sexta-feira, 26 de março de 2010

Cada dia mais longe

Eu tenho me assustado um pouco mais a cada dia com a distância entre as pessoas. Noto que quanto mais velho, mais calmo fico, enquanto as pessoas com quem eu me esbarro demonstram um descontrole irritante. Alguns dão importância apenas a o que chamam de vida: seu trabalho, sua comida e suas 8 horas diárias de sono; outros estão preocupados apenas com intensidade de sua vida sexual e ainda vejo aqueles que apenas a fuga (drogas, viagens, isolamento, farras etc.) é importante. 
Não é que eu ache minha vida perfeita, longe disso, mas certos descontroles não têm a menor razão de ser, e, o que é pior, não ajudam ninguém na maioria das vezes. Pelo contrário, podem causar desconforto e até mesmo asco, além do perigo ainda maior do poder de sedução que esse tipo de atitude possui.
Algumas pessoas realmente invejam os descontrolados, uma mulher bem resolvida, um bonitão pegador, um bêbado cotidiano, um ebrifestante, um workaholic e fogem completamente na necessidade básica fundamental a todo ser humano que é o bem-estar próprio. As pessoas simplesmente desprezam o que é seu para admirar o que não lhes é comum.
Não acredito que haja necessidade de sermos iguais, mas temos as mesmas necessidades. Pode ser no futebol: comum a maioria dos homens, na indumentária: preocupação da maioria das mulheres, ou no dinheiro, suado ou não, que faz de todas as pessoas escravas, as pessoas precisam das mesmíssimas coisas. No entanto, o descontrole mostra sua faceta sinistra, tornando o amor por um time em ódio pelo adversário, o desejo de se vestir bem em desprezo pelos maltrapilhos e a necessidade de uma vida melhor se transforma numa desculpa para roubos e mau-caratismo.
Não sei em que lugar da condição humana habita o germe da inveja malvada, mas é bastante perceptível o fato de algumas pessoas escolherem sempre o lado negativo para aliviar suas consciências de algum possível defeito em outra pessoa que na verdade está apenas seguindo sua vida sem se incomodar com o descontrole alheio. Não é apenas a inveja, é a maldade, o ódio, a ganância e a falta de amor próprio, ou ao próximo, que paulatinamente vai se inculcando e dominando as pobres mentes dos descontrolados, tornando-os assim pessoas más.
As pessoas estão perdendo a noção de paz, conforto, amizade, beleza, amor, bem-estar e de tudo o que é realmente importante e digno à condição humana. Alguns chegam ao absurdo de pensar que estão agindo de acordo com seus instintos, mas, aqui pra nós, isso é de uma desambiência com precedente apenas na própria história da humanidade infeliz.
No meu assombro sinto que ainda falta muito para me sentir parte de alguma parte, mas mantenho meu descontrole no nível da consciência básica. Apesar de misturado a todo tipo de pessoas, não posso permitir que a maldade seja maior que o meu amor à minha vida cretina e às pessoas descuidadas.

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