domingo, 12 de maio de 2013

Aí eu peguei a bike e me piquei (2ª Parte)


Chegando no ferry-boat ainda sem saber onde ir, tudo o que eu queria era sair dessa cidade hostil. Comprei meu bilhete, próximo (Ana Nery) sairia às 15h. Aproveitei pra mandar algumas mensagens de despedida para algumas pessoas que gostaria de ver, mas não pude. Não sabia se ia voltar, acabei ainda gastando mais dinheiro no fim de semana por ansiedade e insanidade e isso encurtaria minha viagem para qualquer lugar. Pouco me importava, o que eu queria era sossego e não se precisa de muita grana pra se estar em paz, mesmo viajando de bicicleta.
O mar estava calmo e à medida que o ferry se afastava da cidade eu sentia meu coração aflito começar a se acalmar no balanço das ondas. Eu ainda não sabia onde ia, mas estava feliz por deixar a cidade. Me sufocava e enraivecia-me a cada dia e não estava conseguindo suportar a mim mesmo. Quando a gente se perde dentro de si mesmo, se desconhece, passa a duvidar, passa a contrariar, é triste. Conseguir reconhecer e se sentir bem é difícil. Querer ser você mesmo é impossível. Na cidade você não tem liberdade de escolha: você é o que as pessoas do seu cotidiano acham que você é e pronto.
Se eu fosse um cara retado mesmo um dia desses ia a pé com Conhaque por aí, mas eu não sou esse bicho brabo todo e em vários lugares algum sacana ia empombar com um animal feliz. Eu nem sei como é que eu consigo amar com tanta loucura tanta gente se às vezes eu nem mesmo consigo me tolerar fazendo parte da humanidade. Gosto mesmo é dos pássaros e répteis, plantas e fungos, caninos e felinos, coisas desse tipo, mas grande parte das pessoas nem sequer nota a presença da natureza e da força criadora do mundo à sua volta, seduzindo e manipulando sua vida, preferem ser seduzidos e manipulados pelo dinheiro, muitas vezes sem se importar a sua origem, fim.
Cheguei em Bom Despacho e comecei a pedalar. Queria chegar pelo menos em Nazaré das Farinhas antes de anoitecer, mas a tarde era tão feia quanto havia sido todo o dia, figurativamente falando, pois não tem nada de feio na chuva e, apesar de estar nublado não tinha sentido os pingos na pele ainda nesse dia. Logo nos primeiros quilômetros eu vi que era inútil tentar chegar em Nazaré, então fiz minha primeira mudança de planos e tracei Barra Grande como meu destino: Pousada Beira da Ponte. Ótimas lembranças da juventude lá. Eram as mesmas ruas de 18 anos atrás, mas não se parecia em nada com o passado, parecia mais um bairro praiano de Salvador.
A pousada não existe mais, se tornara casa de alguém, provavelmente de algum dos 9 filhos de dona “Coizinha”, talvez até de todos eles. Olhei em direção ao antigo bar de “Seu Minino” e estava fechado. Já era quase noite e estava frio e ventando, provavelmente iria chover logo e eu não queria ficar de bobeira então fui até onde no passado havia um campinhg, que para minha maravilhosa segunda surpresa também não existia mais. Mudança de planos 2: “vou pedalar até não dar pra ver mais nada”. Saí frustrado de Barra Grande, mas era bom que eu ia ficando ainda mais longe de Salvador.
Lá pelos 20km da BA 001 já não havia mais nenhuma luz natural e eu não ia parar pra pegar lanterna e adaptar como farol, porque ia chover e eu ia ficar na maior roubada, então entrei em Tairú-Y a fim de encontrar uma pousada barata, mas ao ligar para um telefone de uma que passei em deram logo a facada: “85 reais, mas como você é sozinho eu faço 60.” Um cara como eu acostumado a dormir por 10 reais não ia pagar 60. Parei num boteco em Aratuba e, conversa vai conversa vem com o dono do bar, descolo uma pousadinha honesta e com janta. Precisava relaxar meus ossos.

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