sexta-feira, 19 de agosto de 2011

de São Paulo a Salvador com Britany Marieta (continuação)

Eu queria completar minha viagem solitária e não podia ficar hospedado em casa de amigos. Eu não queria dar nenhum trabalho, mas além disso eu não queria ter que falar com ninguém ao dormir ou acordar. Nada contra as pessoas, mas era meu aniversário e essa era minha vontade. Já estava bem longe de casa pra querer me sentir seguro sob as asas de alguém. Chegar aos 37, ter 10 anos a mais do que a expectativa de vida dos astros do rock, dos negros suburbanos, ter a consciência de ter tido um certo sucesso só por estar vivo, mas sentir o gosto amargo do fracasso escorrendo pela goela abaixo.
Alguns compromissos me aguardavam aquela noite, eu tinha que ver algumas pessoas que ainda não vira, afinal a minha vontade de ficar só não implica eu em não poder ver alguém que não vejo nunca. Assim se dão os benefícios de ficar só. Eu adoro fazer o que me dá na cabeça naquele exato momento e de alguma forma o tempo para mim acaba se tornando algo muito maleável, sinuoso e até mesmo retroativo. 
Havia o show do Cachorro Grande na Augusta, mas antes eu queria encontrar o Martin e a Nanda, na Consolação, depois tomar ao menos uma cerveja com a Tirreni fosse onde fosse, pois ela ainda iria subir a serra ainda naquela noite. Paulinha já estava em Salvador e as outras pessoas eu poderia talvez encontrar no show. Eu não queria ficar tão só assim afinal de contas, já me bastava o sábado que seria de ressaca e descanso, pois domingo eu tinha que picar minha mula de duas rodas sozinho e sem conhecer o caminho por dentro do Parque Tietê que eu observara num mapa.
O Hotel Pueblo fica numa rua próxima ao largo de Sta Ifigênia, mas eu nem sabia até então, pelo costume de andar de bike estava me achando próximo de tudo e só perguntei ao cara lá da portaria como eu fazia pra chegar na consolação.
- Você pega a pça da República, Av. Ipiranga e já tá lá. Direto! - Simples assim.
E pra mim é tudo simples. Depois de alguns telefonemas, algumas horas relaxando com "Evrebody hates Chris" no único canal que funcionava na TV from hell, eu me agasalhei e parti para minha missão: Jantar, beber e dançar, que na verdade conistia apenas em encontrar um monte de gente querida.
Fui a pé até o Sujinho, local onde encontraria  Fernanda e Martin(baixista da Zefirina Bomba). Eu tinha bastante disposição pra andar e nenhuma vontade de rodar de táxi. Meu tempo era farto. O bom de São Paulo é que se pode andar por linhas retas, só fazia um pouco de calor demais para o tanto de roupa que eu vesti, com medo do frio dos dias anteriores. Fazia23º e eu andei como um condenado até chegar na bendita rua Maceió. Haja Consolação!
Martin, como um cara que saca das paradas, principalmente as de comer, tinha recomendado o Sujinho, porque sabia que era impossível alguém que está a fim de comer sair de lá infeliz. O lugar é uma dessas lanchonetes modernas, que você escolhe tamanho do pão, o garçom lhe pergunta ponto da carne, meio diferente das de Periperi (hehehe), mas os sanduíches são realmente espetaculares. Claro que quando eu escrevi isso aqui eu não lembrava mais qual eu pedi, mas eu posso sentir o gosto ainda hoje em minha memória.
De lá os dois me deram uma carona até o metrô, pois eu ainda ia pra Tucuruvi dar um cheiro numa moça e tomar uma cerveja, se tivesse sorte, pois seus amigos iam lhe buscar às 23:30 pra levar pra serra... e já se iam as 22h.

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