quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Mande um Êa pra meus brothers

Toda vez agora é assim: o verão vai se aproximando e a vontade irresistível de estar na estrada com minha bike me arrebata como se fosse o próprio criador às suas belas almas. Eu sei que vou estar com a família Brust em dezembro e que agora mesmo em 15/11 tem um pedal dos Jurássícos pra Aracaju, mas eu já pedalei com muitas pessoas, com poucas pessoas e sozinho, dessa vez eu vou fazer uma viagem para fora de mim, não posso estar com ninguém e não creio que alguém além de mim suportaria as condições que me imponho em qualquer viagem, estando sobre a bike entre 8 a 16 horas, em pleno verão tropical... mas eu sou guerreiro, além do mais, sempre tive que me virar muito com pouco, tempo, dinheiro de modo que dispor ou não deles não passa de uma opção. Tenho seguido muito pouco o que manda meu coração, muita gente anda pensando que eu tô pirado, mas na realidade eu sinto uma fadiga crescente cada segundo que eu respiro o ar da cidade de Salvador (pior em 2013 com o novo prefeito). Mesmo estando em casa, em Periperi, onde todos me são caros, onde tenho minha inestimável mãe e meu adoravelmente louco Conhaque, onde tenho minha família, meus mais remotos amigos, minhas mais antigas paixões, sinto-me sufocado e temo cada vez mais pela minha saúde mental, física. 
Isso não tem nada a ver com estar farto das pessoas, seria estúpido, além do mais eu amo estar com elas. Tudo aqui é muito aparente e a realidade é sempre pior que a aparência, mas eu não gosto disso. Não consigo me ver novamente ligado a esse modo de vida frívolo e esse jogo inútil. Tudo o que eu gosto eu posso ter em qualquer lugar, então porque eu vou criar raízes em qualquer parte a que eu não pertença, ou que não pertença a mim? Mas se eu nem mesmo sei o que quer dizer "pertencer"?
O mundo é um lugar fantástico, de pessoas de personalidades diversas e incríveis, de paisagens, de seres, de cheiros, de gostos e de contra-gostos, mas eu prefiro, e vou preferir sempre, ver a beleza que existe em cada sutil detalhe invisível aos olhos. Claro que sei que o perigo existe, mas eu não preciso criá-lo em minha mente e nem devo procurar por ele onde quer que eu vá, apenas mantenho-me atento. A atenção a tudo que nos cerca é a única coisa que garante a nossa sobrevivência, tudo que me(nos) disseram desde criança é mentira. Deus,  pátria,  família é invenção de algum espertalhão convencido o bastante pra achar que esse tipo de baboseira pode ser mesmo o controle comportamental de seres dotados de inteligência. Se a inteligência fosse um ser vivo já teria superado a era dos dogmas, mas parece que ainda não temos inteligência o bastante.
Ainda não sei quem eu sou nem mesmo o que vou fazer de minha vida, mas tenho certeza de que não quero participar de nada que me escravize, não quero produzir nada que não me inclua, não quero fazer parte de nada que não tenha meu amor, pois sei que isso é confiável e não me causará dano.
Vou sair por aí de bicicleta. Dou um beijo em meu sobrinho e em minha irmã na passagem e vou atrás de quem me esqueça, de quem me ame, mas jamais de quem me estresse ou me queira mal (também não gosto de onde não sou "gostado.").
Eu sou livre.

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