terça-feira, 14 de agosto de 2012

Enterrem meu coração na curva do rio Xingu

Há mais de cem anos os Estados Unidos exterminaram toda sua cultura nativa, indígena, em troca, em nome, do progresso que viria junto com a estrada de ferro. Hoje nós sabemos bem o que aconteceu, mesmo depois de o cinema nos dar como bandidos e inimigos os nativos americanos e elevando o moral do homem branco para um patamar de herói, eram assassinos, mas o cinema nos fez amá-los.
Estamos agora em 2012 e vemos o "homem branco", tentar alavancar o progresso na região Amazônica e em nome desse progresso eles pretendem exterminar nossos nativos. Um crime contra a história, contra a consciência, contra todos os valores que as escolas tentam ensinar às crianças. Um crime contra a nossa pátria, nosso povo, nosso país, nossa soberania, nosso planeta.

Eles podem matar nossos peixes como os americanos mataram os búfalos?
Eles podem inundar áreas habitadas por povos que há séculos escolheram como seu lar?
Eles podem afugentar toda a caça, poluir toda a água, derrubar toda árvore em nome do progresso?
Eles podem nos contar montes de mentiras e nós não podemos lhes dizer na cara que são mentirosos?

Eu sei que é muito pouco falar que o crime que estão cometendo com Belo Monte não tem justificativa, não faz sentido e é apenas para que um pequeno grupo seleto enfie alguns milhões de dólares no bolso, mas falar isso poderia soar leviano. Que seja! Eu tenho a história para mostrar porque isso é um crime, porque os políticos envolvidos, entre eles nosso ex-presidente nunca eleito José Sarney, querem tanto acabar com o povo que tem o direito Universal de permanecer em suas terras. Nenhum poder político pode ir de encontro à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela diz entre outras coisas: 

Artigo VI - Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo XVII - 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Os políticos alegam que todo o cidadão está sujeito às leis do país, brasileiros, ou não. Nossa política indianista está violando vários direitos dos índios e não há quem se importe o bastante ao ponto de por eles tomar alguma atitude. Estou envergonhado de ser humano, livre e brasileiro. Nosso país está destruindo tudo o que há de belo e não estamos mais sendo colonizados.
Sand Creek foi um dos maiores massacres que se tem notícia, o mais covarde, mais do que as bombas de Hiroshima e Nagasaki, pois eles garantiram aos índios um local seguro e mandaram dezenas tropas com armas de fogo contra índios armados de arco e flecha e lanças, a maioria mulheres e crianças. 
Talvez essa não seja a intenção dos defensores das Usinas na região amazônica, mas eles vem matando os índios há mais de 40 anos, José Sarney sabe bem disso, ele vem tendo êxito em sua investida, pois desde 1966 até hoje a população indígena só diminuiu e algumas tribos praticamente já deixaram de existir, mas o Xingu é nosso! É de cada brasileiro.
"Enterrem meu coração na curva do rio" é um livro escrito por Dee Brown no qual se conta com detalhes toda a crueldade e covardia com que o nativo norte-americano foi varrido da face da terra. Eu não quero no futuro ler sobre como o Brasil pôs fim a história das únicas pessoas que tem direito de usufruir e cuidar de nossa terra. Talvez seja a hora de fazermos algo mais do que tomar partido.

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