quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dicionário da Mitologia Grega

Uma vez em 1987 eu descobri que, na mitologia romana, "Puta" era uma deusa que presidia ao corte das árvores. Eu não tinha nenhuma educação ecológica na época e isso a mim não queria dizer porra nenhuma. Eu gostava é de explicar isso pras meninas e ver a cara delas de "o que, menino?", mas ao mesmo tempo eu descobri que "Dionísio"(ou Baco) era o deus grego do vinho e do delírio, e isso era uma referência importante, pois o vinho era a base da minha dieta líquida, que detestava cerveja até 1990. Grande parte culpa de uma cerveja chamada "malt 90", mas foi bem ali no comecinho da década de 90 (quando ela não era mais vendida) que eu comecei a virar mestre cerevejeiro e também ali a minha fonte de informações divinas, o "Dicionário da Mitologia Grega", foi emprestado a um amigo que, como eu adora cerveja.
É confuso até mesmo pra mim imaginar o quanto minha maneira de ver as coisas mudou desde esse tempo, afinal, 20 anos não são 20 dias e assim como as ruas mudam, as pessoas se transformam. Antes eu cria na mitologia, no Olimpo, depois veio uma sucessão de evangelismos insanos até me tornar no que sou hoje, mesmo que eu ainda não saiba muito bem definir o que é, o fato é que minha saudação a Dionísio nunca deixou de ser feita, mesmo na ausência do dicionário que voltou pra casa apenas hoje, ou na falta de alguma fé. Hoje eu tenho fé, não sei dizer, mas sei explicar a que, e essa fé é infalível, pois nos diz que devemos  manter a calma e seguir em frente, e ter resignação.
Fico puto às vezes quando me lembro a quantidade de calangos, sapos e outros animais de pequeno porte que eram vítimas de minhas badogadas. Além das árvores riscadas e açoitadas que as deusas "Putas" não  apareciam para me impedir. Hoje eu tenho uma outra educação ecológica e sei que cometi alguns pequenos crimes ambientais, mas tento me redimir todos os dias.
Esse brother que estava com o léxico ficou entre a vida e a morte. Perdeu 60% de massa encefálica. Olhar as marcas em sua cabeça não é uma visão de toda agradável, mas olhá-lo falando, andando, se comunicando e sendo aquele mesmo brother de minha memória de 20 anos atrás transmite felicidade, é praticamente ter a prova da existência de coisas que estão além da racionalidade.
Hoje eu vou tomar um vinho em homenagem ao retorno do meu dicionário, em homenagem à minha nova visão, em despedida de Pericity com idade velha, pois meus próximos pôr do sol até meus 37 serão longe daqui, em homenagem à saúde dos meus amigos e, claro, a Dionísio, nosso brother da segunda geração dos Olímpicos. 
Sei lá! 
De repente vou só comer água. 

P.S.: Um SJ Safra de 82 ia ser superlativo.

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