terça-feira, 30 de abril de 2013

...e foi assim, debaixo de chuva, que ele pegou sua bike e partiu.

Apesar de tudo eu odeio.
De manhã até o momento que os motores não param mais é tudo quase bom. O clima, os pássaros cantarolando, o silêncio... mas aí vem o dia útil, a jornada de trabalho, a escola, a venda, o anúncio e o que era o início de uma vida passa a ser o fim de uma paz que ninguém sentiu. Não se pode ter descanso, pois um homem descansando é um homem morto. É preciso obedecer ao ritmo alucinante de um cotidiano insano. Quem vive pra isso? Quem faz disso sua vida? Quem quer ter dinheiro?
Ontem na praça houve tiros. Nada de novo: alguém bêbado com uma arma na mão faz disparos pra cima a fim de mostrar que é machão. O bar cheio de gente passando chuva e aí o corre-corre. Fico pensando: e se fosse uma guerra civil? Mas a gente não precisa usar a guerra como desculpa pra matar, não nas nossas cidades onde o dinheiro e o luxo é tudo o que importa, mesmo que para isso você tenha que estourar alguns miolos ou lesar alguns infelizardos. Triste vocação a de quem é honesto...
Brasileiro... jeitinho brasileiro... sei que todos tem suas desculpas para fazer alguma besteira, mas colocar essa culpa na cultura do país pra mim ultrapassa a mediocridade.
Vou pro mato. Me perderei no meio do nada e só retornarei quando me sentir forte o bastante pra encarar a civilização e seus demônios. Preciso do verde, preciso respirar, preciso de paisagens bucólicas e canções naturais, preciso de humanidade, de gente de verdade que não liga pro que tem no seu bolso ou pra sua falta de jeito, preciso de uma paz que mesmo trancado em meu quarto não consigo obter.
Preciso estar disposto a ajudar, mas antes disso preciso saber exatamente como. Sei que sozinhas as pessoas que eu amo jamais estarão, mas preciso estar mais forte para que eu possa ser preciso. Também tenho que me armar para a guerra, pois os inimigos da paz estão com muitos aliados muito espertos e incansáveis. Sei que quando voltar vai ser uma briga feia, mas perder não é um verbo que eu aprecie.
Vou ali. Vou descansar. Perdi o verão inteiro sem a bike, mas não vou perder mais um segundo de minha vida lamentando nada quando eu voltar.

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