quinta-feira, 22 de junho de 2017

Agora sim! Até que enfim cheguei em mim!

Bati meu café lá na pousada de seu “Coisinho” (perdão! Esqueci o seu nome) em Cascavél e me piquei mais tarde do que eu pretendia pra Ibicoara. Cheguei eram 10h da manhã. Na verdade eu nem cheguei, pois meus anfitriões me pegaram ainda na estrada e me levaram de bike e tudo pra Barra da Estiva para seus assuntos de campo: pás, enxadas, facões etc. O que eu podia fazer era apenas ajudá-los a carregar o carro. Quando estava em minha tarefa... Hahaha! Acredita que apareceu um cara perguntando o número do meu sapato?
- 48 bico largo, man!
- Nossa! Mas um pé desse com chulé deve feder muito...
- Fede pra caralho! Bom dia! - E continuei meus afazeres pensando em por quê não apareceu uma gracinha?
Voltamos pra Ibicoara e pude conceber a lambança do meu pedal da noite anterior. O telefone tocara quando eu estava passando pela localidade e era minha anfitriã quem me ligava, mas como eu saberia? Praticamente não dá pra ver o posto saindo da cidade, só entrando, e era quase noite, e fica ao lado de um ginásio que chama muita atenção, e eu estava encantado do pedal e das estrelas que iam surgindo e fui saindo. Mas voltei e lá estava. Chegaram ainda mais um casal, umas visitas inesperadas, enquanto eu dava um banho em marieta e ajeitava o seu bagageiro e mais alguma coisa e iríamos todos para a roça no dia seguinte, menos minha Marietinha. Mais tarde, já me sentindo em casa, janta vegana caprichadamente deliciosa, (ou seria deliciosamente caprichada?) um chá e saco de dormir.
Quase não dormi, como em todas as noites em que eu durmo ansioso demais, mas na manhã seguinte me sentia novo como um broto de couve. Nos levantamos cedo pra visitar as terras e trabalhar bastante. Queria iniciar algo novo, proveitoso, produtivo e trabalhar com terra era a melhor coisa que poderia me acontecer. Fazia tempo que não me sentia tão motivado.
Fomos para as montanhas conhecer, desbravar terras antigas, habitar terras antigas e se apaixonar mais uma vez por aquelas montanhas espetaculares. Algumas são formadas apenas por cristais e em seus pés descansam, ou tentam, florestas inacreditáveis e lá estava eu com toda a minha vontade de voltar para o útero de mamãe e nascer ali naquele paraíso. A estrada ainda estava bastante ruim pois fora reaberta recentemente e precisava se ajeitar. Esse era (é e será por semanas) nosso trabalho: carregar pedras, retirar cercas, desviar águas, coexistir com o planeta que é nosso amigo e precisa de nós. Nada de medo de onças, cobras ou outros bichos do mato, o único animal que poderia fazer temer algum mal era o homem e todos os que ali estavam, machos e fêmeas, estavam com o mesmo objetivo: construir uma nova civilização amiga e igualitária.
Eu não levei barraca em minha viagem então na minha primeira noite no mato meu plano era de dormir numa rede que tomei emprestado. Foi difícil achar um ponto perto da micro-vila que se formara e eu fui me amigar a umas árvores um pouco mais acima no barranco próximo a um banco de pedras, protegido contra o vento e a chuva forte. Limpei o solo ao meus pé e sem derrubar um arbusto sequer pude montar meu berço aéreo, meu ninho.
Ao cair da noite nos reunimos em volta da fogueira e fizemos um jantar colaborativo onde todos deram algo e a única coisa que eu podia dar era a música, que já estava até ficando em segundo plano, mas meus planos sempre trocam de lugar. A paz era tão grande que confesso que senti um pouco de vergonha de tocar violão num lugar tão sagrado, então toquei baixinho para não acordar os beija-flores e perturbar a harmonia. Havia menos estrelas que na noite anterior, mas pudemos desfrutar de uma noite incrível até irmos dormir.
Quase me perco na volta pro "ninho" e a chuva parecia que queria nos visitar, mas eu não queria muito saber de ter preocupação. O que quer que rolasse num lugar daqueles estava tudo em paz, tudo limpo, arrumado e a floresta, as montanhas e o céu sempre foram, meus melhores amigos e eu sabia que poderia confiar em todos eles, então, por umas frestas nas copas das árvores, pude ver as últimas estrelas se escondendo e também adormeci divinamente chegando a sonhar com minha mãe e ser acordado com a chuva me saudando e dizendo: “Acorda, Lindão Thi! Hoje você é nosso!” mas eu  não estava mais nem aí. Estava era me sentindo ótimo!

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