sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mentira de Primeiro de abril - Sem bike

Infelizmente, Britany Marieta B. não existe mais. Tudo aconteceu por conta de todo o ódio acumulado ao longo de muitos anos de tolerância e pacifismo. O Caminhoneiro que odeia o motorista de ônibus, que odeia o taxista, que odeia o motociclista, que odeia o ciclista, que odeia o pedestre, que recebe todo o ódio, também é odiado por todos eles sobrando para o ciclista a pior carga, pois quem ama o ciclismo sabe respeitar diferenças, mas nem sempre é cego às perversidades de alguns cidadãos. Vendo uma situação na qual um motorista estava acuando e pressionando uma pobre senhora indefesa, resolvi alertar o animal de que a senhora tem tanto direito de ir e vir como qualquer um. Ela não estava parada, apenas andava um pouco lentamente pois sua idade não lhe permite movimentos mais rápidos; pensei em minha mãe, pensei na mãe do “indivíduo sem mãe”. Ele sacou uma arma, eu joguei minha bicicleta sobre seu para-brisa e espanquei o seu capô com ela e dei inúmeros golpes até que me toquei que ia ter que voltar pra casa a pé.
Eu podia não ter falado nada, como sempre faço, mas estava de saco cheio desses motoristas que acham que apenas os automóveis tem o direito a andar nas ruas. Isso é irritante demais se você fica observando muitas situações onde não faz nenhum sentido requerer prioridade sobre algo que não pode ser mensurado. A vida de alguém não é mais valiosa pelo veículo que ela dirige, ou menos valiosa pela sua aparência humilde. Isso é discriminação e disso eu já enchi meu culhão até a tampa. Não sei o que me deu. Eu não queria tomar um tiro nem queria quebrar a cara do sujeito que me ameaçara, mas eu não podia demonstrar fraqueza, pois naquele momento a energia tinha que ser descarregada por algum lado e eu não sentir amor bastante, nem por mim, nem pela velha, nem por Marieta, pra simplesmente sorrir e seguir meu caminho. Eu tinha que deixar a energia ruim agir e estar no controle. Acho que foi isso.
Eu sei que a polícia chegou, o cara era policial, um monte de gente apareceu eu contei o que aconteceu ao policial, eles ficaram lá discutindo, tentaram me algemar, sei que no fim das contas eu saí de lá de carona com um brother que estava passando e me viu em meio à confusão. Nem olhei mais a bike pra ver se salvava alguma peça. Uma lástima! Sentirei muita saudade de minha companheira de tantos rolés. Até música ela tinha.
Agora terei que me acostumar com a vida a pé. Acho que é hora mesmo de sair a pé.


p.s.: é tudo mentira de 1º de abril.

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