sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"Toda mulher que você ama é igual a toda mulher que você ama"

Não me canso de me apaixonar perdidamente e várias vezes pela mesma garota louca famosa, desconhecida, amiga, namorada, irmã, mãe, mulher, deusa, demônia, que  me lança um encanto e me mantém encantado até que meus ouvidos fiquem surdos, meus olhos fiquem cegos e meu coração fique imóvel. Talvez eu me acostume a ouvir em mono, ter um olho vesgo, mas o coração só vai mais forte quando noto sua presença. Um disco novo dela é um verdadeiro presente pra esses tempos onde só vemos o caos e falamos apenas em atentados e crises. Ainda bem que estamos todos aqui nesse fim dos tempos. Mais uns fins de muitos mundos vai custar pra a gente ter mulher igual. Está aqui ainda pra nos lembrar de nossas mães e irmãs e amigas que enfrentaram e enfrentam muitas batalhas, às vezes completamente sozinhas, e triunfam.
Gosto de música de várias qualidades, do low-fi até a modernidade e sua infinidade de efeitos e viagens. O tecno não me interessa, mas os efeitos usados nos discos dos artistas que admiro vai renovando minhas opiniões sobre o que é audível. Se o rádio continua um lixo, você apela para os prêmios de música: natura, multishow, capricho, globo, shell, prêmio visa, troféu Dodô e Osmar, o "caralho". E se você não for muito dedicado ou estiver muito atento vai se confundir bastante. Por exemplo: O Multishow diz que o disco da Baiana System é melhor que o da Larissa Luz ou Elza Soares. Fale sério! Alguns acham mesmo que sim, mas eu não consigo nem parar de ouvir "a mulher do fim do mundo" que dirá ter uma opinião sincera e honesta a esse respeito musical. Posso pensar no preconceito dos outros que preferem valorizar homens que mulheres, mas cara a música é meu universo e por mais que o interesse comercial na novidade baiana seja entendível você não vai me convencer que "mimimi" é melhor que música.
Alguns discos são animados, alegres, bem gravados, mas só isso não faz deles "os melhores discos do mundo da Música Popular Brasileira". Tem que ter feeling e se tiver ainda por cima uma história se torna uma obra de arte de valor imensurável. Alguém quer me provar que entre a "nega do cabelo duro" de Luis Caldas e a "Mulher do fim do mundo" de Elza Soares existe um universo?
Eu escuto música porque gosto, mas não sou obrigado a gostar de tudo que é música imbecil. Existe muita coisa entre mim e a música que me faz amar ou não um disco. Às vezes meu estado de espírito me faz cometer injustiças, mas se você é uma pessoa realmente sensível como eu alguns álbuns podem mesmo salvar sua vida.
O disco começa numa capela que dá aquela vontade de deitar no colo de mamãe e receber um carinho ouvindo ela cantar qualquer coisa: uma história, uma canção de ninar, uma mentira (mentira que mamãe não mente!). É um som para dar conforto à alma. Em seguida entra a banda do mundo se acabando e ela só querendo cantar até o fim. Lindona! "A mulher do fim do mundo" é uma música pra mostrar que nada ali é brincadeira. Depois se levanta uma voz contra a violência e a todos os maus tratos sofridos pelas mulheres ao longo de seus anos de samba. "Maria de Vila Matilde" não é mulher de levar desaforo pra casa: "Cadê meu celular eu vou ligar 180..." pra quem não sabe esse é o número da Central de atendimento a mulher, um disque denúncia com o amparo da Lei Maria da Penha criado em 2013. O disco todo é sério e bem arranjado. deve ter sido feito com um carinho danado. O naipe de metais do Bixiga 70 parece que dá aquele movimento de feijoada na laje: escutando no volume máximo, bêbado, com as parceiragem mais presença, na paz.
Disco de músicas inéditas com uma cantora que nunca lançou disco de músicas novas é pra se amar ou se odiar? Lhe garanto que se você chegar na terceira música e não tiver chegado a uma conclusão você se fudeu, porque a música 4 é "pra fuder" e é de fuder como tudo nesse disco esplêndido. Benedita seja a voz do macho que entra na quinta só pra não nos mal acostumar com a divindade sendo deusa onipresente.
A sua voz rouca me dizendo que quando der a gente se tromba parece até um aviso real de uma de minhas amigas que moram longe e estão num corre louco pra viver. Talvez o disco seja só lindo e nada mais, mas não posso desagregar o valor de cada canção. Ela pode soprar, se despedir, deixar o acaso gerir o encontro que vai ficar marcado pra sempre em mim e eu vou dançar solto, torto e tão certo de que a mulher eu quero pra junto de mim tem a mesma força e lindeza de minha mãe e de toda mulher brasileira. Magnífica!

Ouça! https://youtu.be/I38EcMJX8A8

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