quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eu nunca me senti triste assim

O lugar era de uma beleza...
Inebriante pra quem gosta...
A vida no campo...
Pássaros de todas as cores e cantos...
Verdes de todos os tons...
Céu todo azul...
Um bicho tão manso...
Eu estava encantado.

Os olhos do Pássaro Preto eram pura tristeza. Mesmo agora, mais de um mês depois eu ainda não consigo esquecer aqueles olhos. Eu os vi, mas não os enxerguei logo. Estava contente por ele ainda ter olhos, antigamente se furava os olhos do pássaro pra que ele não pudesse ver ao seu redor, "pra ele assim aí cantar melhor" como cantava o rei do baião...
O pássaro, ali preso, imóvel, solitário, sua atitude, empinando o papo para cima e deixando o corpo vulnerável era como a de alguém que, vendo muitos livres à sua volta, cantando maviosamente, pedia para ser executado, pois não suportava mais viver aquela vida de cárcere injustificado. Qual foi o seu crime? Por que ele tinha que ficar ali para o deleite de seres humanos, seres sem nenhum coração? De alguma maneira aquele pássaro banal havia compartilhado comigo o seu sofrimento e eu não pude fazer nada para ajudá-lo, nada que pudesse me ajudar, nada além de me declarar contra o aprisionamento de aves.

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