Descobri por esses dias que o meu otimismo é opressor. Quando eu
vejo algo fora do lugar mesmo que eu não tenha nunca passado por lá,
isso não tenha nada a ver com meu dia a dia, tenho que tentar
endireitá-lo. É quase que automático. Se eu vejo alguém buscando
uma palavra tento adivinhar, se caiu algo das mãos de alguém
próximo a mim, tento apanhar. É irracional. Antes de pensar eu já
agi, talvez até com alguma inocência, da qual acabo sendo
penalizado. Merda! Infelizmente, algumas pessoas ao notarem essa disposição
em corrigir o que está errado passaram a enxergar nisso uma espécie
de menosprezo pelo trabalho de outro, que deixou algo fora do lugar,
por pressa, por falta de capricho, por distração. “Quem
identifica erros sabe demais e se sabe fez isso apenas para se
vangloriar de ter feito o certo.” Pode parecer uma grande loucura,
mas é exatamente esse o pensamento da maioria para comigo, talvez
com todos, em alguns momentos. Comigo é que a frequência é grande,
pois além de ser um fudido, que qualquer um pode pisar, aguento uns
bons golpes da vida, naturalmente, e é aí que o
otimismo me ajuda e me torna um verdadeiro canalha: “Eu acredito
que tudo pode ser melhor.”
Eu sei quando estou sendo injustiçado, não preciso dizer a ninguém
que está acontecendo. Sempre há um jeito de se controlar a situação
de inferioridade e até mesmo virar qualquer jogo. Tudo é uma
questão de calma, paciência, resignação. Quando a consciência
está desperta não se pode enganá-la.
Hoje eu posso dizer com toda tranquilidade, que eu não me lembro da
última vez que eu depreciei algo, ou mesmo falei mal de alguém, com
intenção de escarnecer, ou desmerecer, por inveja, por despeito, ou
por malignidade. O fato é que eu percebo problemas nas coisas e isso
eu não tenho como refrear.
Quando identifico algo que é alvo do meu desgosto eu tenho que
falar. É algo do tipo: “hã hã, samsung!” Mas isso não é por
maldade e nem para desvalorizar o bem de outrem, é apenas uma
opinião. Falo por conhecimento de causa de celulares, câmeras,
computadores, programas, músicas e tudo aquilo que é de meu
cotidiano, mas a minha única intenção é a de que, quem quer que
seja, possa usufruir do melhor possível. Tem gente que não vê
possibilidades de se melhorar nada, mas eu vejo em tudo.
É típico dos invejosos, procurar defeito nas coisas, mas eu não
procuro nem crio defeitos. Se eles existem e me encontram? Às vezes
de antemão eu sei se algo é ou não deficiente. Não é por culpa
minha. É um dom.
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