A arma terrorista mais usada nos últimos anos tem sido o carro. Mas não tô falando aqui de Barcelona, Paris, Europa, falo de Salvador, São Paulo, Curitiba... as pessoas usam o automóvel como arma de coação, agressão e assassinato bem aqui em frente aos nossos focinhos e temos a cara de pau de nos preocupar apenas com os "atentados" lá de longe.
Um dia escreve-se bêbado Um dia corrige-se bêbado Um dia nem se corrige Um dia nem se escreve Um dia nem se bebe.
terça-feira, 22 de maio de 2018
A derrota é um péssimo início
Ainda que eu pudesse recomeçar minha vida desde meus primeiros erros, os cometeria cada vez com mais inocência, estupidez ou coisa que o valha
terça-feira, 13 de março de 2018
às vezes é só difícil
Ao sair para a padaria se deparou bem na porta de casa com uma pessoa tão linda que não lhe deu nem a curiosidade de reparar se faria sol ou se estava nublado. Ela lhe deu um: - Bom dia, amigo! - com um sorriso matinal tão naturalmente encantador que até parecia o próprio sol lhe convidando para uma praia, que nenhum dos dois ia poder degustar naquele dia.
Ao acompanhá-la alguns metros, desviando um pouco do seu caminho do pão, conversaram por curtos sublimes minutos. Ouviu algumas palavras... apenas mágica. Então se despediu e percebeu o quanto este dia estava perfeito: sem as imagens das guerras pelo mundo, sem os cotidianos crimes locais incomodamente rotineiros estampados, sem o incentivo ao ódio ao próximo... eram apenas os encantamentos das palavras e de um sorriso maravilhoso encantando uma manhã qualquer de um ser qualquer.quarta-feira, 7 de março de 2018
Carma
Sou um cara da poesia.
Se for de dar trabalho, heresia;
Se for de dar descanso, maresia;
Se for dar ardência é avaria;
Se for de dar dormência, anestesia;
Se for na indecência é ousadia.
Se fosse conveniência, nem faria.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Vou dizer o que?
E vêm me perguntar
- o que andas fazendo?
aí eu digo:
- o de sempre.
Mas se nunca viram o que eu fiz e faço
ou quando viram não reconheceram,
o que mais eu posso dizer?
Quando falo algo
escutam apenas a zoação de alguém chapado
que não merece ser levado a sério.
Quando escrevo algo é ainda pior,
porque ali está um bêbado, chapado e louco
falando um monte de insanidades.
Mas o que mais eu posso dizer?
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Obrigado por tudo, Magic Assmar!
Infelizmente Salvador deu uma big desafinada hoje. Nosso mestre, herói, comparsa, amigo foi fazer seus solos de blues lá no outro plano. Que ele bote pra lenhar com a alma dos capetas seja onde estiver!
Lembro ainda (e como é difícil ter memória) do primeiro dia que o vi tocando num festival num mini-shopping, num dia de semana chuvoso e entediado. Lembro que foi péssimo pra chegar lá e a volta pra casa foi ainda mais assustadora, mas cada segundo que eu passei escutando a sua guitarra valeria à pena sair e voltar mil vezes e passar por quaisquer perrengues. Com o meu espírito de verme rockeiro da suburbana, minha alma se tornou ainda mais bluesística graças à guitarra de seu Álvaro que me ajudou a sentir a importância de ter um feeling ao se tocar um instrumento, pois transmitir as batidas do seu coração ao coração mais próximo através da música acho que chega a ser mais que um dom que ele conseguia nos envolver como um mágico.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
O pé no plim....
Acho que jamais tive tanto medo
de "EU" não ser o mesmo quanto agora,
mas se me conhece,
me conhece mesmo,
pode até ficar frio!
Porque, daqui por diante,
é só arte, amor e amizade.
Todo mundo entra!
Todo jornal
Todo garçom
Todo melhor amigo
Todo mundo erra!
Acho que nossas opiniões vão mudando
Nossos corações vão se vacinando...
Nossos cérebros vão se expandindo...
Acho que jamais tive tanto medo de "EU" não ser o mesmo,
mas, se me conhece mesmo...
o que posso dizer?
Paz!
Amor!
Saúde!
Saúde!
domingo, 29 de outubro de 2017
domingo, 22 de outubro de 2017
Sem amor futuro
De agora ao passado eu não sou o mais amado
De agora em diante eu não sou mais o amante
Agora é só qualquer diversão
Aproveite você querendo ou não
De agora em diante eu não sou mais o amante
Agora é só qualquer diversão
Aproveite você querendo ou não
domingo, 1 de outubro de 2017
Vida de cachaceiro
É foda! Hoje é 23 de janeiro, e só
nos dias 10 e 19 eu não bebi esse ano. Sem contar o mês de
dezembro, no qual eu devo ter bebido todos os dias, já faz um tempão
que eu não permaneço sóbrio dois dias seguidos. Pelo menos ainda
estou com o celular que meu “primo” Alex me emprestou. Mesmo
assim é melhor que eu comece a guardar os números num papel. Melhor mesmo é que eu comece a tomar vergonha.
Tive ressacas homéricas por vários dias seguidos. Hematomas? Nem sei mais onde não me doeu, acho que só no cu, mesmo assim tive diarréias desagradáveis, causadas pelo lixo ingerido durante a night que me causaram uma certa “ardida".
Tive ressacas homéricas por vários dias seguidos. Hematomas? Nem sei mais onde não me doeu, acho que só no cu, mesmo assim tive diarréias desagradáveis, causadas pelo lixo ingerido durante a night que me causaram uma certa “ardida".
Acordei inúmeras vezes em minha
cama sem ter a menor noção de como cheguei até lá. Acordei no
chão algumas vezes, outras no banheiro, outras ainda no bar.Fiz
incríveis merdas, mas nada daqueles vexames de dizer que ama ninguém,
nem de querer bater, nem matar, nem chorar. Ainda bem!
O vômito? Sei lá, acho que depois de vomitar por dias seguidos você se acostuma. Eu às vezes sinto até falta. “Barril mermo” é quando você mistura a porra toda, e quase tudo na mesma quantidade exagerada: várias cervejas + vários vinhos + vários conhaques, e mais, e mais. No dia seguinte é aquele sucesso: Dói estômago, cabeça e o subconsciente.
Tem dias que eu tenho a certeza que só faço isso porque quero morrer, mas depois eu mesmo me desminto, pois, eu tenho a certeza de que vou um dia com ou sem cachaça e não preciso forçar. E quem não vai? É melhor seguir vivendo e morrer quando for do que seguir tentando morrer e não viver nunca.
Às vezes penso em parar, mas aí o meu anjo da guarda do mal me diz: “Thilindão, você vai ficar fazendo que porra em casa? Vai ficar aí escrevendo aquelas besteiras de felicidade, amor, amizade?! Vai comer água, sacana! Pelo menos na volta você vai ter mais histórias pra contar.”
- É o que eu vou fazer!
Ruim mesmo é o gosto de sopa de esgoto na boca; é ter que sair correndo desesperado pro banheiro pra não se sujar, sujar a sala e sujar o quarto; é ter que rezar por silêncio e, além de tudo, ter que cumprir todas as suas obrigações profissionais, familiares, amorosas e "catervagem".
Levei os foras clássicos da noite. Fiz bobagens que a gente tem que se desculpar no dia seguinte, ou com o dono do bar, ou com a amiga, ou com a mãe da amiga/amigo, agradecer os amigos que você não lembra, mas lhe carregaram pra casa já morto. Ainda tem que revirar o juízo quando, no dia seguinte, recebe aquele telefonema de alguém que tem nome gravado, mas você nem imagina quem seja, pois não faz a menor idéia do que aconteceu na noite que o nome foi gravado.
Ainda falando em amores acho que um cachaceiro tem mais
é que ficar solteiro mesmo. Por mais que a gente tente ser decente,
responsável, complacente, tem sempre aquelas coisas que não se
consegue resolver: chegar cedo, não ir beber depois do baba, depois
do trabalho, esquecer a data de aniversário do primeiro olhar pra ela(porque você é romântico, ora!) etc. Mesmo que se diga que tava só
comendo água com a moçada rola uma DR ou duas: “Moçada? que moça tinha
lá?; era água dura por quê?” Então é melhor ficar sossegado até
que apareça uma que coma água também, ou que pelo menos não estrague a brincadeira com essa conversa de "relacionamento sério". Todo relacionamento é sério e o meu com a cachaça é muito.
Não se apaixonar todo dia, toda
noite é difícil, mas isso aí já entra uma outra história de uma outra cachaceirice.sábado, 2 de setembro de 2017
Há uma hora errada para tudo...
Da imensidão da alma pequena estou
farto
A pequenez do universo involume
O gigantismo incontingível da
mesquinharia.
Farto só de ser só um
Único só em ser tão comum
O detalhe e uma obra-prima
Reles público,
Fútil utensilar,
Opinatório plausível
Cansativo, talvez demasiado
Comum em nada apreciável
Definitivamente agora temporão.
domingo, 20 de agosto de 2017
E nem vai dizer tchau
Antes da luta
Da vida que vem
Viva
Todo santo dia
A se regozijar
E nem agradece
Nasceu
Depois de querer Tanto acordar Morto Um dia você Não vai nem curtir Você conseguiu Morreu.
Da vida que vem
Viva
Todo santo dia
A se regozijar
E nem agradece
Nasceu
Depois de querer Tanto acordar Morto Um dia você Não vai nem curtir Você conseguiu Morreu.
sábado, 19 de agosto de 2017
Entre tantos elementos...
Tem dias que eu acordo e não faço ideia de quem eu sou, onde estou e o que irei fazer. Aos poucos a mente vai voltando pra cabeça e, mesmo ainda um pouco perdido, eu me encontro.
Quando sou Thiago, estou em casa, de ressaca, acordo com sede e enjoado. Quero só dar um beijo em minha mãe e ficar ali do lado dela só recebendo seu carinho e ouvindo suas histórias, bebendo um café, talvez...
Thilindão quando acorda está com a cara no computador procurando notícia desinteressante sobre o planeta e o bem estar das pessoas, pra que assim, bem informado, possa escrever sobre a vida ordinária e o mundo imundo. Sou um escrevente meio cego. (Invisível)
No meio desse esquema filosófico conflituoso, T612 acorda com alguma poesia e pega o violão pra começar a colocar alguma harmonia na vida. Sou tocante meio surdo. (Mudo)
Me encaixo nesses 3 personagens que quase nunca estão em sintonia, mas eles estão aqui: Thiago vive; Thilindão escreve; T612 toca. Já existe um quarto personagem cujo nome eu ainda nem mesmo saberia pronunciar, mas eu percebo ele aqui, vivo.
Se me encontrar por aí, por favor, não pense que eu estou maluco, mudado ou metido. É que às vezes o corpo físico não consegue estar no mesmo lugar no espaço que o corpo quântico, mas o corpo humano é o mesmo, a pessoa é a mesma, que pode se esquecer onde está, onde esteve, mas não esquece de quem é. Nunca!
Eu*
Sei que não sou tudo que penso de mim;
Sei que não sou tudo o que dizem de mim;
Sei que nem sempre faço o que posso;
Sei que nem sempre posso fazer o que esperam;
Sei que nem tudo o que acredito existe;
Sei que existem coisas nas quais não acredito, portanto…
Se quiser mesmo saber de mim…
Melhor me esquecer,
Melhor pensar que eu não existo,
Pois não sou nada do que você espera,
E nunca serei o que você deseja.
Quer mesmo saber quem eu sou?
Procure em suas qualidades,
Nos defeitos que mais abominam.
Procure nas melhores canções,
Nos venenos,
No frio,
No medo,
Nas flores,
No sol…
Eu sou isso aqui mesmo, duvida?
Procure respostas pra si,
Pra sua existência insignificante
Então encontrará a resposta
Pra essa,
Pra muitas questões.
Sou simples como o mundo que eu vivo.
No entanto, não posso ser visto.
Ninguém me vê.
Os olhares me atravessam.
É como se eu não existisse,
Ou nada significasse.
Quer mesmo me conhecer?
Feche os olhos e sonhe,
Agora!
(*texto do primeiro ano do desgraciosidade.com)
Sei que não sou tudo o que dizem de mim;
Sei que nem sempre faço o que posso;
Sei que nem sempre posso fazer o que esperam;
Sei que nem tudo o que acredito existe;
Sei que existem coisas nas quais não acredito, portanto…
Se quiser mesmo saber de mim…
Melhor me esquecer,
Melhor pensar que eu não existo,
Pois não sou nada do que você espera,
E nunca serei o que você deseja.
Quer mesmo saber quem eu sou?
Procure em suas qualidades,
Nos defeitos que mais abominam.
Procure nas melhores canções,
Nos venenos,
No frio,
No medo,
Nas flores,
No sol…
Eu sou isso aqui mesmo, duvida?
Procure respostas pra si,
Pra sua existência insignificante
Então encontrará a resposta
Pra essa,
Pra muitas questões.
Sou simples como o mundo que eu vivo.
No entanto, não posso ser visto.
Ninguém me vê.
Os olhares me atravessam.
É como se eu não existisse,
Ou nada significasse.
Quer mesmo me conhecer?
Feche os olhos e sonhe,
Agora!
(*texto do primeiro ano do desgraciosidade.com)
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
Impaz
Não quero beber
Nem comer
Nem respirar
Quero sem sede
Quero sem fome
Quero sem ar
Nem ir nem voltar
Nem estar aí
Nem chegar aqui
Quero só sossegar
Se for pra beber
Se for pra comer
Se for pra respirar
Quero ir e voltar
Daqui pra ali
De lá pra cá
Quero desasossegar
Nem comer
Nem respirar
Quero sem sede
Quero sem fome
Quero sem ar
Nem ir nem voltar
Nem estar aí
Nem chegar aqui
Quero só sossegar
Se for pra beber
Se for pra comer
Se for pra respirar
Quero ir e voltar
Daqui pra ali
De lá pra cá
Quero desasossegar
domingo, 6 de agosto de 2017
A gente se fala por aí
Não existe lágrima
de tanta tristeza
Aonde se chorar
Se não afogar sua volta pela terra
tá ligado?
Foi curta, mas foi beleza!
Depois de tanta mágica,
ainda vai se "entristir"?
Só me dizes com quem poetas
Que eu te direi de quem és doido
Vou me lembrar feliz
Mesmo que chorando
Aquele seu samba bonito
Eu posso estar poetamente enganado,
Mas entristecido contigo eu não fico
Obrigado!
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Tossir pode durar uma eternidade
E,
como sempre,
o inevitável fim.
Morreu.
Pensando,
demasiadamente sem graça,
sem torpor, morrendo
Só mais um.
Muito embora,
muito em breve,
um outro nascer
não demorará.
Mas é só...
só o fim que me vem.
Aliás,
sempre esperando,
cada dia por ele
e mais dele eu preciso.
O fim de cada palavra
como sempre,
o inevitável fim.
Morreu.
Pensando,
demasiadamente sem graça,
sem torpor, morrendo
Só mais um.
Muito embora,
muito em breve,
um outro nascer
não demorará.
Mas é só...
só o fim que me vem.
Aliás,
sempre esperando,
cada dia por ele
e mais dele eu preciso.
O fim de cada palavra
em toda solidão,
de todo ócio
em cada vício
que era só um soluço
tropeçando na garganta.
O inevitável nasce
de repente.
de todo ócio
em cada vício
que era só um soluço
tropeçando na garganta.
O inevitável nasce
de repente.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
As vezes e as divisões
Subiremos alto
Desceremos fundo
E acabaremos meio perdidos
Entre idas e vindas seremos muito pouco sabidos
Depois de vindas e voltas viraremos muito safados
Mas não aceitaremos o do fim
E nunca compreenderemos o início
Mas seguiremos
Desceremos fundo
E acabaremos meio perdidos
Entre idas e vindas seremos muito pouco sabidos
Depois de vindas e voltas viraremos muito safados
Mas não aceitaremos o do fim
E nunca compreenderemos o início
Mas seguiremos
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
The end is near
Now we can play the last time
Last time in this place
In this world, in this nigth
Now we can lost the last chance
Can we only say goodbye?
Last time in this place
In this world, in this nigth
Now we can lost the last chance
Can we only say goodbye?
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Started to love
And I started again to love
And there is nothig better to do
Today and forever i'll only say
I love you
I love you
I love you
And I started again to love
I started again to forgive you
And I started to suffer again
Having nothing better to do
Today and forever is only to say
“I love You!” “I love You!” “I love You!”
Do You know something better to pratice?
Anyone who done what was wrong
Can always straighten up
Anyone can always straighten up
Is there anything more cliché in this life?
Since we all have to fuck ourselves,
What if I get fucked alone just once?
Could I fuck myself alone someday?
And there is nothig better to do
Today and forever i'll only say
I love you
I love you
I love you
And I started again to love
I started again to forgive you
And I started to suffer again
Having nothing better to do
Today and forever is only to say
“I love You!” “I love You!” “I love You!”
Do You know something better to pratice?
Anyone who done what was wrong
Can always straighten up
Anyone can always straighten up
Is there anything more cliché in this life?
Since we all have to fuck ourselves,
What if I get fucked alone just once?
Could I fuck myself alone someday?
domingo, 30 de julho de 2017
Intemperável
Sabe de uma coisa, amizade?
às vezes nos apaixonamos por alguém,
mas esse "amor" acaba tão depressa
que parece até que foi mentira.
Mas a amizade pode sobreviver;
às vezes nos apaixonamos todo dia por uma mesma pessoa
que até parece que esse "amor" nunca vai acabar,
mas isso pode até ser como uma amizade de mentira;
às vezes nos descobrimos tão tardiamente apaixonados por alguém
que não acreditamos como isso não ocorreu antes
e duvidamos de nós mesmos,
de tanta "sorte",
mas é apenas a vida...
A vida vai lhe desmascarar de qualquer jeito.
Então, não vá esquentar! Fique frio!
domingo, 23 de julho de 2017
O elogio da loucura
A gente não pode mais confiar nos nossos próprios olhos nem nos próprios punhos, porque se cada vez que se lê algo que se escreveu acaba se achando algo de errado, imagina quantos erros estão aí não lidos? É incrível! Ficamos só na dúvida se paramos de escrever ou de ler.
E tem aquelas pessoas
que não conseguem aquietar a alma,
e ficam infernizando o juízo de outrem,
e fica-se perturbando a si próprio,
numa inquietude infinita
que só...
Pra aliviar meus demônios eu lia livros ou escrevia uma ruma dessas "coisa errada", mas, ou eu tinha demônios demais no passado, ou os meus demônios andam muito aliviados. Ou será que eles estão me dominando e me fazendo agir como um animal diferente do que eu sou?
O que eu sei é que só posso ser eu mesmo do meu jeito, você também, todo mundo aliás. Jamais se pode ser igual ao cara que inventaram de você. A gente só controla os nossos próprios pensamentos e as nossas crenças. Quem você pinta aí nesse universo personal/cerebral é uma caricatura só sua.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Isso é tudo o que eu tenho pra lhe dar
Eu vou dar
Eu vou dar pra ele...
Uma camiseta bordada
Eu mesma que fiz
Tá escrito:
“úC on ramoT áV!”
Por que eu não vou ser “amororsa”
Que nem o Wander Wildner
Que tem uma camiseta escrito “eu te
amo”
Ah!, mas eu vou dar...
Eu vou dar pra ele...
Uma camiseta bordada
Eu mesma que fiz
Porque pra me atingir ele deu fim...
No meu DVD com as
bandas gaúchas
Então só pra sacanear
Eu aprendi bordado
E vou dar pra ele
Uma camiseta bordada
Ah!, mas eu vou dar...
Eu vou dar pra ele...
Uma camiseta bordada
Eu mesma que fiz
Tá escrito:
“úC on ramoT áV!”
Por que eu não vou ser “amororsa”
Que nem o Wander Wildner
Que tem uma camiseta escrito “eu te
amo”
Que tem uma camiseta escrito “eu te
amo”
Que tem uma camiseta escrito “eu te
amo”
Que tem uma camiseta escrito “eu te
amo”
Eu vou dar pra ele
Uma camiseta bordada
Eu mesma que fiz
Tá escrito ao contrário
Pra ele lembrar de mim
Quando se olhar no espelho
Porque eu não sou “Bidê ou Balde”
Nem “Cachorro Grande”, nem
“Ultramen”
Nem “Os Replicantes”, “Os
Cascaveletes”,
Nem “Rosa Tatuada”, nem Tequila
Baby,
Nem “De Falla”, nem “Outubro ou
Nada”
Nem “Engenheiros do Hawaii”, nem
“Pata de Elefante”
Nem “Nenhum de Nós”...
---
Isso é tudo o que eu tenho pra te dar
Meu amor, vou te dar uma
camiseta bordada, eu mesmo que fiz. Tem uma frase escrita ao
contrário, pra se lembrar de mim quando olhar num espelho, porque
eu sei como é mulher: “Espelho pra tudo!” Não pode
ser só feminino ou aviadado tem que ser ao mesmo tempo.
Pra você o rock
tem que ser coisa de “homi bruto” aí, só pra me sacanear, você fudeu meu DVD Acústico Bandas Gaúchas. Então, eu que não sou
amoroso, nem Wander Wildner, nem ninguém, nem nada, só pra dar uma
volta com vontade preferi costurar e fazer crochê, pra mostrar pra você que eu tenho consideração.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Mini-volta da Recôncavo (Pedal Junino)
Apesar de não parecer,
Candeias é uma uma cidade imensa, mas passamos por dentro dela como
relâmpagos. Houve uma pausa só pr'um cafezinho e seguimos pra São
Francisco do Conde. Logo na entrada o bagageiro se desprendeu
novamente e lá se ia minha bagagem pendurada para trás por umas
centenas de metros me fazendo parar. Nesse pequeno
entreveiro não percebi que minha sandália havia caído e lá por atrás ela ficou.
Rodamos toda a formidabilidade asfáltica da terra do petróleo,
descansamos um pouco e ganhamos a estrada rumo a minha esplêndida
cidade, Santo Amaro da Purificação, já num meio de tarde. Almoçamos
por ali mesmo rapidamente e ainda tentamos seguir até Cachoeira pra
passarmos a noite, mas seria deveras exaustivo,
chegaríamos muito tarde e não curtiríamos nada na cidade. Então
decidimos pernoitar por ali mesmo.
Fomos direto ao nosso Hotel já
coligado, tentarmos e não conseguirmos nem um desconto,
mas fomos muito bem tratados e depois acomodados e limpos tínhamos que pelo menos dar
uma volta pela sempre linda praça da Purificação, que naquele
início de noite estava repleta adolescentes, em especial um
grupo que fazia um duelo de rap muito bacana que eu acabei parando
para observar por alguns minutos. Voltamos todos para o hotel.
Saí novamente, sozinho, pra ver o que é que ia rolar em frente a Igreja
do Amparo, porque havia um chão montado de palco. Tomei uma cerveja e
uma dose de pinga no velho bar de Tote Lima, dei uma volta em minha
antiga rua que tinha buxáceas no meio desenhadas em forma de casas, aves e
outras coisas, passei pela casa dos Veloso, a padaria que tinha as
gracinhas no passado cujos nomes não lembro, até a minha antiga
casa e voltei, peguei mais uma pinga e fiquei "de quebrada". Quando vi
o samba rolar peguei mais outra garrafinha e voltei para o hotel.
Acabou que eu dormi na privada deixando a long nec praticamente cheia
em cima da descarga.
- Acorda, pretofiladaputa!
Era Tota batendo à porta no meio da madrugada pra me acordar me e fazer ir pra cama. (-Toma vergonha, Thilindão!!!)
- Acorda, pretofiladaputa!
Era Tota batendo à porta no meio da madrugada pra me acordar me e fazer ir pra cama. (-Toma vergonha, Thilindão!!!)
De manhã tomamos o
café no hotel o mais cedo que pudemos, saímos em direção a
Cachoeira cruzando serras num ritmo tão leve quanto o ar. Não fomos
em nenhuma das cachoeiras da região, mas paramos (Tota parou) pra
uma refrescada numa bica e em seguida sentamos o pé, Só paramos pra um suco "na
quebrada" pra Belém da Cachoeira, de Conceição de Feira... Pausa essa que resultou numa foto apaixonada entre dois moikanos (Eu
e uma pinga Moicana que se encantou com meu moikano black). No fim
das contas acho que ninguém pagou pela cachaça que eu só fui
lembrar já longe na estrada.
Nada de muito
interessante em todo esse trecho até Feira de santana a não ser o
tom da pele negra em Belém. Que coisa mais linda! Me apaixonei
por uma meia-dúzia ou duas das meninas só na passagem. Os machos
também tinham a pele bonita, mas esses eu deixava pra os outros.
Subimos direto em direção a São Gonçalo e Feira de Santana.domingo, 9 de julho de 2017
Sai de casa, filho! Depois você se arruma. (Saindo pro pedal junino)
Se a gente não sabe o
que quer da vida não adianta tentar porque não vai ser organizado.
Passei a noite acordado ainda tentando ter a certeza se viajaria ou
não. Não tinha dinheiro, não tinha nenhuma mochila inteira, não
sabia como transportaria minha bagagem, meu violão, notebook… tudo
o que eu tinha a certeza era a de que precisava sair de casa, de
Periperi, de Salvador, do mundo, quiçá?! imediatamente, pois minha
cabeça estava sendo muito perturbada, seguindo intranquila,
insatisfeita, infeliz, sei lá. Queria me encontrar em alguma
montanha e de lá receber a iluminação que me traria de volta à
felicidade plena.
3h da manhã fui começar
a arrumar as coisas e quando já estava tudo preso no bagageiro ele
simplesmente desceu e eu tive que desamarrar tudo e consertar pra
depois amarrar de novo enquanto o telefone tocava de 5 em 5 minutos
com Arlíntone já na casa de Tetéu me enchendo o pneu, não, o saco
pra eu chegar logo em Paripe e a gente se sair, mas estava ficando
difícil falar no telefone e arrumar a bagagem. Pedi para saírem na
frente. Consertei, arrumei e já ia saindo, mas lembrei: “sem uma
sandália?”, peguei ali naporta e prendi no elástico por cima de
toda a bagagem. Saí sozinho pela estrada velha admirando o vale do
Paraguari e avancei pelo CIA sentindo e curtindo o ar da manhã da
Mata do Cobre, penetrando na BR ainda com um início tímido de um
dia nublado.
Uma pequena chuva após o
pedágio, mas foi só um chuvisco pra intimidar, ou animar um
espírito vacilante. Na primeira entrada de Candeias me encontrei com
os outros Jurássicos: Tota (Arlíntone), Tetéu (Emanuel) e
Lourdinha. Invadimos a cidade e lá dentro nos encontramos com o
último componente da turma, PC (Paulo César) completando o grupo
Jurássico Ciclístico para esta viagem. Éramos o “Quinteto
Fantástico” que nada poderia parar ou mesmo desanimar.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
É pra sair mesmo? (Preparativos pro pedal Junino)
O inverno, mercado financeiro, preocupações, falta de perspectiva, o que será mais fudido pra a cabeça de um preto? Não tinha grana, não
tinha mochila, não tinha barraca, mas queria viajar pra a Chapada
pra encontrar meu EU perdido e assim poder tocar minha vida de uma
maneira mais decente e segura, pois, falando como um animal e como
gente, nem estava sendo um animal terrestre muito precavido em nenhum
aspecto, nem estava tendo uma vida pessoal normal. Pensava que minha
vida havia chegado ao tipo de caos que nem mesmo um demônio em busca
de aflição como eu conseguia achar mais graça. “Devendo aqui e
ali?” Deus que me livre! Querendo ajudar acolá, salvar além,
estar perto alá, ser atuante augures, onipresente, mas nunca
conseguindo ser útil a mim mesmo em qualquer tipo de situação. Lá
estava, cheio de advérbios e sem nenhuma alternativa pra me salvar
nessa viagem. Pelo menos consegui entender a minha mãe que me
dizia... é..., acho que não vem ao caso.
Os Jurássicos de Bike
iriam fazer uma pedalada junina bem no auge da minha “egonia” e
conversando com Mestre Tetéu cheguei a conclusão de que se eu
pudesse pedalar 3 dias com eles eu poderia ir para qualquer lugar
depois. Eu ainda não tinha barraca e o pedal não ia para a Chapada,
ia para o centro-norte (Senhor do Bonfim) passando pelo Recôncavo da
Bahia. De algum jeito, depois que chegássemos em Senhor do Bonfim, o
ponto mais norte dessa, viagem teríamos que voltar e era nessa volta
que eu pensava em tomar meu rumo de qualquer jeito. Entre um
desespero outro, um casal de saudosos amigos, depois de meses sem
contato de repente me convidam para uma visita à Ibicoara. Imaginei
que se isso não era um sinal do destino me convocando eu não sei
mais o que poderia ser.
Passei uma semana inteira
me preparando para essa viagem, conversando, pedindo conselhos, e só
quando chegou na madrugada de partir é que eu fui começar a juntar
minhas coisas. Achei uma mochila velha, revesti por dentro com um
plástico e comecei a separar a roupa. Devia estar tão agoniado que
pus 4 cuecas, mas só um short e uma calça, duas camisas, dois
agasalhos, saco de dormir e a pochete que está sempre bem equipada
com os itens de pedal e de viagem que inclui ferramentas, higiene,
utilidades, moedas etc. Nenhuma camiseta e esqueci-me de pegar uma
calça jeans, pois é sempre útil; bomba de ar; talvez um outro par
de sapatos seria bom já que não sabia quanto tempo ia ficar
viajando, mais um par de meias, máquina fotográfica, fósforos...
me esqueci de mais coisas do que devia, mas se fosse fácil não era
tão necessário, certamente.
Gravador (bloco de notas)
Pra não começar do nada
Comece com um gravador
E grave uma declaração de amor
Pr'aquele seu amor
Que te agarra pelo nariz
E pelo cheiro suavemente te deixa feliz
Feliz como um chão
Varrido por um vulcão
Pra não começar do nada
Comece pegando um violão
E toque uma linda canção de amor
Pr'aquele seu amor
Que te agarra pelo ouvido
E pelo barulho ferozmente te deixa perdido
Perdido como um céu
Criado por um menestrel
Comece com um gravador
E grave uma declaração de amor
Pr'aquele seu amor
Que te agarra pelo nariz
E pelo cheiro suavemente te deixa feliz
Feliz como um chão
Varrido por um vulcão
Pra não começar do nada
Comece pegando um violão
E toque uma linda canção de amor
Pr'aquele seu amor
Que te agarra pelo ouvido
E pelo barulho ferozmente te deixa perdido
Perdido como um céu
Criado por um menestrel
domingo, 25 de junho de 2017
Na praia (bloco de notas)
Na manhã
Muita gente na praia
Muitos correm
Nas manha
Na manhã
Na praia muita gente
Nas manha
Só anda
Só de onda
Na praia
Nas manha
Nas manhãs
Da praia
Muita gente na praia
Muitos correm
Nas manha
Na manhã
Na praia muita gente
Nas manha
Só anda
Só de onda
Na praia
Nas manha
Nas manhãs
Da praia
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Agora sim! Até que enfim cheguei em mim!
Bati meu café lá na
pousada de seu “Coisinho” (perdão! Esqueci o seu nome) em
Cascavél e me piquei mais tarde do que eu pretendia pra Ibicoara.
Cheguei eram 10h da manhã. Na verdade eu nem cheguei, pois meus
anfitriões me pegaram ainda na estrada e me levaram de bike e tudo
pra Barra da Estiva para seus assuntos de campo: pás, enxadas,
facões etc. O que eu podia fazer era apenas ajudá-los a carregar o
carro. Quando estava em minha tarefa... Hahaha! Acredita que apareceu
um cara perguntando o número do meu sapato?
- 48 bico largo, man!
- Nossa! Mas um pé desse
com chulé deve feder muito...
- Fede pra caralho! Bom
dia! - E continuei meus afazeres pensando em por quê não apareceu
uma gracinha?
Voltamos pra Ibicoara e
pude conceber a lambança do meu pedal da noite anterior. O telefone
tocara quando eu estava passando pela localidade e era minha anfitriã
quem me ligava, mas como eu saberia? Praticamente não dá pra ver o
posto saindo da cidade, só entrando, e era quase noite, e fica ao
lado de um ginásio que chama muita atenção, e eu estava encantado
do pedal e das estrelas que iam surgindo e fui saindo. Mas voltei e
lá estava. Chegaram ainda mais um casal, umas visitas inesperadas,
enquanto eu dava um banho em marieta e ajeitava o seu bagageiro e
mais alguma coisa e iríamos todos para a roça no dia seguinte,
menos minha Marietinha. Mais tarde, já me sentindo em casa, janta
vegana caprichadamente deliciosa, (ou seria deliciosamente
caprichada?) um chá e saco de dormir.
Quase não dormi, como em
todas as noites em que eu durmo ansioso demais, mas na manhã
seguinte me sentia novo como um broto de couve. Nos levantamos cedo
pra visitar as terras e trabalhar bastante. Queria iniciar algo novo,
proveitoso, produtivo e trabalhar com terra era a melhor coisa que
poderia me acontecer. Fazia tempo que não me sentia tão motivado.
Fomos para as montanhas
conhecer, desbravar terras antigas, habitar terras antigas e se
apaixonar mais uma vez por aquelas montanhas espetaculares. Algumas
são formadas apenas por cristais e em seus pés descansam, ou
tentam, florestas inacreditáveis e lá estava eu com toda a minha
vontade de voltar para o útero de mamãe e nascer ali naquele
paraíso. A estrada ainda estava bastante ruim pois fora reaberta
recentemente e precisava se ajeitar. Esse era (é e será por
semanas) nosso trabalho: carregar pedras, retirar cercas, desviar
águas, coexistir com o planeta que é nosso amigo e precisa de nós.
Nada de medo de onças, cobras ou outros bichos do mato, o único
animal que poderia fazer temer algum mal era o homem e todos os que
ali estavam, machos e fêmeas, estavam com o mesmo objetivo:
construir uma nova civilização amiga e igualitária.
Eu não levei barraca em
minha viagem então na minha primeira noite no mato meu plano era de
dormir numa rede que tomei emprestado. Foi difícil achar um ponto
perto da micro-vila que se formara e eu fui me amigar a umas árvores
um pouco mais acima no barranco próximo a um banco de pedras,
protegido contra o vento e a chuva forte. Limpei o solo ao meus pé e
sem derrubar um arbusto sequer pude montar meu berço aéreo, meu
ninho.
Ao cair da noite nos
reunimos em volta da fogueira e fizemos um jantar colaborativo onde
todos deram algo e a única coisa que eu podia dar era a música, que
já estava até ficando em segundo plano, mas meus planos sempre
trocam de lugar. A paz era tão grande que confesso que senti um
pouco de vergonha de tocar violão num lugar tão sagrado, então
toquei baixinho para não acordar os beija-flores e perturbar a
harmonia. Havia menos estrelas que na noite anterior, mas pudemos
desfrutar de uma noite incrível até irmos dormir.
Quase me perco na volta
pro "ninho" e a chuva parecia que queria nos visitar, mas eu não
queria muito saber de ter preocupação. O que quer que rolasse num
lugar daqueles estava tudo em paz, tudo limpo, arrumado e a floresta,
as montanhas e o céu sempre foram, meus melhores amigos e eu sabia
que poderia confiar em todos eles, então, por umas frestas nas copas
das árvores, pude ver as últimas estrelas se escondendo e também
adormeci divinamente chegando a sonhar com minha mãe e ser acordado
com a chuva me saudando e dizendo: “Acorda, Lindão Thi! Hoje você
é nosso!” mas eu não estava mais nem aí. Estava era me sentindo ótimo!
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Mucugê - Cascavel - Ibicoara - Cascavel
Na lanchonete parei
pra comprar um suco tive um breve bate-papo com o dono e
uma moça sobre o pedal e sobre o melhor caminho para Ibicoara. Ela foi bastante
enfática ao falar sobre o caminho por Cascavel que era "muuuuito mais
perto e mais bonito" e que eu deveria seguir por ali, mas eu tinha cá minhas dúvidas. Pelo asfalto eu ando mais rápido, mas pela estrada
de terra eu poderia apreciar paisagens mais incríveis do planeta.
Saí tarde pra um pedal saudável. Fazia um sol formidável e o céu estava claro como gostaria que estivessem as ideias em minha cabeça. Confesso que apesar desse ser o último trecho de minha jornada eu estava me sentindo igual a como saí de Periperi: Completamente sozinho e perdido.
Saí tarde pra um pedal saudável. Fazia um sol formidável e o céu estava claro como gostaria que estivessem as ideias em minha cabeça. Confesso que apesar desse ser o último trecho de minha jornada eu estava me sentindo igual a como saí de Periperi: Completamente sozinho e perdido.
A medida que me afastava
das pedras de Mucugê e descobria as de Ibicoara sentia que todo o
meu corpo ia mudando. Algo que eu não senti em nenhum outro momento
em minha vida, estava perdido, mas me sentia forte, seguro, livre e
feliz. Ia encontrar com amigos queridos que não via a algum tempo:
Mau e Lua, e poderia esquecer um pouco que a metrópole existia.
Procurei um canto sossegado pra tomar meu café da manhã embora toda a estrada fosse sossegada durante alguns quilômetros não havia sombra era só as margens de uma espécie de tomateiros espinhosos e outras plantas baixas umas um pouco mais hostis, outras um pouco mais simpáticas. Ao longe tudo eram fazendas e plantações. Comi meus sanduíches com o suco do “Sr. Deguste”, numa beira de mata confortável. Fiz uma checagem no perímetro e vi que por ali passara algum animal diferente tipo um tatu ou tamanduá, pois deixaram marcas no chão bem estranhas. Observei mais contemplativamente a paisagem e tive um tipo de orgasmo. – As montanhas me pertencem! Eu pertenço às montanhas! Estava indo me reconectar com uma energia que sempre esteve conectada comigo, mas eu não sabia o que estava sentindo. Tomei um susto e meu rumo.
Procurei um canto sossegado pra tomar meu café da manhã embora toda a estrada fosse sossegada durante alguns quilômetros não havia sombra era só as margens de uma espécie de tomateiros espinhosos e outras plantas baixas umas um pouco mais hostis, outras um pouco mais simpáticas. Ao longe tudo eram fazendas e plantações. Comi meus sanduíches com o suco do “Sr. Deguste”, numa beira de mata confortável. Fiz uma checagem no perímetro e vi que por ali passara algum animal diferente tipo um tatu ou tamanduá, pois deixaram marcas no chão bem estranhas. Observei mais contemplativamente a paisagem e tive um tipo de orgasmo. – As montanhas me pertencem! Eu pertenço às montanhas! Estava indo me reconectar com uma energia que sempre esteve conectada comigo, mas eu não sabia o que estava sentindo. Tomei um susto e meu rumo.
Cheguei no posto que fica
na entrada de Cascavel eram 13h. Mais da metade do caminho já havia
sido percorrido agora era só manter o ritmo e chegar suavemente em
Ibicoara e abraçar meus amigos. Como eu não sou um cara de um só
ritmo entrei em Cascavel e mudei a melodia para um toque mais
clássico. Segui a estrada de terra e entreguei meu destino à minha
própria sorte, com ela eu não me perderia e chegaria são e salvo.
O que eu não sabia é que ela tinha planos ainda mais inacreditáveis
para mim.
A primeira
formidabilidade (por onde anda Raquel?) da trilha foi um rio numa
localidade chamada de encantada, queria parar, mas achava melhor
seguir pois com bagagem pedalar por terra não é tão tranquilo. Não me arrependo, mas não aconselho a sair carregando bagagens em vias complicadas. Vi
mais umas duas cachoeiras a uma certa distância até chegar num
lugar inacreditável cujo nome eu não faço ideia, mas era uma queda
de uns 200 metros que escorria fininha por um tubo de uma
mini-represa que fizeram no alto, mas a paisagem não deixou de ser
fantástica. Mas não foi o único lugar que eu parei apenas para
olhar. Segui o barco.
Numa descida muito longa
a uns 50 km/h esqueci completamente o freio da bicicleta e quando
pensei que poderia vir uma curva já era tarde, a curva era fechada
demais e entre me esborrachar no chão ou voar rumo ao desconhecido
optei pela liberdade. Voamos eu e Marieta sobre a vegetação
marginal e naqueles 3 segundos de desespero eu não tive coragem nem
mesmo de fechar os olhos. Ouvi barulho de bicicleta caindo na água e
logo estava eu completamente a salvo e encharcado. A bagagem fez a
bicicleta flutuar e tão rápido quanto caí foi a velocidade com que
tirei Marieta da água e verifiquei tudo. A mancha de óleo na água
era a única coisa que estava fora da ordem. Não me contundi e a
bike não teve praticamente nada a não ser uma pequena peça do
bagageiro que já estava condenada. Não podia olhar o violão, mas que opção eu tinha? Segui o bonde.
Algumas subidas eu não
podia mais fazer pedalando pois a areia na corrente não deixava.
Seguindo a estrada agora mais suavemente, algumas paradas só para
contemplar a formidabilidade da paisagem e o pôr do sol lindíssimo
de cima do morro. Pena eu não ter trazido câmera fotográfica dessa
vez, mas acreditem em mim.
Cheguei em Ibicoara ainda
estava claro. Fui penetrando a cidade e tentando encontrar alguma
indicação de que caminho seguir agora. Perguntei a um jovem como
fazia para chegar em minha localidade e ele me indicou a outra rua,
andando pela outra rua perguntei a uma moça como chegar lá e ela me
disse: “Tome esse caminho aqui direto! Não entre em nada, nem no
posto, e logo um pouquinho depois do posto é essa sua quebrada.” E
lá me fui em direção à saída de Ibicoara enquanto escurecia
depressa demais.
Passei por uma placa que
dava as boas vindas a cidade e fui saindo, nada de posto nada de
localidade e noite entrando. Não estava mais seguro pedalar, era
escuro e eu não tinha nenhuma iluminação além da faixa de
segurança que cruza meu peito e costas. O telefone tocou, mas eu não
conseguia atender, pois era arriscado demais e enquanto ia
anoitecendo eu ia descobrindo a outra formidabilidade perdida: o céu.
A medida que eu me
afastava, escurecia e o céu brilhava e me encantava de uma maneira
que fiquei completamente enfeitiçado, possuído. Não importava a
distância nem o decorrer do tempo. Estava agora empurrando a
bicicleta na beira a estrada fria e aparentemente solitária, mas ia
conversando com as estrelas e elas me entendiam. Algumas não queriam
falar comigo e iam saindo de perto traçando riscos, outras brilhavam
ainda mais esplêndidas e me perguntavam coisas para as quais eu tinha respostas
prontas e seguras e seguimos assim por vários quilômetros noite afora até
que a lua saiu de lá de trás do morro e passou a exigir seu lugar
na conversa. Então montei novamente em Marieta e comecei a pedalar
com segurança novamente. Não sentia frio, não sentia cansaço, não
sentia nada. Talvez uma decepção por não ter encontrado os meus
amigos, mas eu também precisava conversar com meus amigos celestiais
e nessa mistura de encantamento e loucura estava de volta ao posto em
Cascavel. Era meia-noite. Parei numa pousada e perdi o último tostão.
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Salve Mucugê!
Cheguei em Mucugê ainda
era dia. Parei na primeira pousada que encontrei e fui dar uma volta
pela cidade, mas de bicicleta não dava (por causa do chão de pedra)
então andei um pouquinho só e entrei num mercadinho pra comprar um
lanche pra viagem de amanhã. Voltei, tomei meu banho, preparei meu
lanche e saí de novo atrás de uma comida de verdade.
A cidade se enfeitava
para o São João montando as barracas todas em madeira maciça bem
bonitas e firmes (dei uns tapinhas pra conferir), vi os caras ainda
serrando outras toras pra montar as outras barracas. De repente veio
de lá a Filarmônica de Mucugê fazendo o som em direção à igreja
para a missa e o resgate do Santo que retornaria pro seu lugar de
origem depois da trezena. Acompanhei um tanto, mas estava ainda muito
devagar, era praticamente só a banda e uns poucos fiéis, ou foliões
como eu, acompanhando.
Eu procurava um lugar pra
bater o rango, mas só achei restaurantes à quilo com uns quilos
caros da porra: 40, 50 reais. Eu procurava um PF decente de 10
contos, mas parece que a cidade é preparada para turistas os barões.
(Deus me livre!) Como eu não ia desistir de comer logo achei um bom
samaritano que me deu a dica dos quiosques próximos a minha pousada
que eu não tinha observado. Encontrei uma barraca de uma anja
chamada dona Dorinha, simpática mãe de uma filha ainda mais linda
(“de menor”, viu?) que a ajudava no atendimento e serviam PF's de
carne ensopada e de filé de frango. Pedi o frango e enquanto ela
preparava fui ao outro lado da rua ao que parecia ser uma cachaçaria
e era.
Uma senhora já idosa de
nome Inês comandava o estabelecimento mais confortável que eu já
estive, cercada de cachaças, conhaques e outras bebidas menos
importantes. Perguntei se ela tinha erva-doce e ela tinha. Pedi uma
dose, dei o primeiro pau e - Que coisa esplêndida! - fiquei
apaixonado. Posso dizer que foi a melhor cachaça de erva-doce que eu
já bebi em minha vida. Ela me disse que era feita de uma cachaça
aqui da região e a erva também era das melhores: “É daquelas
erva-doce miudinha.” disse ela. Linda! Matei a dose e deixei outra
paga e fui pegar o rango.
Voltei pra barraca pra
pegar meu frango. Também estava espetacular. Na volta pra cachaçaria
dei de cara com um bate papo animado com uns moradores locais, uma
degustação de pitanga preta oferecida por uma moça de nome
Patrícia e - lá vem a filarmônica de volta! - Todos mataram suas
cachaças e saíram acompanhando o cortejo foi quando a Dona Inês
também encerrou seus trabalhos.
Acompanhei a procissão,
que agora era numerosa, até um ponto onde fizeram a última reza e
recolheram o santo. A banda ainda voltou tocando uns forrozinhos até
sua sede e encerrou os trabalhos rapidamente, então voltei pro meu
quarto e tentei escrever alguma coisa, mas a cachaça não deixou.
Nem lembrava o nome das tias salvadoras da noite, depois o computador
ainda travou, então eu dormi.
Já no dia seguinte, um
cachorro latiu não sei de que dimensão me dizendo pra acordar. Abri
os olhos, tudo escuro, um frio da porra, eu sem reloógio resolvi
esperar o sol me chamar, mas ele acabou demorando muito e eu me
levantei e fui cuidar de meus problemas. Antes de deixar a cidade
ganhei de brinde um suco de cajá maravilhoso da delicatessen
deguste, cujo dono acho que lembrava de mim de uma outra visita, mas
minha memória...
terça-feira, 13 de junho de 2017
Itaberaba
Um café da manhã fora
da pousada num lugar chamado “Meu e Seu” atendido por uma
gracinha de nome Carine, que depois de Val(Sr. Do Bomfim) e
Késia(Jacobina) foi um dos sorrisos mais bonitos das últimas
manhãs, perdendo pro de Lourdinha é claro, mas essa daí não
conta. A parada lá era coma a vontade por 5 reais e foi show. Mesmo
porque na noite anterior eu tinha comido um cuzcuz com ovo salgado pa
porra por esse preço e como eu não me arriscaria comer lá de novo
fui dar uma volta pela cidade encontrando esse mini-céu.
Chegar em Itaberaba foi
meio tenso. Havia me separado dos Jurássicos em Jacobina e já na
rodoviária começava a sentir a falta deles, da união do grupo e do
cuidado com as bikes. O bagageiro do ônibus era pequeno e o cobrador
abriu uma porta na qual mal cabia Marieta deitada e me disse que só
tinha ali que era pra eu me virar pra acomodar, então retirei o
violão do bagageiro, peguei o elastic e dei uma dobra e uma volta
dele dobrado num ferro que havia na parte de cima passando no meio do
quadro e prendendo nos ganchos deixando a bike meio inclinada com 3
pontosde apoio: rodas no chão; guidão na parede; quadro no elastic.
O cobrador não ajudou em nada e só voltou pra perguntar se podia
fechar. Como eu estava cansado e puto com ele apenas lhe disse que
podia e subi no ônibus, mas antes de sairmos pedi pra descer e dar
mais uma volta no elastic, mas o motorista ligou o motor e se mandou.
Passei a viagem inteira
atento aos ruídos na mala que estava sob meus pés, mas
aparentemente nada ocorreu até próximo a chegada em Itaberaba
quando um barulho de pancada muito forte no ônibus me acordou e eu
pensei ter sido Marieta. Foram aproximadamente 10 minutos até chegar
a rodoviária nos quais eu me senti completamente fudido. Quando eu
vi Marieta inteirinha exatamente como eu a havia prendido senti um
alívio tão grande que parecia que eu havia dado uma cagada depois
de uma semana de prisão de ventre. Desembarquei, pedi informações
e parti pra pousada que era praticamente em frente a rodoviária.
domingo, 4 de junho de 2017
Debater sobre drogas?
Tudo bem!
...aí, no jornal da TV, arrumam uma série sobre violência em que culpam seu aumento no interior ao tráfico de drogas... os caras podem ter meia tonelada de cocaína entregue de helicóptero no quintal da casa no interior do Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais...
...todo dia morre um no busu, segundo minha amiga hoje morreram dois... de janeiro a maio em Salvador e Região Metropolitana 250 assaltantes de ônibus foram presos, isso segundo um jornal impresso local... acho que eles não traficam no busão... - Ah, mas roubam pra comprar drogas...
...outro dia, passava das 11:30 da noite, na chuva voltei andando pra casa uns 8km, depois do décimo motorista simplesmente não me ver no ponto... com medo de ser morto, no ônibus ou por ele, fiquei eu, por isso procurei andar... era um sinal... foi ótimo... ainda achei uma carona já perto de casa...
...essa a cidade é adorável quando deserta... queria ter vindo de mais longe, mas só a avenida Suburbana já me apaixona... os caras lá no busu com medo e o preto que se foda pra chegar em casa, né? ...por sorte os cachorros ainda falam comigo, uns até me fazem companhia um tempo... pena que eu não tinha um beck, mas aí ia aparecer a segurança pública pra cortar minha onda...
...a reportagem da tv dizia que a polícia também começou a matar mais de uns tempos pra cá ajudando os números da violência a crescerem... mata-se mais por refrigerante, cigarro, café, cachaça, cocaína, crack ou maconha? Já perguntaram isso pros "policiais assassinos"?
Morre-se violentamente muito por causa da droga do preconceito nesse país.
...aí, no jornal da TV, arrumam uma série sobre violência em que culpam seu aumento no interior ao tráfico de drogas... os caras podem ter meia tonelada de cocaína entregue de helicóptero no quintal da casa no interior do Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais...
...todo dia morre um no busu, segundo minha amiga hoje morreram dois... de janeiro a maio em Salvador e Região Metropolitana 250 assaltantes de ônibus foram presos, isso segundo um jornal impresso local... acho que eles não traficam no busão... - Ah, mas roubam pra comprar drogas...
...outro dia, passava das 11:30 da noite, na chuva voltei andando pra casa uns 8km, depois do décimo motorista simplesmente não me ver no ponto... com medo de ser morto, no ônibus ou por ele, fiquei eu, por isso procurei andar... era um sinal... foi ótimo... ainda achei uma carona já perto de casa...
...essa a cidade é adorável quando deserta... queria ter vindo de mais longe, mas só a avenida Suburbana já me apaixona... os caras lá no busu com medo e o preto que se foda pra chegar em casa, né? ...por sorte os cachorros ainda falam comigo, uns até me fazem companhia um tempo... pena que eu não tinha um beck, mas aí ia aparecer a segurança pública pra cortar minha onda...
...a reportagem da tv dizia que a polícia também começou a matar mais de uns tempos pra cá ajudando os números da violência a crescerem... mata-se mais por refrigerante, cigarro, café, cachaça, cocaína, crack ou maconha? Já perguntaram isso pros "policiais assassinos"?
Morre-se violentamente muito por causa da droga do preconceito nesse país.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Mente inquieta
Penso
Penso em mim
Penso em você
Penso em você comigo
Penso em mim com você
Penso em outras
Penso em outras com outros
Penso nos outros
Penso que vão todos pro inferno
Mas penso que o inferno não existe
Penso na realidade
Fantasio
Penso na fantasia
Realizo
Penso...
Penso em mim
Penso em você
Penso em você comigo
Penso em mim com você
Penso em outras
Penso em outras com outros
Penso nos outros
Penso que vão todos pro inferno
Mas penso que o inferno não existe
Penso na realidade
Fantasio
Penso na fantasia
Realizo
Penso...
terça-feira, 30 de maio de 2017
Carregado de bala
Achar que a vontade que você tem de ser quem acha que é, é capaz de se sobrepor a vontade que os outros têm de achar o que quiserem da imagem que você passa pra eles de você, não é loucura? Eu, na minha molesta opinião acho que é. Mas mesmo assim continuo pensando o que eu quero sobre o que quer que seja, inclusive sobre mim mesmo. É um problema meu, nosso, do mundo. Sou muito mais maluco quando estou pensando nos outros, mas o pensamento é apenas a munição. Não quero mais saber de balas perdidas.
terça-feira, 16 de maio de 2017
2014 poetizando e filosofando
Sinto saudade
Sinto que não amo ninguém
Sinto que preciso de mais atenção
Sinto você longe
Sinto que não amo ninguém
Sinto que preciso de mais atenção
Sinto você longe
Sinto uma vontade
Sinto todo amor dessa vida
Sinto que não preciso de mais nada
Sinto você perto
Sinto todo amor dessa vida
Sinto que não preciso de mais nada
Sinto você perto
terça-feira, 9 de maio de 2017
Abraços mil e beijos infinitos
Vou cantar pra você
Pode ser uma canção de amor ou seja lá o que
Pra te ver feliz ou pra te enlouquecer
Com todo o carinho que puder oferecer
Um brinde, um salve e um eparrê
Vou escrever pra você
Pode ser uma carta de amor ou,
Sei lá, um namastê
Pra te fazer sorrir ou talvez debater
A beleza e a graça de um amanhecer
Em Periperi, Iowa ou Saint-Tropez
E se meu vocabulário não enriquecer
Vou continuar a te escrever
Vou pensar sempre em você
Na alegria que é a gente beber
Uma cervejinha, tequila e o que mais aparecer
Nossa onda de amor jamais vai se perder
Pode ser uma canção de amor ou seja lá o que
Pra te ver feliz ou pra te enlouquecer
Com todo o carinho que puder oferecer
Um brinde, um salve e um eparrê
Vou escrever pra você
Pode ser uma carta de amor ou,
Sei lá, um namastê
Pra te fazer sorrir ou talvez debater
A beleza e a graça de um amanhecer
Em Periperi, Iowa ou Saint-Tropez
E se meu vocabulário não enriquecer
Vou continuar a te escrever
Vou pensar sempre em você
Na alegria que é a gente beber
Uma cervejinha, tequila e o que mais aparecer
Nossa onda de amor jamais vai se perder
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Mal de Alzheimer
Em breve eu devo procurar uma receita pra maconha medicinal, porque agora (depois do acidente, talvez?) tenho ataques de epilepsia e uso uma droga farmacêutica para controlá-los. Poderia usá-la, a maconha, minha mãe poderia usá-la, mas vá convencer uma moça prendada dos anos '930 a fumar um, mesmo com o filho. Sofre de Alzheimer. Aliás eu também tenho e lido com o meu sem remédio e sem maconha desde os meus 9 anos, que foi quando me dei conta de que não dava pra lembrar o nome de todas as pessoas que eu conhecia somente no caminho de casa para a escola que era aqui mesmo no bairro. Deus do céu! Isso era aterrorizante. Pra lembrar o nome dos colegas era fácil porque existia a chamada pra te lembrar todo dia. Mas eu ainda não sabia que quando eu crescesse ia ser um cara tão popular. Na verdade eu nem queria crescer, mas olha só...
Em uma certa idade meu lema favorito era: "Se o diabo te convidar p'ruma festa, diga que não tem roupa nova e não vá." Mas eu era o próprio capeta em roupa de gala na maioria das putarias alcólicas que existissem nesse mundo. Ual! Aquilo sim eram bons tempos! Mas eu já sabia que me esqueceria daquilo tudo logo, não pelo Alzheimer que nem tinha esse nome, mas pela cachaça mesmo que às vezes não me deixava lembrar nem os nomes das gracinhas da noite. Agora, me pergunte se o álcool é coisa de "Deux" nenhum. Acho que nem dos "demônios". Mas vê se vão proibir de novo em lugar nenhum? Aonde?!
"Essas porra nem sabe!" que depois de um baseado o cara expande sua mente em direções que ele nem sabia que existiam e conseguiria resolver melhor várias atormentações; se ele tiver bons sentimentos, estiver num momento muito feliz, vai poder mesmo estar entre os deuses. Agora se ele for aquele cara do mal, cheio de "otarice", malignidade e idiotice na cabeça, mesmo assim sua mente vai se expandir pro bem, pois o conhecimento só leva para o mal quem tem merda na cabeça. É sem querer, acredite! O esquecimento é que é o maior problema das pessoas, mas a gente bebe pra esquecer e mesmo assim nem se envergonha disso.
Ninguém me pediu conselho, aliás ninguém nunca me escuta mesmo, imagina ler um conselho, mas aqui vai: Todas as medicinas só se deveriam fazer uso quando houvesse a necessidade e drogas que alteram a percepção pra um sujeito fazer uso antes de poder ter noção de todas as coisas perceptíveis pode ser algo perigoso, pois logo algumas dessas coisas já não serão mais perceptíveis e então entra o Alzheimer resolvendo aqueles problemas que você já não consegue mais.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Troque sua cabeça quente por um palito de fósforo queimado
Um fósforo queima a sua cabeça com um determinado fim, depois vira cinza, adubo, um monte de coisa reciclável. Um homem de cabeça quente não serve pra absolutamente nada.
domingo, 16 de abril de 2017
Tourette
- Aí eu
tento conversar com ela, mas ela não escuta, apenas fala, e fala, e
fala.... e quando
eu tento me aprofundar no papo, muda de assunto.
Eu acho que o momento de fumar um é uma hora sagrada. A gente deveria apenas fumar com pessoas que nos são relevantes, trocar idéias, olhar nos olhos uns dos outros e depois cada um fosse viver sua vida como bem entendesse, mas pelo menos respeitasse aqueles 20 minutos. Poder ouvir um pouco talvez os próprios silêncios ou pensamentos na falta de uma música ou conversa muito boas...
Eu acho que o momento de fumar um é uma hora sagrada. A gente deveria apenas fumar com pessoas que nos são relevantes, trocar idéias, olhar nos olhos uns dos outros e depois cada um fosse viver sua vida como bem entendesse, mas pelo menos respeitasse aqueles 20 minutos. Poder ouvir um pouco talvez os próprios silêncios ou pensamentos na falta de uma música ou conversa muito boas...
Sim,
tenho algo engasgado, acho que é recíproco, mas a minha consciência
está tranquila quanto ao modo que eu vivo e à maneira como me
relaciono com a maioria das pessoas, inclusive as chatas. Sei lá! Há alguma coisa em mim
incomodando a muita gente e a hora é agora: Ô Cambada, me deixa, apenas, em
paz e eu curtirei os sons em meus ouvidos e pensamentos em paz, tá
bom?!
Tô mesmo
de saco cheio, se doer me desculpe!
Serei
ainda deselegante com alguma espécie gente, mas não é muita, nem é por falta de respeito, mas é por falta de paciência com a cretinagem (Eu curto muito me relacionar com pessoas, mas só as humanas.).
- Ela quer saber se é desrespeitoso narrar em voz alta a linha do tempo de sua rede social a uma platéia que não pediu?
terça-feira, 11 de abril de 2017
A confusão não só reina como governa
O texto em homenagem ao dia da mulher eu nem postei. Acho que foi Jah me protegendo porque ia acabar com a minha boa reputação. Um bocado de gente de todos os sexos iriam se emputecer de verdade comigo, mas era só um desabafo infanto-juvenil... porque eu ando de saco cheio de idiotias e sarcasmos estúpidos em nome de uma relação que, segundo os mais sabidos, não serve pra coisa alguma.
Talvez eu esteja escrevendo apenas pra não gritar, mas eu posso também estar inventando histórias pra não perder a cabeça e relaxar.
Sempre presto (ou tento prestar) atenção ao que eu escrevo e propagar qualquer tipo de violência contra qualquer ser de qualquer raça ou espécie, se passou despercebido aqui por mim foi mole meu, descuido, "disculpaí!"... Eu até odeio muita coisa, mas sempre evito esses assuntos inúteis de propagação de ódio. Tudo bem que nem sempre dá pra salvar o mundo, mas estragá-lo ainda mais ainda não é muito a minha.
Talvez eu esteja escrevendo apenas pra não gritar, mas eu posso também estar inventando histórias pra não perder a cabeça e relaxar.
Sempre presto (ou tento prestar) atenção ao que eu escrevo e propagar qualquer tipo de violência contra qualquer ser de qualquer raça ou espécie, se passou despercebido aqui por mim foi mole meu, descuido, "disculpaí!"... Eu até odeio muita coisa, mas sempre evito esses assuntos inúteis de propagação de ódio. Tudo bem que nem sempre dá pra salvar o mundo, mas estragá-lo ainda mais ainda não é muito a minha.
Eu gosto de me perder nas palavras porque elas sempre me encontram, às vezes ainda mais perdido, mas elas estão lá dando essa força e lucidez que só estando vivo mesmo pra se saber. Sei que erramos muitas vezes, mas aprender nunca é tarde demais. Isso é sério mesmo.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
das pequenas coisas
Um dia desses
saindo pro rock
a murta
em minha janela
tinha me dado uma baforada retada.
Era como se a noite
estivesse dizendo:
- Boa noite, meu preto! Divirta-se!
E eu tava a fim
de me refestelar
e escutar ao mesmo tempo
uma música animada e decente
saindo pro rock
a murta
em minha janela
tinha me dado uma baforada retada.
Era como se a noite
estivesse dizendo:
- Boa noite, meu preto! Divirta-se!
E eu tava a fim
de me refestelar
e escutar ao mesmo tempo
uma música animada e decente
domingo, 9 de abril de 2017
Ausências
Perdi meus telefones,
Meus óculos
E sei lá mais o que.
No alcoolismo,
Na promiscuidade,
Sei lá mais onde.
Não tenho nome,
Não tenho endereço,
Não tenho nada.
Tenho vagas lembranças,
Uma pequena incerteza,
E uma grande angústia:
Seu nome e seu riso
Seu beijo e sua voz
Ausências
(24/08/2005)
domingo, 2 de abril de 2017
NoCoo
Eu quero que você vá tomar no cu
Eu quero que você vá tomar
bem no meio do seu cu
Hoje o que eu quero mais
É te ver indo se fuder por trás
Eu quero mais é que você vá
Vá tomar em seu cu!
Eu quero que você vá tomar no cu
Eu quero que você vá tomar
no meio, bem no meio sujo do seu CU
Hoje tudo que eu quero ver
É bem de longe você se fuder
Eu quero mais é que você vá...
vá tomar no cu!
segunda-feira, 27 de março de 2017
O poder da formidabilidade
Ela salvou
O dia ia se acabar de qualquer jeito
Mas ela salvou
Acho que ela nem mesmo se ligou
Ela clareou
O que ia se apagar cedo ou tarde
Mas ela clareou
Acho que nem se ligou
Mas todas as luzes se acenderam e brilhou
E como sempre iluminou meu coração
E fez o dia mais bonito
Deu a alegria de um domingo de verão
Em pleno outono
E ainda que fosse inverno eu trocaria minha dose de wisky
Por aquele par de sorrisos de olho em minha direção
Adorável!
Só me resta agradecer: Obrigado!
O dia ia se acabar de qualquer jeito
Mas ela salvou
Acho que ela nem mesmo se ligou
Ela clareou
O que ia se apagar cedo ou tarde
Mas ela clareou
Acho que nem se ligou
Mas todas as luzes se acenderam e brilhou
E como sempre iluminou meu coração
E fez o dia mais bonito
Deu a alegria de um domingo de verão
Em pleno outono
E ainda que fosse inverno eu trocaria minha dose de wisky
Por aquele par de sorrisos de olho em minha direção
Adorável!
Só me resta agradecer: Obrigado!
Pedal magnificente
Certo
domingo acordei sem saber bem como tinha chegado em casa. Estava inteiro e nem tinha ressaca, incrível! Eu sabia que a casa não tinha nem mesmo uma rosquinha pro café da manhã, mas eu ainda tinha uma merreca escondida de mim
mesmo em algum lugar. Não sentia absolutamente nada a não ser uma
vontade absurda de sair e não tinha um destino, não tinha
nem mesmo vontade de ver ninguém, não estava a fim de pensar se
estava bem ou mal, não queria saber de histórias nem de leotrias
só queria me sentir parte do planeta como qualquer outro animal
livre.
Mas como eu poderia estar tão louco para sair e pedalar de novo se
ontem eu já tinha feito um passeio esplêndido subindo a estrada
velha até o Hospital do Subúrbio e invadindo a mata por ali e
fazendo uma trilha muito tranquila até sair em Mirantes de Periperi.
Depois foi só cachaça e por isso eu não conseguia me lembrar como
chegara em casa, mas se eu estava bem e tudo estava em ordem, algum
amigo, provavelmente, me trouxera(que Jah o abençoe!).
Quando
dei uma panorâmica pelo quarto vi que o estrago não tivera sido
muito grande e pra minha surpresa ser ainda mais surpreendente havia
ganhado um isqueiro e tinha uma brenfa que daria pro
baseado da manhã e tornaria o pedal ainda mais significativo, mas eu
ainda não fazia idéia de como tudo aquilo tinha se passado. Tomei
um banho e vestido de short, camiseta surrada, sandália e boné fui
ter com minha bike que ainda carregava a lama do pedal de ontem pela
mata do cobre, então saí
Em
minha cabeça, se eu estou em qualquer lugar entre Paripe e a Cidade
Baixa sou um local então não ligo mesmo muito para a minha aparência
quando estou a fim de dar uma volta "por aqui”. Mas isso é
porque eu sou mesmo um sem-noção, pois um negro de meu tamanho
mal-vestido e barrunfado vai ser notado e provavelmente mal-visto em
qualquer lugar que chegar, mas eu não ligo, porque também sei que
nesse perímetro alguém me conhece ou eu conheço alguém que me faz
ser bem chegado e livre de todo o mal. E por aí fui com minha bike
procurar um lugar pra degustar meu fino e pensar em minha vida
fracassada e sem destino.
Domingo
às 6 da manhã é a minha hora favorita. Já fiz até música pra
sacramentar. Caminhada, malhação, corrida, ciclismo, sexo é muito
mais gratificante, vá por mim! Se você puder fazer uma meditação
ou qualquer atividade que exija uma força espiritual muito grande,
pode acreditar que a força dessa hora vai lhe ajudar. Lá
fui eu com minha Marieta pela ciclovia desgraçada de ACM Neto em
direção a Paripe. Queria meditar com o que me deixaram, e sequer sabia quem tinha sido, em um lugar sossegado e a estrada da
Base Naval possui um dos pontos mais incríveis pra se sentir
esquecido do mundo no topo de um dos morros que a rodeia. Eu deixo a
bicicleta parada lá embaixo na beira da estrada e subo, fico lá de
cima em contato com a natureza, purificando meu ouvido de tanto
barulho com o canto dos pássaros livres, degustando, contemplando e
registrando o movimento de atletas e veículos. De vez em quando
alguém curioso em ver a bicicleta ali sozinha, mas de lá de cima eu
não erraria uma pedrada. Nem mesmo a polícia me assusta ou se assusta mais quando
passa, pois eles sabem que não estou devendo nada, ou não daria uma
bandeira enorme daquela.
Depois,
com a cabeça lindamente feita e o espírito altamente purificado
desço do morro e pego a Marieta pra a gente, aí sim, começar o dia.
Eu ainda ia tomar o café da manhã, mas aonde eu iria? Ainda tinha o
pedal de volta pra Periperi e ainda tinha tanta gente que eu poderia
ir ver antes de voltar, mas era cedo pra caramba pra incomodar alguém
e nem mesmo o celular estava comigo pra eu fazer a consulta. A única
coisa que eu tinha certeza que não ia me decepcionar era a Feijoada
de Gil e Josineide na rua das Virgens que já faz é tempo que salvava as minhas manhãs de domingo.
Não
há nada melhor que uma mente tranquila e apesar de ainda não
lembrar como chegara em casa e não ter nenhum rumo em minha vida
aquele era o momento em que o mundo podia mesmo acabar, pois estava
tudo bem demais. Pra encerrar a manhã perfeita eu só precisava
descer a estrada velha de Periperi que também possui um dos visuais
mais incríveis desse lado pobre do mundo. Pena que em breve esse
visual deve sofrer drásticas mudanças, mas enquanto elas não vem
lá fui eu descendo com Marieta e me sentindo cada vez mais lindo.
Quando parei na feijoada eu estava num estado de espírito tão
elevado, que um dos clientes me olhou disse para ir com
cuidado pois chegara muito emocionado pra comer esse feijão. (Pode?) Eu
estava visivelmente sedento e faminto, creio que foi isso que ele quis dizer. Não tinha comido nada nem bebido água
desde que acordei.
Não
é a solidão que faz a perfeição, mas a harmonia entre os seres e
o ambiente e nessa manhã eu realmente pude me sentir em harmonia com
o mundo, como se o próprio Deus Todo Poderoso estivesse no comando
de minhas ações. (Obrigado Senhor, por me fazer capaz de
reconhecer!) Enquanto saboreava o feijão fiquei sabendo como cheguei
em casa no dia anterior e com a clareza tudo ficou ainda mais perfeito.
Assinar:
Postagens (Atom)