domingo, 11 de março de 2012

O cão chupador de cana


Estávamos nos mudando de estada pela segunda vez em Curitiba, agora íamos para a casa dos Catalépticos. Era uma casa que os caras alugaram para ensaiar, onde moravam Marcon (pense num cara brother!) e Morde, o cão que chupava cana.
A casa tinha um gramado enorme, onde ficava o Lord Morde tomando conta de tudo. Ao chegar, desci do carro e fui berrar no portão. Já era quase meia noite de uma terça-feira.
- Marcoooon!
O cão latia furiosamente. Alguns minutos depois aparece o cara com a maior cara de sono, pois iria sair às 05:00 pra trampar.
- E aí galera?! Pensei que vocês não vinham mais. – Disse ele abrindo o portão.
- Segura esse bicho aí véi. – Falei em tom desesperado, pois o cão estava tentando sair.
Mord é um Bulldog inglês bonito pra cacete tem um olho verde e o outro castanho, é bastante forte e tem uma cara assustadora de cão malvado.
- Mord, vem pra cá! – Berrou Marcon quando o cão saiu e veio em minha direção.
- Como assim cara? Você tá mandando o cachorro me morder?! – Retruquei, pois havia entendido: “morde e vem pra cá!”. Ele não soube o que dizer e veio segurar o cão que estava me cheirando enquanto eu ficava paralizado.
Já lá dentro ele explicou que o nome do cão era “Mord”, pois quando o Vlad ganhou de presente ele tinha o nome de “Lord”, e não ficava bem um “cão do rock” com um nome de cachorro de otário, então o batizaram Mord.
Nos dividimos para dormir metade na sala e metade no quarto de ensaio, já que o outro quarto era do Marcon e a gente não ia fazer uma sacanagem dessa com alguém que ia acordar tão cedo.
Eu capotei logo, pois o meu sono é muito foda, mas Brust me berrou da cozinha pedindo pra eu ir até lá.
- Ó pa isso!!! – Balançava uma garrafa com um líquido verde. – Tá dizendo aqui 70% GL.
- Isso é absynto! Não né não?! – Disse pegando a garrafa para conferir.
- Acho que não.
Era uma bebida francesa, pelo menos estava tudo escrito em francês, e lá estava: “...70% GL.” A garrafa mal tinha sido bebida, se muito, beberam umas duas doses e Brust aproveitou e pôs uma dosezinha pra a gente provar.
- Puuuuura!!!! Tão gostoso que a gente nem percebe que é tão forte. Do jeito que o diabo gosta. É melhor a gente ir dormir porque senão a gente mata essa garrafa agora mesmo. Isso deve ter sido caro pra carái!
Voltei pra sala e me deitei pensando naquela garrafa.
No dia seguinte iríamos dar um “grau” na casa, afinal, era o mínimo que a gente poderia fazer pela hospitalidade.
- Esse pessoal de Curitiba é muito hospitalar! – Dizia Brust de sacanagem.
Sacanagem pelo “hospitalar”, não pelo pessoal de Curitiba, que era hospitaleiro de verdade. Imagina se numa cidade em que a gente não conhecia ninguém pessoalmente poderíamos pensar em ser tão bem tratados.
Quando acordamos o Marcon já tinha saído e teríamos que encarar “Mord” sozinhos. Ele chegou com a sua cara feia cheirando todo mundo, mas não parecia querer tirar pedaço da canela de ninguém. Trocamos uma idéia rápida e ficamos bons amigos. Era o cão feio mais lindo que eu já vira.
Fomos à padaria Eu, Rodrigo e Brust, enquanto Dimmy e PJ davam um jeito nos pratos. Compramos pão e essas coisas de se comer de manhã, compramos também alguma ração pra Mord, pois encontramos o saco da ração dele já no fim e tínhamos medo de dar algo que ele não se desse bem. Esses cachorros são cheios de frescura.
Na volta da padaria terminamos de limpar a casa e PJ havia descoberto um mini-canavial nos fundos da casa, prontamente, peguei um facão, neste caso era uma faca grande mesmo, e fui à difícil tarefa de cortar algumas canas. Chegaram Pardal e um amigo para nos fazer uma visita e dar doiszinho e, enquanto a galera fumava e chupava cana, Mord observava tudo desejando mastigar alguma coisa, então cortei um pedaço pequeno e lhe dei com um certo receio que ele engolisse tudo de vez, mas não é que o danado cuspiu o bagaço fora?! Não acreditávamos naquilo, era muito engraçada a cena do cão cuspindo fora o bagaço da cana e passamos o resto da manhã (ou tarde, sei lá!) rindo, filmando e fotografando o cão chupando cana.
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Esse foi mais um episódio da “STOP OVER TOUR 2004”. Um oferecimento de “Tramontina” e cigarros “Amigo do Peito ”.

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