terça-feira, 20 de julho de 2010

Chuva e rock'n'roll

Apesar de toda minha ojeriza ao sol, a chuva ainda consegue me irritar mais. É foda quando você quer sair, precisa sair, ou está só na rua de bobeira e começa a chover. Quando eu era guri nem me importava com chuva, na verdade eu gostava bastante de andar sob ela. Adorava estar molhado. Não saía com carteira, celular, nada. Era apenas eu e mais uns pedaços de tecido me cobrindo, alguma companhia, ou nenhuma e a alegria de estar sendo encharcado pela água do céu. Agora velho eu fico muito pra baixo quando chove. Só penso em encher a cara de conhaque, e ouvir, e tocar alguma música doentia, preferencialmente rock'nroll.
Acho que o inverno deixa as pessoas mais emotivas e por isso o lado melancólico dos solitários fica à flor da pele.
Tenho quase certeza que grande parte das melhores canções do rock ou blues foram feitas sob um tempoal deprimente de inverno enquanto um poeta solitário, ou acompanhado de infelizes, deixa pairar no ar alguma idéia que o inquieta o espírito. Essas idéias ficam eternizadas nas mentes de várias pessoas em momentos de sol, sereno, chuva etc. Mas é só quando chove que as palavras encharcadas adquirem o seu real peso.
Por aqui a chuva só me estressa: não inspira-me nenhuma grande frase, não me sopra nenhuma grande idéia, não me anima a fazer mais nada além de comer água e tentar arrumar uma boa companhia. Infelizmente até as boas companhias odeiam sair nos dias chuva.

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