segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Percebendo o mundo como um lugar cheio de vida e de morte

A semana pra ser boa tem que começar bem e pra não dar mole pro azar catei Marieta logo cedo e parti rumo ao desconhecido. Na verdade eu até queria ter um lugar desconhecido pra explorar, mas conheço  uns bons lugares não tão longe de casa, então lá fui eu visitar de novo a mata do Cobre. Antes uma média na padaria com pão com queijo e um bolo, afinal não se pode começar um dia como um saco vazio. "Quando a intenção é boa tudo conspira a favor." Por esquecimento, ou talvez por compaixão, meu pão com queijo veio também com uma generosa fatia de presunto. Se eu estivesse pensando em me "vegetarianizar" até ia reclamar e pedir pra trocar, mas o dono da padaria estava por lá e eu não ia constranger o brother que sempre trabalhou certo. Eu não sei como explicar esse sentimento de quando coisas boas acontecem, quando não existe prejuízo a ninguém, é fato que eu me sinto um tanto invencível depois de coisas como essa. É quase como encontrar dinheiro, mas não posso precisar. Sabe quando do nada uma criança olha pra você e sorri? É tipo isso.
Subi a estrada velha com a velha alegria de um menino que descobre o amor. É bonita pela manhã a vista da Baía de Todos os Santos, mas uma noite dessas observando Periperi e o Vale do Paraguary quase todo invadido pela especulação sem-teto e destruidores de vida selvagem de toda espécie descobri que é lindo toda hora. De repente alguém buzina, é meu irmão indo pegar no batente: "Alguém nessa família tem que trabalhar." É o que ele deve ter pensado logo após passar por mim com o ronco quase silencioso de seu poluente móvel. (Que Jah te abençoe, meu irmão! Espero que seu dia possa ter um pouco da alegria que nessas poucas horas de manhã eu já pude sentir!) Subi sem parar para admirar a paisagem do vale, estava um tanto ansioso, mas não sabia ainda ao certo onde eu iria ou o que eu iria fazer depois, de repente eu já estava pensando em tomar um banho de mar, mas o mar que eu queria me banhar fica longe da suburbana e isso poderia comprometer meu dia inteiro.
Chegando no hospital do Subúrbio resolvi dar uma corujada no "esquema dos homi" que tinha se montado na via lateral, onde na sexta pela manhã eu pude ver bem uns cem "macaco" todos de preto prontos para o mal. Ao que parece fizeram uma base de operações de alguma companhia aí, melhor pra mim que posso entrar na mata sem medo de porra nenhuma.
Eu prefiro andar 100km dentro do mato com minha bike do que 1km no asfalto, no meio dos carros, na cara da descaração. Muita gente não se respeita nesse mundo e faz suas incivilidades atrás do volante como se o carro é que fosse o culpado pelos contra-tempos (atropelamentos, encontrôes, colisões, falhas de toda sorte etc). Chega a ser deprimente observar o movimento da cidade em alguns momentos. No mato é que me sinto bem. Ali, com o som só dos pássaros(mp3 desligado), eu posso organizar meus pensamentos, planejar meu dia e esquecer que estou num mundo cheio de preconceito e maldade.

O mundo natural é diferente, as pessoas naturais são diferentes. 

Encontrei uns nativos levando seus papa-capins pra passear. Por algum motivo eles creem que os pássaros curtem esta tortura de ver toda a liberdade em volta de si, e mesmo os que não estão engaiolados, são torturados com essa imagem. É um mundo muito louco o que a gente encontra quando temos a chance de percebê-lo. Normalmente as pessoas tem pressa e nela não conseguem ter um contato mais íntimo com o mundo à sua volta. Uma pena! Talvez se as pessoas dessem mais atenção ao que está próximo...


Bob Marleu já dizia: " O amor é um dia abençoado". 

Depois do rolé no mato, saí por Colinas II, desci a ladeira de Mirantes, dei uma volta pelas minhas áreas ficando impressionado com tantas garotas bonitas nesse meu bairro imundo. Há muito tempo a melhor hora do dia era quando ficávamos esperando as meninas saírem da escola pra xavecá-las. Hoje eu nem sei o que falar pra uma adolescente de mente prejudicada pela mídia nem sempre amigável. As meninas estão num nível muito mais avançado de depravação e luxúria do que minha idade permite (ah meus 16 anos!). Percebo que estou velho e agora pensando bem vejo que amigos e amigas minhas estão passando pelo mesmo conflito de não saber até que ponto estamos sendo ultrapassados pelos novos tempos ou se estamos envelhecendo cedo demais. Tenho amigos que estudaram comigo na infância e adolescência que hoje já são avós, tenho "sobrinhas" que se vacilar estão mais velhas que eu, são mães, são donas de casa, são senhoras e eu, velho, ainda pensando em encontrar a mulher perfeita . Decididamente eu não estava preparado pra isso de envelhecer e quando me sinto velho fico triste, mas aí eu penso em tanta coisa que eu conheci nessa vida que não poderia se tivesse vivido menos... penso nos sorrisos que já fiz nascer, na alegria quando encontro alguém de quem gosto e em todas as coisas que me fazem acreditar numa vida menos ordinária.
Depois de rodar quase o bairro inteiro entro na Cidade de Plástico pra me atualizar de tudo o que rolou no fim de semana e começar a planejar as ações do Instituto Pau Brasil para a semana que inicia. Temos que terminar pelo menos o jornalzinho ainda esse ano. As histórias e a conversa animada que rolou no barraco de Wilson deixaram meu astral ainda mais positivo (Eu gosto disso). Na volta pra casa uma parada em ValBikes, que ainda levantava as portas,  pra ajeitar a marcha e o freio que estão meia-boca desde a semana passada (depois eu vou deixar Marieta lá pra ajeitar o pneu traseiro que tá com folga e ligeiramente empenado). Enquanto o filho de Val mexia na marcha um outro cliente se queixava da vida e dizia que vingaria a morte do irmão que foi queimado vivo por uma mulher ciumenta. Tento lhe dar um bom conselho, mas ele está determinado, pois vira o corpo do seu irmão completamente deformado, irreconhecível e não quer que esse crime fique por isso mesmo e então acordo no mundo que não é ótimo nem alegre.



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