segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Com a medalha no peito

Olimpíada no Brasil. A gente já teve Copa do Mundo aqui, perdemos e ninguém morreu. Mas protestos deram no golpe e nós continuamos o mesmo povo brasileiro: alegre... machista, intolerante, racista, ególatra, xenófobo e homofóbico. Pelo menos aqui reconheço a parte que me cabe nisso tudo quando vou pro carnaval amar as gringas que chegam, mas odiar os gringos quando pegam nossas pretas pra levar pra longe... antigamente eu podia entrar numa rua ali e dar um beijo na garota mais linda no mundo daquela hora, mas agora ela tá em outro país e eu odeio ter ódio, mas fico feliz com sua felicidade...; reconheço minha parte quando creio que não deve-se se meter em briga de casal (afinal ela deve saber porque tá apanhando), e todos esses pensamentos loucos que a geral ainda aceita com muita naturalidade. Nesse mesmo lugar com essa turma de bem-feitores tivemos uma ótima olimpíada. Quem diria?!
Em nosso quadro de atletas olímpicos temos jovens que se tornaram atletas graças a Deus, temos aqueles atletas que prestaram concursos, participaram de editais para integrar o quadro do exército e assim poderem treinar como militares; temos atletas que seguem uma tradição de família no esporte, enfim. Infelizmente, seja no exército, marinha ou aeronáutica, cargo público ou privado, religião, família, esporte, órgão de imprensa, área cultural, internet, underweb, em toda a organização da nossa sociedade, temos uma “raça-dominante-não-humana”, que deseja que continuemos com todas essas nossas falhas de caráter que eu já citei aqui (assumindo a parte que me cabe), para que essa indigna raça continue dominando com toda sua impureza e malícia. Mas eu não quero mesmo ficar falando aqui de raça e conflitos.
Um vídeo postado com brincadeiras entre atletas nos deu um exemplo de como são as coisas fora dos holofotes. Graças a uma geração de ególatras que desejam toda a publicidade em seus atos, mesmo os mais levianos, atletas olímpicos militares foram exibidos se tratando como brasileiros dominados pelo pensamento alien em que não existe respeito ou parceiragem entre quem se acham superiores (seja à mulher, seja ao pobre, seja ao negro) e os inferiorizados. Me lembrou uma ocasião na infância em que um colega negro começou a fazer “brincadeiras” contando piadas que ofendiam o negro(eu) como se ele também não fosse um preto. Nossa amizade não durou muito. Tínhamos uma professora igualmente dominada pelo pensamento alienígena, a maldita influência da tal “raça dominante”. Naquela época, quando mulheres negras ainda eram vistas apenas ocupando cargos como de como empregadas domésticas, faxineiras, babás, nunca como médicas, juízas, mega-empresárias, professoras eu já tinha que conviver com a auto-depreciação, que ainda persiste no ego brasileiro, mas eu ainda não tinha condição de entender porque existia aquele tipo de coisa e apenas me emputecia em silêncio.
O saltador francês fez a infeliz comparação das vaias que recebeu com as da Alemanha nazista, mas o que esperar de um francês? Ele não fez por mal, talvez, mas mostrou que a maldade pode ter 2 lados. Nós também não o vaiamos por mal, mas o vaiaríamos com muito mais vigor numa nova oportunidade, pois a alegria também tem 2 lados.
O Brasil é um país tão difícil... não se trata de conflitos entre pretos, índios e brancos. As etnias até convivem pacificamente. É uma espécie de loucura coletiva quando se atinge um certo patamar, nível, grau, sei lá! passa-se a tratar tudo de uma maneira diferente. É triste, é real e gritante o superiorismo, o machismo brasileiro e racismo, carregamos no peito nossa medalha. Mas eu não quero mais ficar falando aqui disso. Todos temos nossos defeitos e qualidades cabe a cada um acordar a parte que quer servir.

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