quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Encontros e partidas ou Chegadas e despedidas


Imagina que um dia chegou via facebook uma música de seresta que imediatamente me lembrou de uma do Paulo Diniz, que dizia: "antigamente a minha vida era de bar em bar...", e, saudoso, rememorei os tempos de seresta em Periperi de antigamente, antes de toda essa merda de pagode, "forró-bostiário", e "arrocha-love", "arrocha-tecno", "arrocha-inferno", enfim lembrei que finalmente eu estava "fora do bar" há um tempão e podia cantar essa música com alguma excelência. A outra música também era de Paulo Diniz, "Pingo de amor", outra bela em homenagem às mais belas criaturas deste planeta imundo. Canções de amor... às vezes eu me queixo de não ter um amor assim que mereça uma bela canção, mas isso é uma infâmia, pois tenho tantos amores que não daria conta em cantá-las todas.
Eu tenho tantas amigas quantas posso amar, talvez até menos, mudar esse status pode ser transitório, passageiro, ou improvável. Não saio por aí a fim de fazer amigas, nem amores, mas as mulheres estão sempre na minha quântica. Sou feliz por ter os maiores amores entre as minhas amigas e vice-versa. Isso é um ótimo problema. Se toda grande amiga me apresentar uma só amiga legal eu jamais ficarei solteiro, mas não é de casamento que eu tô atrás, nem de falar de minhas particularidades, aliás, é tudo particularidades, nada é particular. (Foda-se com tudo isso!)
Marquei com uma dessas "amores de minha vida" que estava de passagem pela cidade, em férias, pra vermos Gerônimo. É um programa que eu sempre curto, mesmo quando não é aconselhável. Estava com a mente transtornada por não conseguir fazer as pessoas compreenderem que o estado de sofrimento é transitório e que normalmente é de reversão fácil e indolor, mas há casos em que nada é passageiro. Pode ser uma simples questão de ciência, conhecimento de causa, ou exigir uma investigação mais profunda. Estava me sentindo péssimo por não conseguir me fazer compreender e isso ainda me perturba. Nada como uma boa companhia. Stella...
Demos um rolé básico: pôr do sol, sorvetinho, encontramos uma amiga dela, bebemos algumas cervejas para minha abstinência se bulir e lá fomos nós pra escadaria. Conversa vai, conversa vem, mais amigos se chegando e - lá vem os convidados chatos de Gerônimo cantar bobagem no palco! - às vezes é legal, mas costuma ser perigoso, ainda mais quando o "Gegê" já tá naquela maresia, tocando Marina Morena naquela levadinha discarada de seresta... no meio da confusão escuto a canção que me fez lembrar quem eu era novamente... "o meu amor chorou, não sei porque razão..." Começou o convidado como que me mandando um sinal de que nem todo inferno é tão ruim. Bafei Stellinha pela cintura e ensaiamos uns passos da mais alta serestabilidade. Era apenas em nossa homenagem que tal canto se iniciara. (Claro!) Pelo menos nisso eu cria enquanto a felicidade daquele momento se eternizava e enchia de fumaça.
É sempre triste quando alguém vai embora, mesmo que saibamos que vamos nos ver novamente, sempre torcemos por mais um tempinho juntos. A gente se despediu ali mesmo na escada e embora eu não vá jamais admitir, poderia ter até chorado, pois o clima de seresta e arrocha acabou dominando até que alguém teve o bom senso de chamar a Elis Regina. E ela se foi. Stella, Stellinha...
Continuei por lá curtindo o que podia. Na volta pra casa, a lembrança de que fazia tempo que não me jogava pra lá pr'aquelas bandas de busu. (Marieta, a bike,  está desmontada) Nada de elevador Lacerda (não funciona mais de madrugada) e eu já não arriscava ir pra Lapa no fim da noite. Nem quis olhar o relógio pra não desesperar, segui meu caminho meio sem destino.
Nessas horas não podia aparecer uma carona?
Cadê o celular?
Porra de celular!

Porra de carona!

Fui caminhando como há quase 20 anos, observando os travecos, os sacizeiros, a noite propriamente dita e tudo ainda parece igual. "Mas que horas são?" "23:55" "mas qual era o horário daquele busu mesmo?" ia pensando enquanto descia as escadas da estação e dei de cara o "meu ônibus" se dirigindo ao terminal de embarque e lá fui eu sem saber se isso era sorte ou se era algum outro sinal enviado para mim ainda não decodificado. O fato foi que em menos de 20 minutos já estava novamente caminhando solitário sobre o solo sagrado de Pericity sem saber mais qual era a minha queixa contra o resto do mundo.
Às vezes eu quero desaparecer, verdade, mas eu não saberia como viver sem o contato dessas pessoas que eu amo e que me amam e que sentimos que somos importantes uns aos outros. Acho que não sou o único a sentir isso, talvez não seja o único a admitir que já não suporta essa vida, mas não sabe viver de outra maneira. Todo meu conhecimento se resumiu à consciência de que coisas boas acontecem a todo o momento. Não há motivos para pânico.

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