terça-feira, 10 de maio de 2011

Segue a carruagem ensandecida sua jornada fabulosa em busca de mágicos momentos musicais

O ano de 2011 tem sido dos mais estranhos para nós Honkers. A banda não repetiu a formação em nenhum show esse ano, parece até um time de futebol. Mas temos uma boa desculpa: fizemos poucos shows; e eu tenho muita culpa nisso, porque desde o ano passado, quando tive que retornar do Capão para tocar num “Palco do Rock”, eu havia prometido a mim mesmo que nunca mais abriria mão de meu descanso para vir pra essa cidade medonha e barulhenta por nenhum motivo. O que reforçou a minha decisão foi o fato de a ACCR ter decidido que a banda The Honkers não era digna de um cachê decente, mesmo tendo feito memoráveis apresentações no festival todos os anos que participou. (Por isso também decidimos ficar de fora esse ano até que a banda adquira novamente reconhecimento após esses quase 13 anos) A coisa estava ficando bem feia para a banda continuar em ação.
No fim de semana retrasado, Brust me ligou falando de um show em Conquista na quinta-feira seguinte, dessa vez Bruno Pizza e Leo Marinho não poderiam tocar, mas os Honkers não poderiam não tocar em Vitória da Conquista, cidade que sempre foi palco de bons shows, até mesmo os que não rolaram. Quem tem amigos não se emputece, então chamamos mais uma vez os irmãos mais loucos da cidade e os parceiros musicais mais constantes da história do rock Honker, os gêmeos Rogério(g) e Rodrigo(b), ou simplesmente "os doidinho". Com apenas um ensaio, e mesmo este desfalcado de guitarrista, estávamos prontos para mais uma odisséia insana do rock.
Ainda tínhamos um problema: arranjar um veículo, pois Rebeca, nossa carruagem, fora recolhida pelo DETRAN por representar uma ameaça à saúde pública, devido a uma meia de Rodrigo Sputter que ficou esquecida no porta malas há vários anos e está prestes a ser leiloada. Isso tinha que ser resolvido em menos de 12 horas e depois de inúmeros telefonemas, e-mails, cartas, apelos e mentiras conseguimos uma nova carruagem, cedida quase gentilmente por dona Merão.
Saímos as 11 da manhã da quinta-feira e chegamos em Conquista na hora do show 20h. Ainda deu tempo de tomar uma chuveirada, horrenda por sinal, e comer uma pizza, que com a larica em que estávamos não podia não ser boa. Nosso cicerone de todas as estadas em Conquista, Gilmar, nos acompanhou na pizza e nos conduziu até o Viela Café-Bar, local do show.
A banda Garboso abriria a noite e estava no palco ajeitando o som. Não pude deixar de notar a garota que tocava bateria me lembrando muito Lily e me fazendo sentir saudades. Pena que pouco depois de começarem o show eu fui acompanhar meu brother de Pericity, que agora mora lá, Paulo Emílio numa lanchonete próxima para que ele pudesse laricar e nós pudéssemos trocar idéias. Na volta já era hora de fazer o rock rolar.
O espaço estava adoravelmente repleto de gente louca e o show não poderia ter sido melhor, aliás, foi o melhor show dos Honkers esse ano(pelo menos comigo). A galera cantando as músicas e se divertindo a valer era tudo o que nós precisávamos pra acabar com nossas dúvidas sobre o despropósito dos Honkers nas viagens inanas e nos perrengues aos quais todos somos submetidos diariamente pelo simples fato de tentar fazer um rock honesto e espiritual. Todo o cansaço, aporrinhação e incertezas que nos levaram até aquele momento estavam sendo eliminados a cada acorde, a cada grito de Sputter, a cada queda de um dos dançarinos do salão, a cada gole de água(coisa bem anormal), nos fazendo parecer uma grande banda de rock'n'roll bem entrosada e segura. Fomos os verdadeiros Honkers fechando o bar uma hora mais tarde.
No fim da noite uma cervejinha na praça, a conversa com Antônio, um bate-papo com umas meninas que foram ao show e o descanso merecido no “Chapada Diamantina”, hotel que só pelo nome traria boas energias.
Acordamos naquele esquema Honkers: comer pra burro no café da manhã e pegar a estrada sem pressa, sem stress, sem almoço, apreciando a paisagem, lembrando da noite anterior, os amigos, as conversas, o rock. Voltamos para casa felizes, com a sensação de dever cumprido, ouvindo um skazinho, porque ninguém é de ferro. Esqueci-me de tirar mais fotos da volta, do belo Vale do Jiquiriça, mas nada disso tem muita importância mesmo.









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