domingo, 20 de janeiro de 2013

A volta das longas férias


Cara, eu acho que o demônio resolveu tirar férias e colocou um estagiário bem escroto no lugar. Pegou o mais desgraçado, claro, afinal o diabo não gosta dos bons, nem mesmo os “bons maus”. Eu que não sou bom coisa nenhuma só me fodo de todo lado; Quando Deus tira férias também coloca sempre um cara que só olha pro lado errado. Deus me livre! Desgraciosidade. Mas eu não vou começar o ano reclamando de Deus e do mundo porque é ano novo e a esperança de que tudo mude sempre se renova, assim como meu sonho em ganhar um prêmio por tudo que ainda hei de fazer, mas não sei quando, ou sonho de namorar Camila Pitanga, também minha vontade de um dia não reclamar e falar mais palavrão sempre consegue um bom motivo para se cumprir, mas este nunca seria eu, creio. Pelo menos eu tenho mais 365 dias (menos 19) pra realizar vários outros desses sonhos.
Vejamos, se o diabo não estivesse de férias, eu certamente estaria morto. Desde novembro por 4 vezes eu tive a clara visão da morte de cima de minha bike, até que no dia 9 me aconteceu de morrer literalmente. Só consigo estar aqui escrevendo, dez dias depois, porque sou um cara duro e incrédulo e ainda que ela venha até mim e me tire pra uma dança, sei que terei tempo bastante para realizar o pouco e inútil que me resta e dançar alegremente pois em qualquer que seja este momento ele será perfeito. Hoje eu percebo que mesmo que repentinamente me seja tirada uma vida, minha energia continuará existindo e não importa o que seja dito sobre mim depois que me for, jamais desejarei tanto ter mais tempo pra dançar com meu amor.
Se eu não posso andar de bicicleta porque os joelhos me doem, se meus joelhos não doessem mais eu ainda teria que montar outra bicicleta, se eu não posso montar ando em círculos, como a frase que acabara de acabar o texto. Mas, seja como for, é bom estar de volta aos bares.
Puxa vida como eu adoro beber! Acho que no fim das contas o acidente também serviu pra provar mais uma vez que os bêbados tem um anjo da guarda até quando não estão bebendo, se o acidente fosse ano passado provavelmente seria fatal, mas no dia 9 de janeiro eu ia comer uma água indecente depois do trabalho, (sim, tenho um novo trabalho) mas o diabo, vendo minha má-intenção resolveu me sacanear muito fazendo-me bater de cara com a pior desgraça da sociedade moderna, o trânsito dos automóveis, além disso me deixar consciente todo o tempo pra ver o quanto o ser humano pode ser filadaputa com o que está em desgraça, me deixou penando num corredor de morte de um hospital assombrado das 18h até as 22h sem nem um cafezinho sem pão, e isso é até o de menos, pois só não fui pior atendido do que no IML, mas eu disse que não ia reclamar.
“Malassombrada” é a imagem de Rodrigo (Sputter Chagas) como uma espécie esquisita de herói que me faz crer que eu tive alucinações após o choque. Apesar de não ter tomado cerveja, ou usado qualquer droga até a hora do acidente me reporto ao inferno da vida sem bebida. Se eu tivesse bebido teria entendido tudo diferente, talvez desmaiasse e ficasse lá, estirado no chão, uma concussão, um traumatismo qualquer, talvez mesmo o óbito, mas pelo menos a culpa seria toda da droga mesmo que não fosse, seria minha culpa. Me sinto mal por ter sido uma senhora, queria estar bêbado, queria ter morrido, mas não gostaria de ter me batido no carro dela, não por conhecê-la, nem por ter ido com sua cara, mas por ter certeza de que ela foi filha da puta, ainda que tivesse ficado nervosa, assim como eu, que nunca fui atropelado antes, nunca vi uma bicicleta me proteger tanto, nunca fui pego de surpresa no trânsito, ainda mais por uma idosa, isso é tudo muito surreal; Só aumenta a minha fé de que tem alguém me sacaneando no inferno.
Mas veja bem, “o que não me mata me fortalece” e “o que não mata 'também' engorda”, sendo assim, comecei a me policiar, me resguardar, ainda mais, controlar o palavreado, controlar o ímpeto, trabalhar com mais felicidade, pois não tenho muito que fazer mesmo sem bicicleta e já que eu não posso “perder meu tempo” pedalando... trabalho em casa, ou onde quer que possa me conectar. Se eu me vencer a mim mesmo quem sabe não começo a trabalhar no celular pra me poupar o trabalho de trabalhar parado?
O bom é que eu consigo tocar violão, a mão já está quase solta no baixo e “vamos que vamos que o groove não pode parar!”. Não posso pedalar (nem dançar muito), mas é tudo por uma razão que eu desconheço ainda, mas não vou desprezar. É bom estar trabalhando de novo, é bom poder tocar um instrumento, é bom ter amigos eternos e é bom estar de volta aos bares. De qualquer maneira, sem o hábito de se “comer água” muito se perderia do desenvolvimento. É bom estar de volta ao bar, é bom estar de volta aos bares, é bom saber que se tem um lugar confiável para se chapar e depois se chapar novamente e nunca estar só, e nunca estar de mau humor, e nunca estar sem dinheiro, pois o dinheiro move o bar, mesmo que seja o seu, e não a sua desgraciosa presença: É bom ter dinheiro pra gastar no bar, mas é muito melhor ter apetite etílico, saber apreciar uma cerveja “na faixa”, uma boa caipirinha cheia de açúcar, um falso conhaque com gosto de água de coco... o verão, o sol, o calor, o líquido, os vapores... Ah! Ar...aires...
é bom estar de volta aos bares!

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