domingo, 23 de junho de 2013

A gente se vê na primavera, mas se fala por aí...

Como é que eu saio daqui?

Domingo, 16/06: 1 hora de espera por um ônibus. Desisti de sair, pois já era hora do evento que eu iria.
Terça, 18/06: meia-hora de espera no ponto, mais 1:30 dentro do ônibus esperando vencer a barreira da Baixa do Fiscal que está em reforma. Desisti novamente porque já não dava mais tempo de ir onde eu ia. Desci do ônibus lá no Lobato e caminhei, puto, tentando me sentir mais livre, até o Luso, em Plataforma.
Detalhe que estou com a garganta inflamada e com sintomas de gripe, mas não será nada grave se eu não me descuidar, tipo: tomar uns banhos de lama dados por uns motoristas meio-mal-educados, ou andar na chuva e no vento dessa atmosfera poluída da cidade grande.
Sair da cidade a gente consegue, pela pela BR 324, porque Periperi fica depois de Pirajá, onde a pista da BR cedeu. Mas para "entrar" na cidade desde Periperi via BR não dá por causa desse mesmo maldito buraco que reduziu as duas pistas à metade de uma pra cada sentido. E aí se vão mais horas de vida perdidas no trânsito. Melhor perder as horas que perder a vida? Melhor.
Então na quinta Pep e Andrejandro me arrastam pra manifestação, via BR, que estava estranhamente livre, e chegamos no Campo Grande minutos após os manifestantes saírem em direção à Fonte Nova. De vez em quando é bom conseguir sair de casa sem preocupação, ainda por cima quando numa saí só. Você mata a saudade e se encontra com tanta gente querida que nem parece que estão ali pra protestar. Acabei ficando bêbado.
Então é domingo, 23/06 e não está chovendo. Vou pegar Marieta e pedalar pela insegura e esburacada Salvador. Não lembro de ter visto ninguém nos protestos pedindo ciclovias, eu mesmo podia ter feito um cartaz: "Eu quero ciclovias!" pelo menos não tinha que ficar preocupado com a chuva, assim como os ciclistas holandeses não têm que se preocupar com a neve. No desenho que eu não fiz, eu queria uma ciclovia ao lado da linha do trem. Pedalar ali na ponte São João em Plataforma ia ser lindo, mas eu não fiz cartaz, não fiz nem protesto direito porque eu estou sempre muito atrasado. Na verdade eu acho que não vivo no tempo certo, mas isso é uma história pra out'stória.

E fico por aqui mesmo

Vou me arriscar novamente pelas ruas hostis de uma cidade despreparada para o respeito mútuo. Uma cidade de pessoas intolerantes e que não pensam nem por um segundo no que for melhor para o próximo; a mesma cidade que se rebela contra tudo e que veste a camisa amarela. Lá vou eu, um cidadão comum dessa cidade, frágil e desprotegido. Devo ficar atento cada segundo no trânsito. Se chover piora tudo. Com ciclovias seria menos arriscado, mas do jeito que é... enfim, deixa quieto.
O pessoal me perguntava no protesto: "cadê Marieta?" e eu dizia que na chuva não dá pra andar de bicicleta e o pessoal dizia que não havia chovido, e eu dizia que em Periperi sempre chove, e o pessoal quase nunca acreditava, mas é sério: se existir uma mínima chance de chover na cidade dado em qualquer serviço de meteorologia essa chuva é na parte da cidade em que fica Periperi. Certamente. Seguro. "É uma maldita merda de cabrito do inferno!" Eu queria ir pra Chapada, mas cadê? Eu queria várias coisas, mas tô ligado. Pra onde quer que eu vá tenho que pensar em levar o cachorro e a bicicleta e isso não é possível na atual conjuntura. 
Vou perder a #SuperLua, mas sei que serei recompensado, porque tenho me comportado razoavelmente bem. Perdi o show de Esperanza Spalding e ainda não tive nenhuma recompensa a não ser a de estar tocando no mesmo dia. Talvez... talvez não..., certamente nada vai compensar não estar no pé do Morrão olhando essa lua imensa e magnífica nascer por detrás do Morro dos Cristais. Ou quem sabe ainda ver lá de cima de um morro daquele, com o céu límpido, aquele mesmo céu que tem mais estrelas que diamantes naquele chão..
Ah! aquele céu!
Ah! aquele chão!
Às vezes a poesia não serve pra nada, mas tem dias que ela é especialmente inútil, como no dia em que eu não conseguia distinguir o que era céu e o que era chão caminhando numa trilha de areia e cascalho de cristais do tempo do garimpo. Desgraciosidades de um verão perdido no tempo.

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