terça-feira, 15 de outubro de 2013

O animal do Shakespeare

Meu cão faz greve de fome. Tudo que faço agora é esperar pela sua morte, pois não tenho como fazê-lo comer a comida que lhe ofereço. Tudo que ele quer comer são frutas e ovos. Levá-lo no veterinário daqui novamente está fora de cogitação depois que um tubo de soro fisiológico custou-me 100 reais. Além da falta de grana é a falta de fé nas pessoas que não me deixa levar meu cão para "qualquer pessoa" examinar. 
Hoje ele terminou as doses do antibiótico que dra. Rita havia receitado. Ainda não lhe dei o polivitamínico e ele também precisa tomar um remédio de verme. Mas se ele não come e está magro e fraco não pode ser vermifugado ou o morrerá. Terei que levá-lo em algum lugar, mas em Periperi eu sinceramente não tenho a menor esperança de encontrar ajuda. Se meu irmão mais velho que é quase um criador de cachorros profissional  (na minha doente cabeça) não se mostrou nem um pouco sensível à situação de Conhaque o que farei eu? "Sofrer os ataques e flechadas da fortuna adversa ou pegar em armas contra um mar de dores e, enfrentando-as, pôr-lhes termo? Morrer, dormir, sonhar talvez..."
Às vezes eu fico pensando que se em vez de um cão eu tivesse filhos se eles estariam vivos visto minha inabilidade pra lidar com situações como esta. Isso tudo por não acreditar que o dinheiro é a mais importante das criações humanas. Se um dia eu resolver fazer "qualquer coisa" por dinheiro é porque provavelmente cometi suicídio. Viver por uma causa, morrer por uma causa, aí é que está a questão, pois sei que todo o sofrimento do mundo não vai se acabar se eu ficarmos ricos ou mais pobres. O coração suporta as dores, mas a mente as trata como algo que se pode sempre alterar, ou não ser nada daquilo que se pensa. Sempre temos dúvidas, mas a certeza é o que nos move.

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