguimos as Costelas de Beth passando por alguns acampamentos do MST, num deles eu quase caí ao tentar acenar para uma criança linda à porta de um barraco. Chegamos em Marcionílio Souza para o almoço às 11:30h no bar e restaurante “Saborear” onde fomos atendidos de maneira vip apesar de nosso poeirento aspecto de viajante. Depois fomos até a sorveteria onde em 2010 tomamos um delicioso sorvete de “beijinho” servido pela adorável Marlene (xará da sra. Tetéu) que acabou virando, naquela ocasião, a brincadeira da viagem e nessa volta, no calor da estrada, eu só pensava nisso, no “beijinho de marlene”, mas estava fechado.
Seguimos viagem e logo na saída de Marcionílio Souza um carro da polícia veio nos interpelar procurando duas bizzes pretas, que logicamente não tínhamos visto. Tetéu tinha certeza que era papo furado e os caras estavam atrás de alguma outra onda que graças a Deus deixaram pra lá ao nos verem concentrados na estrada e em chegar no nosso destino. Em Queimadinha pegamos mais água e às 15h chegamos em Bandeira de melo para um revigorante banho de represa em um refri com pão donzelo.
Continuamos a viagem e na minha tentativa de escapar das costelas de Beth e da trepidação associada meu pneu acabou furando em um espinho na trilha na lateral à estrada. Paramos para trocar a câmera e de longe pudemos ver 4 ciclistas se aproximarem. Por estarmos no meio do nada me bateu uma certa nóia, mas logo eles passaram por nós e pudemos ver que eram apenas moradores locais retornando do trabalho. Passaram por nós e sumiram na poeira.
Pouco tempo depois uma moto encostou do meu lado e um cara me perguntou se iríamos passar a noite em Itaeté e se já tínhamos onde dormir. Seu nome ra Marcelo, o dono de uma pousada (Bahia) nos oferecendo uma dormida por 25 reais para os dois. "Nada mal!", pensei, mas a 1 km de chegarmos o câmbio da bike de tetéu quebrou e chegamos andando, cansados, tarde demais pra procurarmos qualquer coisa e paramos na primeira pousada que apareceu “Pousada Poço Encantado” onde Tetéu tinha pernoitado em outras viagens.

Blogger life 16

Maio, mês de festa, a última chance de ver o sol lascando a pele dourada do verão, sentir a sua despedida, de sua energia, vô-lo ir irradiar outros mares. Mês que vem tem a celebração das chuvas, das colheitas que não serão boas esse ano, do controle do tempo, mas o sol sempre há de brilhar em algum canto, mas aqui em casa é mês de comemorações de aniversários, aliás o único dos filhos que não faz aniversário este mês sou eu. Felipe comemorou esse ano o que não havia há vários, pois já tem 3 dias de cerveja que não acaba, só por que eu estou fora de campo. Ah! Mundo! Parabéns, meu irmão! Que a felicidade reine e que a cerveja não se acabe!

Ainda não me sinto refeito de viagem. Dessa vez eu não me sinto mais leve, embora tenha emagrecido mais que nunca. Tenho tido mais cuidado como que como, tenho cozinhado mais e tenho passado mais tempo em jejum. Meu corpo (fraco) não pode mais se contaminar pela boca. [Corpo são]. 
Em minha cabeça há um pensamento reincidente: "sair de Periperi". Isso tem me consumido como um incêndio em beira de estrada, uma hora dessas o fogo vai estar do outro lado da pista e se tornará incontrolável, mas sigo controlando. Ocupo minha mente em outras coisas e me sinto num momento de rara inspiração, mas não consigo transformar isso em soluções para minha vida. [Mente insana].

Penso em construir um novo mundo ao meu redor, mas isso não tem como ir adiante sem a participação das pessoas que ao longo dos anos  se tornaram parte dessa experiência. Muita gente ainda não compreende em que mundo nós estamos e vivem como se a única coisa importante fosse o dinheiro e o conforto a ele agregado. Eu não posso explicar a cada um como se pode viver sem as coisas que não são fundamentais. Talvez tenha me acostumado com o básico, o minimo e o essencial, pois meu corpo não sente a necessidade do luxo e sim da do movimento e do descanso, assim também a mente não precisa do sentimento fingido e sim da verdade e do pensamento (exercício mental). Força e habilidade. Ler e escutar. Amar e sentir o amor. Racionalizar.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Blogger Life 15

Cheguei de viagem essa manhã. Vim de busú porque a grana não dava pra voltar de bike, nem esse era o plano. Só precisávamos chegar no nosso destino e de lá decidir. Chegamos e foi uma vitória. Chegamos bem, ilesos. Uma tour pela chapada sempre ajuda a relaxar um pouco da vida urbana, do caos, da estupidez... uma pena que alguns poucos minutos na cidade nos dar a impressão de que foi tudo sonho ou não passara de perda de tempo.
Pude conhecer alguns lugares que não sei se conseguirei descrever, como Igatu, mas o que valeu mesmo foi poder provar a nós mesmos que somos capazes. O resto é...  putz! Que viagem que foi essa!
Suburbana, ferry, BA001, BA245, BA148, BA046, BA142, BR030, BRR324; Ilha, Nazaré, Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Milagres, Iaçu, Marcionílio Souza, Queimadinha, Bandeira de Melo, Itaeté, Rio Una, Igatu, Mucugê, Capão da Volta, Baraúnas, Jussiape, Rio de Contas, Livramento de Nossa Senhora, Brumado, Ibitira, Guanambi...
É bom viajar e voltar, mas às vezes é melhor ficar viajando até não ter mais volta. Essa foi uma daquelas viagens que sentimos por ter terminado, mas a vida tem que ser assim e devo me...
É tudo o que eu tenho  a dizer no momento.

domingo, 22 de abril de 2012

Blogger life 14


Últimos ajustes para Guanambi.

Amanhã tô partindo deSSA cidade rumo ao XXII Passeio Ciclístico de Guanambi organizado pelo Rotary Clube da cidade e que é o maior encontro de bicicletistas do Brasil, quiçá da América Latina. Tenho muito o que ajeitar, mas se eu aprendi algo em minha vida foi que não se deve ter ansiedade para nada. Ansioso eu tenho insônia, esqueço detalhes importantes, me preocupo com coisas sem importância. Isso não tem nada a ver com ninguém, talvez, mas a tranquilidade é a única coisa que importa.
A vida está completamente às avessas, mas eu tenho me mantido calmo e sossegado em minha busca pela vida menos ordinária, mesmo sabendo que à minha volta pessoas dão por certa a minha chegada na terra da insanidade. É uma droga isso para elas, mas um dia, quem sabe, eu as ensine algo sobre como ser feliz em meio a um monte de merda. Espero que isso não seja necessário e que cada um encontre sua própria felicidade sem mais se preocupar com a desgraça alheia, mas também tô ligado que existe uma grande diferença entre a opinião geral e meu conceito de felicidade.

Esses dias tava rolando um debate no facebook sobre o uso ou não do capacete por ciclistas. Eu nunca vi ninguém cair da bike de cabeça no chão, mas já vi inúmeros caindo com as mãos, cotovelos, joelhos...
E olhe que eu ando de bicicleta há um tempinho... Uma vez eu mesmo caí de cara no asfalto, tava sem capacete e o boné amorteceu o asfalto em minha testa, fiquei com um galo que não tinha mais tamanho, fora isso ralei metade da cara e do resto do corpo. talvez o capacete evitasse a pancada na testa e minha recuperação fosse mais fácil, mas essa é uma daquelas coisas que fica no reino das possibilidades (aquelas coisa do "se": "se eu estivesse de capacete", "se eu não tivesse bebido vodka", "se eu tivesse freado"...), o que eu sei é que depois disso eu caí novamente outras vezes, e já tinha caído muitas vezes antes, e nunca bati minha cabeça onde quer que fosse em nenhuma outra queda. Tênis, luvas, cotoveleiras e joelheiras são itens básicos de segurança para o ciclista, na minha opinião, o capacete é um item secundário (viajo sem capacete). Não tenho mais nada a acrescentar sobre isso.

Futebol e imbecilidades

Em todos os lugares onde tem homens conversando, o assunto Lionel Messi aparece. Parece até uma praga. Messi nunca será maior que Ronaldinho Gaúcho como podem insistir em compará-lo com Neymar? Pelo que eu já vi no futebol acho que o argentino ainda tem muito o que fazer para se tornar grande, mas admito que ele já fez muito para um jogador argentino, fez mais que Maradona fora das copas do mundo e me lembro que em 82 o tal "Craque Argentino Melhor que Pelé" conseguiu ser expulso contra o Brasil. Com 8 anos eu já sabia que ele nunca seria imagina se agora, depois de tudo o que eu vi, eu não tenho condições de falar sobre futebol no meio de um monte de malucos? Se ele sair do Barcelona o time continuará grande favorito a todos os títulos, já ele dependerá da equipe que for jogar ser excelente. Vejo o Cristiano Ronaldo acabando com tudo em Madrid, mas infelizmente é um time contemporâneo ao fantástico time do argentino e nós sabemos como o mundo trata os vices.
Vejo o vitória se vangloriando de ganhar 8 em 10 campeonatos bahianos nas últimas, mas ele nunca chegou a ser um time grande, assim como o vasco da gama. Acho que a mentalidade de sua torcida faz a grandeza de um clube. Torcidas de vândalos não podem ser coisas sérias e quando a torcida aparece mais do que o clube é sempre sinal de coisa ruim, portanto eu nem vou responder ao que um imbecil me falou sobre o São Paulo enfrentar o vitória em uma possível semi-final de copa do Brasil. Do jeito que esse povo tem a mente derrotista é capaz de perderem os jogos em lances polêmicos só pra poderem passar o resto da vida no terreno das possibilidades que eu falei lá no começo. Aliás, "putatimezinhoazarado" esse vitória: nas duas vezes que podia ser campeão nacional enfrentou na final times extraordinários (aquele palmeiras parmalat e esse santos de Neymar), parece até o real Madrid, só que eles nunca tiveram um craque digno de nota (exceto Dida). Chega de falar de futebol.

P.S.: Preciso me concentrar pra não esquecer de levar nada nem levar coisa demais.

Desejem-me sorte, eu lhes desejo tudo de bom!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Tiê Sangue


Esse pássaro da foto provavelmente fora atropelado por algum veículo em alta velocidade, mas nem posso culpar aos motoristas pois as aves dão vôos rasantes pela pista e acidentes como esse são inevitáveis até para uma bike, mas os bichos ainda tem alguma chance de desviar de uma bicicleta, já de um veículo a 140km/h...



Quando eu era pequeno lá em Santo Amaro, minha diversão era ficar tentando pegar um pássaro desse. Minha técnica era bastante simples: eu badogava neles com siriguela. Na minha cabeça imbecil, uma fruta não era dura o bastante para matá-los, mas o que os mantinha vivos mesmo era minha pouca fé em acertar além de serem pássaros deveras ariscos.
Uma vez deu certo e eu acertei um filhote. Por pura sorte(?) o coitado não morreu e caiu tonto no chão. Peguei-o e coloquei numa gaiola e passei a criá-lo.  Ainda o trouxe para Salvador e ele ficou até quase se tornar uma ave adulta. Foi amansando com o tempo e era possível até deixar a gaiola aberta que ele não fugia. Uma vez eu soltei ele na cozinha aqui de casa (com tudo fechado, claro) para ver se ele já sabia voar, mas o sacana só ficava me olhando e abrindo o bico. Eu não sabia se era macho ou fêmea, mas torcia para que fosse macho, pois possui a coloração mais viva (como esse da foto). 
Um, belo dia, num vacilo de não se sabe quem, ele saiu da gaiola e foi parar no chão, sendo trucidado pelo cão daqui de casa que agora eu não me lembro qual na época (acho que era Scott, um pastor belga). Eu não estava em casa quando aconteceu a desgraça, mas ainda pude ver seu corpo todo perfurado sendo devorado pela formigas. Podia jurar que ainda estava vivo quando o vi e deu seu último suspiro, mas pode ter sido apenas minha esperança.
Enterrei-o onde hoje existe um pé de sapoti, coincidentemente em Santo Amaro também tinha um pé onde Sangues-de-boi, Sanhaços, Sabiás e outras aves faziam a festa todas as manhãs.
Não sei como expressar a minha tristeza por tudo isso. Eu era uma criança que atirava em pássaros e além de tudo ainda os queria perto de mim em uma gaiola. Eu nem posso acreditar que hoje sou tão contra isso. Acho que foi depois da morte desse filhote eu passei a mudar minha relação com os passarinhos. Ainda criei alguns, mas soltei a todos no fim, menos um canário belga que não sobreviveria livre e que acabou morrendo na gaiola.

Os pássaros são lindos
Lindos são livres
Livres eles são como deuses
Os pássaros são lindos

sábado, 14 de abril de 2012

Blogger Life 13

Tem um gato preto que vive me esperado na mesma esquina sempre que eu chego de bike tarde da noite. É na esquina da Cesta do Povo aqui de Pericity e parece que basta ele me ver apontando lá da praça que o bichano se acomoda na esquina e vem cruzar meu caminho. Sexta-feira 13 eu não passei por lá.
Semana passada foi muito agitada, além da páscoa, na quarta eu tive que me despedir de uma amiga que eu estava ciceroneando há uma semana, quinta teve o aniversário de minha segunda mãe, Dona Enice Bicalho, o qual imperdoavelmente eu não pude comparecer, porque na sexta tinha 9ª Volta do Recôncavo e eu tinha de providenciar tudo para viajar em 24 horas. Não sei se é desculpa para minha falta ao aniversário, mas o fato é que eu não pude ir, cheguei até a me arrumar, mas não deu e fim.
A semana antes da volta foi completamente louca, descontrolada e sem noção. Minha aversão a veículos motores tá f*dendo o planejamento de qualquer coisa e algumas pessoas estão enlouquecendo com isso, mas não há nada que eu possa fazer. O barulho me irrita, a fumaça me agride e a falta de bom-senso das pessoas dentro dos seus automóveis ou mesmo dentro dos ônibus é algo que eu não faço questão de paricipar. Isso é "antissociedade".

Falando da 9ª Volta do Recôncavo

Acordei às 4h pra pegar Britanny Marieta e cair no mundo, mas quem disse que eu  estava preparado? Queria levar o violão, mas não dava, peguei uma rede emprestada para levar, mas esqueci, tinha a mochila arrumada para passar uma semana fora de casa, mas a desfiz porque achei que tava "viajando" demais. Resultado: não levei nenhum short além do que foi no corpo, nenhuma calça, saco de dormir, lençol... mas cueca eu levei, 3.
Saí de casa quase 5 da manhã, liguei pra Claus que também iria junto com Rafael, achando que estava pra lá de atrasado, mas para minha surpresa a equipe que saiu de Paripe chegou na suburbana ao mesmo tempo que eu. Melhor assim que fomos todos juntos até o Ferry-boat e mais ainda porque evitamos a fila entrando todos pela área de hora-marcada, mas pagando os 15 reais de cada bike para entrar. (Quero deixar aqui meu repúdio contra a cobrança da taxa de bike, pois em nenhum dos Ferrys, mesmo nos mais novos, não há um local adequado para colocar as magrelas.)
Do outro lado tivemos que esperar a Lúcia Saraiva e os Amigos de Bike, que estavam na fila convencional desde às 5h e perderam o ferry que nós pegamos "nas manha". Foi o tempo de fazer umas compras básicas no bompreço e também de comer algo já que eu não tinha tomado café manhã.
A fila era imensa, bem diferente do ano passado em que a chuva fez o povo correr da ilha. Dessa vez a volta foi debaixo do maior sol de verão. Entre esperas e desencontros o que eu posso falar da 9ª Volta do Recôncavo é que quando estamos entre amigos nenhuma dificuldade pode nos parar.
No primeiro dia não tivemos nenhuma ocorrência, nem mesmo um pneu furado. No segundo dia o meu pneu  e o de Lurdinha (amigosdebike) furou, e Rener acabou entrando em Maragogipe por engano tendo que ser resgatado por Luciano (Jurássicos), além de um problema no pedal da bike do próprio Rener que foi resolvido em Cachoeira depois de um chá de espera na oficina e de muita confusão na feira por conta de um ferro de solda para o LED de Isaías. Mas nada abalou a nossa fé.
O banho na Cachoeira do Saco nas proximidades de Santo Amaro foi revigorante e seguimos para o sítio da Tia de Luciano para lembrar o verdadeiro sentido da vida em duas rodas.
No terceiro dia, que deveria ser o mais leve, foi o mais desgastante: 1º por causa do sol escaldante, 2º por causa da bike de Rener que quebrou novamente, 3º porque os apressados estavam loucos para comer a moqueca de Marize em Tubarão e isso gerou um certo desgaste mental, mas quer saber? Foi esplêndido!
Chegamos em Paripe por volta das 16h, exaustos, sedentos, famintos, mas com a alma renovada e pronta pra encarar mais 362 dias no inferno metropolitano até a próxima volta. Só fui voltar pra casa depois das 23h encontrando o meu amigo gato preto na esquina.

Bahia de Feira 2 x 5 São Paulo

Quarta-feira (11) era dia de ver o tricolor em Feira de Santana. Graças a uma desistência de última hora e a uma mão salvadora de uma amiga, na terça eu confirmei minha ida no busú da minha torcida (Sampa SSA). Eu ainda cogitava a possibilidade de ir pedalando até Feira, mas não tinha mais ingresso desde a semana passada. Felizmente tudo deu certo(sempre dá quando se tem fé) e eu fui ver a goleada fabulosa.
Fui de bike até o Extra Paralela, local de onde saiu o busu e deixei Marieta dentro do carro de Paulo. Teria que voltar de lá de bike porque  o jogo acabaria perto de meia-noite e a gente ia chegar de madrugada. Não tinha ninguém pra me dar carona e busu não existe nessa cidade após certo horário, além de minha aversão.
O jogo não poderia ter sido melhor: fabuloso cavou pênalty, fez 2, Lucas fez jogadas lindas apesar de não ter deixado o seu e parecia que estávamos jogando em casa. Foi lindo!
Na volta, 2:30h da manhã, um lanche na Subway do Extra e o pedal de volta pra casa só com Marieta. Pensei que estava vivendo no melhor dos mundo, foi um momento de iluminação e paz que não conseguia compreender. Podia estar preocupado, porque saí de casa às pressas (pra variar) sem câmera reserva, sem kit de colagem, sem bomba de encher pneu e com o celular descarregado. Estava feliz como se estivesse retornando da Final da libertadorres de 2005. Rezei, orei, pedi ao universo pra me proteger nessa vulnerável volta pra casa solitária, mas estava me sentindo no melhor dos mundos: Av. Paralela, Av. Luis Eduardo Magalhães, Av. Suburbana, só pra mim e Marieta.
Cheguei em Pericity advinha quem eu encontrei na esquina da Cesta? Ele, o gato preto. Quase parei pra conversar com ele, mas achei melhor não abusar da sorte.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Blogger life 12

Acontece tanta coisa em uma semana que não dá pra contar tudo em uma postagem, mas eu vou tentar.
Sei que todos os dias nascem e morrem gênios e tolos.
Sei que algumas pessoas são mais importantes que outras.
Sei que um dia todos terão o mesmo fim.
A última semana de março foi uma das piores para a cultura brasileira, devido à morte de dois dos nossos maiores gênios: um gênio humorista, poeta, compositor, dramaturgo: Chico Anysio; o outro desenhista, humorista, poeta e mais além, um gênio literário: Millôr Fernandes. 
Talvez eles tenham sido as figuras mais importantes do nosso jeito brasileiro de ver a comédia da vida. Acho mesmo que muito de nosso sarcasmo foi adquirido depois da entrada deles em nossas vidas cotidianas, seja com os programas humorísticos, ou com as tirinhas de jornais e revistas tão apreciadas quanto esclarecedoras do mundo que nos cerca. Piadas de uma profundidade crítica imensurável (vide o lançamento da Revista Bundas em 18 de junho de 1999), mas que para a  nossa maioria ainda há de fazer sentido daqui algum tempo.
Bento Carneiro, Coalhada, Professor Raimundo Nonato foram meus personagens favoritos do Chico Anysio. Isso era humor brasileiro, acessível e inteligível a todos pela sua simplicidade e quase inocência, mas que jamais perderam o seu cunho crítico. Chico não foi simplesmente genial ele em alguns momentos poderia ser mesmo Deus tamanha era a sua sintonia com o sentimento de todos. Queríamos rir de nós mesmos e não nos envergonhar de nossa "fudição", por isso ligávamos a tv para assistir ao Chico Anysio Show, Chico Total ou a Escolinha do Professor Raimundo. Agora ele fará suas apresentações em outra dimensão e certamente terá muito mais sucesso.
O Millôr estava mais presente em minha vida ultimamente devido ao seu site. Não vivi a época do Pasquim e nunca fui um cara muito de futucar o passado, mas quando ele se juntou com Ziraldo, Jaguar, Luis Fernando Veríssimo, os irmãos Caruso e mais uma pá de gente boa pra lançar a revista "BUNDAS" eu me senti fazendo parte de uma época de vanguarda humorística e quis muito que esses mestres das charges, do desenho, da crítica social e do humor (bem)escrachado, alcançassem com a nova revista (que era semanal e dificílima de se achar em Salvador) a importância histórica do Pasquim, mas acho que isso foi um sonho breve demais, pois acabou não durando muito.
A morte de ambos era esperada a algum tempo, pois estavam avançados na idade e a saúde deles não estava lá essas coisas, mas quando ela chega a gente não sabe o que significa, o que representa e como isso nos afeta, mas ela encerra um capítulo na história de todos.
Essa semana de perdas se encerrou com um show meio que de surpresa do Honkers no Rio Vermelho debaixo de um improvável temporal que trouxe a chuva que não havia caído o mês inteiro para fechar o verão menos rock'n'roll da história da banda. Machuquei o pulso, tomei choque, toquei encharcado, mas quer saber? O show não tinha importância e sim o aniversário de Sputter que foi no mesmo dia. Mas isso é tema para uma outra postagem.

Se chegue

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