sábado, 17 de novembro de 2012

Pra nunca ser perfeito


Salvador 14, de novembro de 2012

Eu acho que perdi minha câmera digital, pensei ter deixado na varanda de casa, mas minha mãe disse por telefone que olhou e não encontrou, olhou na sala, na cozinha, na varanda... eu fico impressionado como eu consigo perder tudo, ou mesmo quebrar tudo, pareço uma criança. Do ano passado pra cá foram 3 celulares, uma câmera, bonés, óculos, um afinador eletrônico que comprei há pouco tempo e semana passada descobri que minha bateria (do notebook) está com problemas e tem que ser substituída, ou seja, daqui a pouco eu não poderei ter mais nada, estou farto de perder, mas nunca farto o bastante para desistir.

Enquanto esperava o ônibus sair, já dentro dele há uns 15 minutos, uma moça sentada na janela oposta me ofereceu um refrigerante que o calor nãoo me deixou recusar e quase me imediato, após beber, eu me lembrei que havia cortado relações com os refris. Me sentia péssimo e começava a temer a assertiva dessa viagem de deixar tudo pra trás começo a temer pela minha segurança num mundo cheio de espertalhões e aproveitadores, homens e mulheres que são capazes de matar por coisas que elas não precisam.
Sou muito desligado, tento ser mais atento, ficar mais esperto no lance, mas sou esquecido o bastante para deixar escapar vário detalhes importantes. Contudo tenho melhorado bastante em minhas observações. A falta do álcool me ajuda bastante nisso, compensa quase tudo em que ela prejudica.

O busu saiu às 12:05 e Louis Prima desejava “Buona sera” no fone de ouvido, minha esperança era melhorar a mim mesmo e conseguir encontrar algum sentido nisso tudo.

16:30h a bateria do celular descarregou e eu achava que teria mais 3 horas de viagem entediante, mas foi muito mais por causa da porqueira do relógio do busu 2 horas adiantado. Eram 14:30h quando deu-se a merda e eu fui descobrir isso quando paramos em Cruz das Almas e eu desci para comer um bolo e tomar um café, porque além de tudo eu tinha saído de casa sem almoço e nem me lembro de ter tomado café da manhã. Não sentia fome há dias e só me alimentava porque não estava a fim de morrer, mas não sentia nenhuma vontade de consumir alimento porque estava deprimido.

Quando estava retornando ao ônibus uma garota de cabelo, olhos e sorriso iguais ao de uma velha amiga me fez ter calafrios. A garota era ligeiramente mais baixa e menos branca, mas era igualzinha com o cabelo maior. A ponta do iceberg.

Não havia muita promessa de ser uma viagem de sonho, até porque eu me decidi por viajar de última hora, por me sentir sufocado e por não aguentar mais o meu crescente desamor por algumas pessoas bem próximas. Isso me está matando e ainda não sei como me recuperar de certos golpes. Me sinto cansado.

Talvez algumas pessoas achem que são as desilusões amorosas que podem me tornar um cara amargo, vingativo, ou só idiota, mas eu nem tenho tido tanta sorte (de me iludir e desiludir) esses últimos anos, a última garota por quem me apaixonei cegamente já faz tempo, mas ela só soube disso há poucos dias (porque eu não sabia como encontrá-la). Minha banda me fez perder o amor pela música há anos e minha mãe tentou me fazer perder o amor pela literatura ainda na infância, mas nada disso foi capaz de me tornar algo que nunca serei. Cada um pode pensar no que quiser.

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