sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sabe aquelas cervejas horríveis?

Domingo de carnaval. Concentração: vinho, cerveja, água, chá... de repente alguém avisa que tá rolando um tiroteio na urbis. Mais cerveja, chá e rua. Topic, suburbana, Comércio...
Esse ano eu deixei de ir ver o Sepultura sábado na Barra pra ir para a Pça Castro Alves no domingo de carnaval. Sinceramente, não sei como consegui ir, beber, me divertir e voltar. Quando terminei de subir a Conceição e dei de cara com o trio de Ivete Sangalo pensei que já estava morto, mas consegui atravessar a multidão e me aprochegar em frente ao Glauber Rocha e curtir o som da Baiana System, que meus amigos me convenceram a sair de casa pra ver.
E lá estava eu, mais um preto na praça do Poeta curtindo o carnaval numa boa. A cerveja era 2 reais, mas saía a 3 por 5 em qualquer isopor laranja. Tava ruim não. O som também não era de se jogar fora, afinal eu não deslocaria de minha suburbana pra ficar ouvindo ladainha. Onde eu moro tem músicos extraordinários e que merecem minha audiência mais do que qualquer musa pop. Subir a Carlos Gomes atrás do trio elétrico foi uma emoção.
Depois da emocionante avenida teve o rap de minhas áreas representado pelo grupo Nova Era em pleno Terreiro de Jesus. Saber descrever o quanto aquilo estava sendo esplêndido eu não sei. Estava entre amigos vendo amigos no meio da maior festa do mundo bebendo cerveja a 3 x 5 e sem me embriagar. "Salvador tá escaldado!"
Cabou o rap no Terreiro começou o reggae lá na Tereza Batista. Quem mandava no som era Sine Calmon, que parecia ainda mais jovem do que quando ele escaldava tudo lá no Novo Tempo. A noite de carnaval era incrivelmente perfeita entre amigos, curtindo um reggae na paz de Jah pra ir embora de boa. Boas lembranças vem a mente, melhores ainda são criadas.
De volta a Periperi ainda vimos o final do último show na praça da Revolução que teve mais cedo Igor Canário. Acabado o show um cordão da polícia veio sugerir que fôssemos para casa esperar pelo dia seguinte. Não fomos. Alguns minutos depois de os policiais irem embora um imbecil começa a gritar e brigar com uma mulher, lhe acerta murros com uma latinha ainda fechada em sua mão. A mulher, que segura um pedaço de ferro na mão, não consegue acertar um golpe. Todos, inclusive eu, olham e nada fazem até que algum amigo do sacana o tira daquela situação e o leva para um canto. A polícia retorna e passa direto pelo agressor, aborda um outro elemento e o outro aproveita e foge. A mulher, que era uma das vendedoras do isopor laranja, continua com seu comércio como se nada tivesse acontecido.
Francamente eu não sei como cheguei até aqui. Uma vida sem sentido e sem rumo, sem objetivo, sem princípio. Duvidoso de tudo que é feito acreditar até mesmo da ciência que comprova teorias absurdas até mesmo para um louco. E o que vem a ser loucura afinal? Quando eu era pequeno achava os adultos loucos por beberem cerveja, aquela coisa de gosto tão horrível. Aí eu cresci e não consigo parar de bebê-la. 
Mas tem aquelas marcas das quais não dá pra se encarar exceto naqueles dias que você só quer se embebedar e esquecer que todo o sentido existe. Tipo no carnaval que a gente experimenta novas experiências desagradáveis e ainda agradece a Deus por ela. Seja qual for o seu fraco pra beber não esqueça uns engov's antes de beber e uns litros de água antes de dormir mesmo que seja pra mijar na cama de sua amante.
Depois de tanto agradecer por ter chegado são e salvo de um domingo de carnaval na Castro Alves, volto pra casa com a sensação de que não há nada nesse mundo que possa curá-lo. Nada pode nos fazer feliz para sempre.

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